VISITANTES Greda - Grupo de Recuperandos da Dependência de Álcool / Luiz Alberto Bahia

domingo, 17 de abril de 2011

Resposta à Tania

Welcome to our blog, dear visitor.
If you are not Brazilian, we would like to ask you gently to inform us from what kind of media you came to know our blog, or even our ideas and works. You would make us a great favor if you could inform us the name of the vehicle (newspaper, journal, TV, blog, etc), as well as the title of the article or report that announced us.
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We also accept – and this is extensive to our visitors, including from Brazil – suggestions of themes to be put in dispute. We are entirely available to clarify or inform about any matter related to drug addiction.
We would also like to inform that by now, our blog has been visited by foreigners from the following countries, in decreasing order of number of people: United States, Netherlands, Germany, Russia, Portugal, Spain, Mexico, Canada and Argentina.
Best wishes,
Luiz Alberto Bahia

TRADUÇÃO:
Bem-vindo ao nosso blog, prezado visitante.
Se você não é de nacionalidade brasileira, solicitamos-lhe a especial gentileza de nos informar por qual meio midiático tomou conhecimento de nosso blogue, e/ou obras e ideias. Prestar-nos-ia um grande favor se nos informasse o nome do veículo (jornal, revista, TV, blog, etc.), bem como o título do artigo ou reportagem que noticiou sobre nós.
Solicitamos-lhe que nos faça este favor por intermédio do link “o comentário”, ou pelo endereço eletrônico lzbahia@gmail.com.
Aceitamos também – extensivo a todos o visitantes, inclusive do Brasil – sugestões de temáticas para serem colocadas em debate. Colocamo-nos ao inteiro dispor de todos para esclarecer ou informar sobre quaisquer questões relativas à drogadição.
Informamos ainda que até o presente momento, nosso blogue está sendo visitado por cidadãos estrangeiros, dos seguintes países, por ordem decrescente de número de pessoas: Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Rússia, Portugal, Espanha, México, Canadá e Argentina.
Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia

RESPOSTA À TÂNIA:

Uma pessoa que se identificou como Tania, fez um comentário no blogue do Luiz Nassif que eu respondi. Como minha resposta demorou para ser publicada, fiz aqui o registro. Abaixo, em primeiro lugar transcrevo o texto do comentário exatamente como ela escreveu, e em seguida, a minha resposta.
“A 10ª tradição me aconselha a não entrar em controvérsias, a não responder a esse tipo de ataque, mas ainda não estou tão bem no programa, e então não resisto a dar o meu pitaco...
Então eu digo: só quem não se informou direito pode dizer que o 4º passo é uma ‘declaração de culpa’!!!! que pesquisador é esse???? Em qualquer curso básico de graduação se diz que a primeira coisa para se entender um texto é LÊ-LO – esse sr Bahia diz que não tem nenhuma companhia de bebidas por trás da sua obra (ele ‘obrou’ bem, com certeza, rsrsrsss) mas que ELE tem uma visão totalmente tendenciosa e nada livre, dá prá se notar claramente...
Para afirmar o que ele afirma, sequer o livro-base do AA elel leu!, (ou pior - vai ver leu,E NÃO ENTENDEU... tá cheio de analfabetos funcionais por aí – é assim”

Querida Tania,
Não tenho o hábito de responder a ataques pessoais (que você inverte o ônus da autoria) como os que você me dirige, inclusive usando termos como ele “‘obrou’ bem”. Sinceramente, acho que você mesma merecia ser lembrada por alocução mais respeitosa e magnânima, que pudesse acrescentar valoração conceitual em tema de importância tão relevante. Porque minha proposta é esta: provocar um debate de alto nível, em que soluções mais producentes sejam encontradas para um gravíssimo problema que vem assolando a humanidade desde os primórdios de sua existência; em que menos de 1% estão em tratamento, segundo a OMS. Você, como todo ser humano merece (ainda que não se dê) o devido respeito e se colocar em posição mais condizente com a (nossa) parcela mais nobre, que todos nós portamos no recôndito de nosso ser.
A todos que lerem sua manifestação (pelo menos de agora em diante) eu pondero:
Eu li sim, e detidamente, o Quarto Passo que diz “Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.”
Embora neste passo seu autor, Bill Wilson, esteja praticando “projeções Freudianas”, ele diz de maneira inequívoca que para fazer este passo: “nos agarramos com relutância a esses graves defeitos de caráter que nos tornaram bebedores-problema em primeiro lugar, falhas essas que precisam ser enfrentadas, a fim de evitarmos um novo refúgio no alcoolismo”. Neste Quarto passo, o adepto de A.A. é instado a fazer um detalhado e corajoso inventário de seus defeitos de caráter, para se livrar da dependência. No texto do Quarto Passo só se chama a atenção para denunciar o suposto desvio de caráter do doente, que é instado a fazer o mea-culpa. Lá é dito que “precisarão reinquirir-se impiedosamente para determinar até que ponto seus defeitos de personalidade demoliram sua segurança”. No ponto final do julgamento vem a sentença abominável: “Sejam quais forem os defeitos, acabaram por nos enforcar no alcoolismo e na miséria”.

Acontece, cara Tania, que ao escrever meu livro, dando minha pequena contribuição à causa dos dependentes, eu previa que haveria enormes resistências por parte da esmagadora maioria dos membros da irmandade de A.A., não porque sejam “analfabetos funcionais” mas sim, porque todos os adeptos de “sistemas doutrinários” reagem cegamente em defesa de suas crenças. E foi por isso que logo no início do livro citei o seguinte pensamento:

 “Algumas vezes pretendemos que algumas coisas sejam verdades não porque existem indícios para isto, mas porque desejamos que isto seja verdade. Confundimos a realidade com as nossas esperanças e ansiedade.”
Carl Sagan

Acho oportuno passar mais alguns esclarecimentos, segundo minha opinião, aos visitantes deste blogue:

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS MAIS ATRAPALHA DO QUE AJUDA

Notamos a grande dificuldade que as pessoas têm ao analisar a atuação de A.A., mostrando desconhecimento da realidade envolvida na questão. A maioria dá valoração exagerada, creditando à irmandade, a recuperação de dependentes de álcool, em uma quantidade superdimensionada. Na verdade, a OMS afirma que menos de 1% dos dependentes de álcool estão em tratamento, e destes, apenas algo em torno de 0,3% estão filiados ao A.A. A esmagadora maioria dos dependentes de álcool sente-se estigmatizada por ser portadora da doença, e a razão disso, em grande escala, pode ser atribuída ao próprio A.A., pelas razões anteriormente aqui expostas. Se forem levadas em consideração, baseando-se na mesma informação da OMS, que mais de 99% dos dependentes se negam a se tratarem devido a sectária atuação da irmandade, se chegará, sem paixões, a conclusão de que Alcoólicos Anônimos presta um estupendo desserviço a humanidade. Infelizmente.


NOSSA PROPOSTA ALTERNATIVA

Os dependentes de álcool, em sua grande maioria, clamam a ausência de atendimento médico qualificado que satisfaça às suas necessidades e anseios. Primeiro falta assistência preventiva e, em consequência disso, instala-se a patologia; depois, por falta de diagnóstico precoce há um açodamento da doença; e por fim, falta auxílio eficaz para se deter e controlar essa mesma doença. Nessa última fase, quando o dependente sente os efeitos mais contundentes da moléstia e quase sempre busca amparo para suas agruras, percebe que a medicina que diagnostica sua patologia, inclusive fazendo constar em relatórios médicos o CID, não disponibiliza de suporte terapêutico para a manutenção da sobriedade. Essa mesma medicina cuida apenas dos efeitos secundários da doença, ou das doenças correlacionadas, tanto a respeito dos órgãos (todos) afetados pelos efeitos do álcool, quanto dos problemas de ordem psiquiátrica advindos de seu uso prolongado. Para a dependência de álcool propriamente dita, os médicos apenas recomendam a abstinência, sopese os inquestionáveis conhecimentos que já acumulam em outros pontos específicos.
Produzida essa lacuna pela inação da ciência, resta ao dependente lançar mão dos recursos adquiridos por meio da experiência de precursores que vivenciaram as mesmas circunstâncias. Para que isso seja viável, torna-se necessário ao buscador afiliar-se a um grupo de ajuda mútua, e aí ele depara com uma grande questão sobre os princípios de funcionamento desses grupos, que muitas vezes afrontam os próprios princípios dele ou conflitam com alguns de seus sentimentos, o que já foi explicado em páginas anteriores.
As entidades civis existentes que se dispõem a ajudar o dependente de álcool contam com valioso acervo humano, mas se fundamentam em preceitos extemporâneos e requerem, por parte de seus adeptos, a crença num Poder Superior que possa apoiar esses preceitos, e também em orações e credos religiosos, o que absolutamente não se configura como terapia, nem produz os efeitos que se espera dela. Os grupos existentes originaram-se do Alcoólicos Anônimos, ou são o A.A. propriamente, que por tradição entende que é preferível preservar esses preceitos a atualizá-los, postando-se assim numa condição sectária, e vendendo aos seus adeptos literatura ultrapassada, além de todos os inconvenientes e ineficácias de que já falamos. Existe uma enorme distância entre os grupos existentes e a realidade desejável para o dependente de álcool contemporâneo. Diante desse quadro resolvemos fundar o GREDA, como ponto de partida para achar soluções para esse impasse. Como vimos, o primeiro grupo de ajuda mútua para dependentes de álcool nasceu numa época em que apenas poucos médicos perspicazes entendiam que a dependência de álcool era uma doença, e apenas parte deles tinha a coragem de assumir publicamente essa convicção, uma vez que tal atitude representava afrontar os códigos morais vigentes na época. Esses códigos morais emanavam principalmente da Igreja Cristã. Conforme já dissemos, a radical oposição da Igreja fundamentou-se no conceito de que os médicos “estavam elevando a depravação ao status de doença”. A Igreja ainda insistia em afirmar, na qualidade de guardiã da sociedade, que o dependente de álcool era uma “criatura pecadora” que inspirava piedade, “que preferia o vício (sic) à virtude” e que era responsável pelos seus inúmeros problemas. Proclamava a Igreja que “os dependentes devem ser desprezados e merecedores de dó, e que os abstêmios seriam virtuosos e admiráveis”. Tais preconceitos foram incorporados pelo A.A. e absorvidos pela sociedade. Dessa forma, tratavam-se os dependentes de álcool como se fossem portadores de graves transtornos de caráter, pessoas que não tinham personalidade para levarem uma vida pautada nos bons costumes e que deliberadamente assumiam fraquezas e desajustes interiores. As frustrações foram vivenciadas pelos dependentes de álcool que, buscando a solução para seus problemas, aceitaram as humilhações e sugestões de leigos e fizeram uma peregrinação pelas religiões inutilmente. Então quando lhes dizem (e dizem quase sempre) que sem conversão não há recuperação, eles desanimam. Os dependentes que chegam a esse ponto estão descrentes com propostas teológicas e humilhados demais para terem de aceitar que a causa dos seus problemas está em seus defeitos de caráter. Estamos, assim, apenas tentando impedir que coloquem uma cruz adicional em seu dorso e tratando da questão como ela é, um caso de doença, que exige dignidade no seu trato. Por tudo o que foi dito até aqui, e também por nossa própria experiência de não aceitar a ajuda dos grupos existentes na época em que buscávamos uma saída (o que até tentamos - nos levou a trilhar por outros caminhos em busca da recuperação), é que chegamos à conclusão de que faltava um grupo que pudesse abrigar um enorme público - certamente a esmagadora maioria - que, devido à falta de alternativas, inclusive por falta de opção pelos seus próprios meios, sucumbe desgraçadamente. Um grupo que explicasse a natureza da patologia e os orientasse enquanto pacientes, nos mesmos moldes que são orientados os pacientes acometidos por outras doenças. Sem preconceitos ou outros rótulos discriminatórios. O GREDA – Grupo de Recuperandos da Dependência de Álcool, que estamos fundando, poderia servir estritamente como salutar opção, ou mesmo para preencher parte da lacuna existente. O GREDA  seria abrigo temporário para aqueles que não aceitam a doutrinação dos grupos de ajuda mútua existentes, já que a proposta não é de tratamento para o resto da vida. Não temos a pretensão megalomaníaca de preencher toda a lacuna existente, todavia se o GREDA preencher uma pequenina parte dela nos daremos por satisfeitos. Mesmo se não alcançarmos essa modesta previsão, mas se conseguirmos com nossos intentos, estabelecer um profícuo debate em torno da questão, ainda assim poderia se considerar que os objetivos foram atingidos.
A esmagadora maioria dos dependentes adere a programas que são verdadeiras dependências, ficando assim com o mesmo problema de dependência. Não adianta nada sair de uma dependência e entrar em outra. Já dissemos aqui que, o dependente de álcool e, por extensão, de qualquer droga, precisa é acima de tudo se libertar. Libertar-se verdadeiramente de quaisquer escravidões, afinal o que ele precisa é livrar-se da condição de adicto, que, como já vimos, significa “adjudicar a outrem para ser usado como escravo”. Chega de armadilhas, queremos ser absolutamente livres. E essa é a proposta deste programa estacado nestes 7 pilares: concorrer na recuperação do dependente de álcool observando-se o estrito respeito à dignidade e à liberdade humana. Acolher o semelhante que necessita de ajuda até que ele se recupere totalmente e depois abrir-lhe as portas para que saia de volta para a vida. Assim nosso lema bem que poderia ser:
O dependente precisa apenas de um tratamento, e o GREDA deve ter este objetivo: o de demover o indivíduo da morte e devolvê-lo à vida.”

terça-feira, 5 de abril de 2011

ATUALIZAÇÕES PERIÓDICAS

Atualizaremos periodicamente as informações aqui postadas, inserindo trechos do livro "O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)"

1º trecho:

“Em seu desespero e desamparo, Bill gritou: ‘Farei qualquer coisa, qualquer
coisa que seja!’ Ele havia chegado ao ponto de total esvaziamento – um estado de
rendição completa e absoluta
Deus existe, que Se revele!’
O que aconteceu em seguida foi eletrizante. ‘O quarto foi subitamente inundado
por uma luz indescritivelmente branca’.” (
páginas também são do mesmo livro e página aqui indicado)
Bill relata que foi arrebatado por um êxtase impossível de ser descrito. Sentiu
uma alegria que jamais sentira, seguida de uma inconsciência durante algum tempo
(exatamente igual a uma exacerbação de euforia, como nas alucinações). Seguindo
sua narrativa, Bill diz que “
havia uma montanha. Eu me achava no cume da mesma, onde soprava um vento
muito forte. Um vento feito, não de ar, mas sim de espírito. Forte e poderoso, o vento
soprava diretamente através de mim.”
Conforme iremos discorrer mais adiante, inclusive fazendo as citações cientí
de trabalhos realizados por especialistas, entendemos muito bem quando Bill
15. Sem nenhuma fé ou esperança, ele gritou: ‘Se é queL.A., p. 130 – as outras citações nestaentão vi, com os olhos da mente (o grifo é nosso), queficas
fala em “ver com os olhos da mente”, quando ele fala que o vento é feito de espírito e
não de ar, e ainda que o vento soprava diretamente através dele, pois na alucinação,
a realidade alucinada é muito mais “viva”, muito mais intensa, muito mais empolgante
e tem conotações de realidade muito maior que a própria realidade, que não
precisa de contornos especiais para acontecer, ou seja, que não envolve busca. É o
inconsciente que traz à tona o passado psíquico do indivíduo para se manifestar.
Muitos relatos de adeptos de religiões e seitas que utilizam drogas alucinógenas em
seus rituais, são parecidos com a narrativa de Bill. Veja que a montanha da infância
de Bill foi uma representação psíquica muito importante para ele, pois ele sonhava
ser grande igual a ela, e ela o acompanhou pela vida afora.
Bill continua, dizendo que então lhe ocorreu o
um homem livre”. Depois, não se sabe por quanto tempo durou esse transe, porém a
sensação passou e ele pôde ver novamente as coisas à sua volta e, em seguida, após
fulgurante pensamento “você é
se acalmar, sentiu uma paz profunda, ficando “agudamente” consciente de algo que
ele chamou de “um verdadeiro mar do espírito vivo.” (
contam que ao sentir essa sensação de euforia, ou alucinação, ficam extrema
cônscios, possuídos de muita lucidez e percepção, achando inclusive que são
dotados de poderes para elevarem-se acima do chão ou passarem qual fantasma por
paredes. Muitos pensam que podem ler a mente das pessoas. Pensam que podem
enxergar doenças nas pessoas e curá-las. Se sentem tão encorajados, pensam e agem
com tamanha segurança que, são capazes de realizações e feitos que em estado nor
de consciência dificilmente o conseguiriam. Contudo a maior parte do que lhes
L.A., p. 130) Vários dependentesmentemal
passam pela cabeça é fantasia pura. Muito parecido com as alucinações provocadas
15 Pressupostos que segundo alguns teólogos são indispensáveis para que ocorra a
experiência de conversão. Colocada aqui sugestivamente.
pela LSD
sobre esse encorajamento que se apossa do indivíduo nessas situações; a LSD
é usada na presença do que se denomina “anjo da guarda”, que é a pessoa que vai
controlar os impulsos do usuário. Sob os efeitos da LSD, o usuário pode pensar que é
capaz de voar e se jogar do alto de um edifício, ou deter a marcha de uma locomotiva
obstruindo sua passagem com as mãos.
16. A propósito, a LSD se presta muito bem para também servir de exemplo
Bill continuou curtindo aquele seu estado emocional e refletindo. Pen
que aquilo deveria ser o Deus dos pregadores, uma realidade que ele não
conhecia, nos seus dizeres, sentia-se possuído pelo absoluto, entendia a perfeição
do universo e achava que não precisava se preocupar com mais nada,
pois sabia que era amado e podia amar em retribuição; “havia vislumbrado
o grande além.” (
souL.A., p. 131)

O pseudo-despertar espiritual de Bill

terça-feira, 8 de março de 2011

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Luiz Alberto Bahia

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Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia



ORELHA DO LIVRO
 


 O volume que o leitor tem em mãos deve ser, antes de tudo, definido como um livro ousado. Mais que isso, talvez: corajoso. Durante décadas, desde a fundação de A.A. em meados dos anos 30, nos Estados Unidos, o método de Bill Wilson para a recuperação de dependentes do álcool tem sido reverenciado e aplaudido pelos meios não científicos e, eventualmente, até pela própria comunidade científica, sobretudo porque tem sido visto praticamente como referência única para o tratamento de dependentes de baixo poder aquisitivo.  O presente livro segue na contramão dessa tendência, ainda que solitariamente tenha de assumir as difíceis consequências que daí advêm. Contestar uma inclinação de décadas significa no mínimo um risco, e exige ao mesmo tempo uma dose razoável de justificativas que deem conta das responsabilidades que a tarefa demanda. O autor deste livro assume as duas coisas: o risco e a justificativa.
Luiz Alberto Bahia, nasceu em Patos de Minas, MG, em 17/08/1949. É conselheiro em drogadição, fundador do GREDA e do Grupo Fênix, que atuam na orientação, prevenção e no suporte terapêutico à dependentes e suas famílias. Estudioso e especialista em dependência química, com alguns livros publicados na área, denuncia nestas páginas toda a fragilidade das terapias abordadas pelo método de Bill Wilson, provavelmente a prática terapêutica para compulsivos mais disseminada no mundo moderno. Quem conhece superficialmente a história de Bill Wilson sabe que este “AA número 1”, ele mesmo dependente do álcool e corretor da bolsa de valores de Nova York, começou a postular suas teses e seu método, a partir de uma insólita experiência num quarto do Towns Hospital, quando então se encontrava internado devido ao seu grave estado patológico. Bill afirma ter tido naquela oportunidade uma visão extraordinária, uma luz única que o conduzia a uma experiência mística e espiritual, jamais percebida antes, e que, a partir de então, o levaria a considerar-se um convertido religioso com predestinação messiânica. A.A., embora não seja uma entidade religiosa formal, nem tenha vínculos diretos com alguma instituição eclesiástica, fundou-se sob as bases dessa suposta experiência, dita espiritual, e acabou se firmando como um grupo carismático que pratica o culto à personalidade.
Seu fundador acreditava que as raízes da dependência de álcool tinham relação direta com os transtornos de caráter dos indivíduos, e que, a conversão religiosa poderia ser o ponto de partida para o tratamento de uma doença que, no seu íntimo, pressupunha uma manifestação pecaminosa. 
            Não se tratava de uma percepção inteiramente original. A dependência de álcool, como reconhece a comunidade científica, sempre foi tida como uma fraqueza de caráter, uma fragilidade de certas personalidades doentias incapazes de se ajustarem às normas sociais. A essa fragilidade do indivíduo, conforme Bill, o retorno às crenças religiosas – base moral dos famosos Doze Passos instituídos por ele – poderiam significar o aniquilamento da rebeldia imprescindível para a recuperação. Autoritário e preconceituoso, seu método pressupunha indivíduos sem índole, prontos para encontrar na religião uma saída obediente para o seu mal.
            O presente livro propõe alternativas diferentes e, sobretudo, soluções diversas daquilo que propôs Bill, esse americano fundamentalmente capitalista e de origens religiosas ortodoxas e puritanas. Luiz Alberto Bahia, numa séria pesquisa bibliográfica, analisa a vida do “AA número 1”, logrando encontrar nela os traços de um indivíduo competitivo e vaidoso – a exemplo de uma boa parte da sociedade americana –, que negligenciou propositadamente certas bases científicas da dependência do álcool. Encontrou na vida de Bill Wilson, bem como em seus métodos terapêuticos, uma grande mistificação. Mais que visão mística, por exemplo, a experiência no Towns Hospital não passou de alucinações típicas da síndrome de abstinência, constatável mediante uma simples observação científica. E afora isso, o autor nos assegura com inteira convicção: a ciência nos mostra hoje que a dependência do álcool não procura personalidades; antes, pode estar presente em qualquer um, independentemente do caráter, da idade ou da classe social (hoje representa cerca de 13% da população mundial, segundo dados da OMS). Mais que isso: é uma doença de causa multifatorial, com componentes genéticos, motivacionais, e fatores complexos de natureza meramente fisiológica. A considerar tudo isso, é urgente repensar os tratamentos e os programas coadjuvantes, fundamentados nos Doze Passos, que se oferece aos dependentes de álcool. Sem conversões religiosas, sem mistificação. Pode ser um risco, mas Luiz Alberto Bahia prefere assumi-lo. E para isso, tem uma boas justificativas. Para compreendê-las, é preciso ler este livro.

Autoria de Luiz Alberto Bahia – Endereços eletrônicos:  lzbahia@gmail.com e



sexta-feira, 4 de março de 2011

Prefácio do livro "O mito da doença espiritual na dependência de álcool"

PREFÁCIO

“O alcoolismo é a perda da liberdade frente ao álcool”

O alcoolismo é uma das doenças mais comum na maior parte do mundo, e ainda, como bem observado pelo Bahia, quase não se ensina nas faculdades de medicina; mas o que é ainda mais grave é a omissão de treinar os médicos sobre seu adequado tratamento, que não deveria estar restrito aos psiquiatras, mas, exceto em casos muito graves, todo médico deveria conhecer como tratar esses pacientes, pois são os que podem detectar com maior facilidade o inicio desta enfermidade, que se desenvolve entre 10 e 15% de todas as pessoas que consomem álcool.
Mais uma coisa, todo médico deveria conhecer como fazer “prevenção primária”, pois o alcoolismo, assim como o tabagismo, adicções legalizadas, e todas as outras adicções ilegais, são enfermidades  evitáveis.
Mais claro ainda: “O alcoolismo é uma enfermidade evitável, controlada e tratada. Porém não é curável”.
Por conseguinte este livro do Bahia em primeiro lugar é recomendado para todos os médicos, e como a “alcoologia” já é uma especialidade dentro da “adiccionologia”, e requer equipes interdisciplinares para seu adequado tratamento, os psicólogos, psicoterapeutas, enfermeiros e o público em geral poderão se “alimentar” dos conhecimentos contidos neste erudito livro do Bahia, que também está escrito em linguagem coloquial, tornado-o acessível a todos os interessados nos problemas de alcoolismo.
A este respeito quero firmar a minha total concordância a respeito da posição ideológica em que expõe sobre o que significa “Alcoólicos Anônimos”, pois ainda que nos acusem de “mercantilizar” o alcoolismo, considero imprescindível para a sociedade em geral, dissociar da doença – dependência química de qualquer conteúdo moralista e/ou religioso, sem que esta posição signifique uma oposição a ajuda espiritual que todo ser humano necessite, mas como um ato de decisão pessoal, não como uma superestrutura religiosa – “AA” – servindo como uma consciência moral ou “superego” conforme definido pelos psicanalistas.
Seu estudo biográfico “sobre um dos fundadores de AA”: “Bill” esclarece ao leitor os fundamentos de caráter religioso do tratamento que “AA” propõe; ao contrário do que Bahia expõe no capítulo dedicado ao “GREDA”, ou seja, suas postulações a respeito do tratamento médico do alcoolismo, alternativa já nesta primeira década do século XXI, ou seja, que no “século do conhecimento” marca uma posição de indubitável base científica que merece, não só ser lida, mas também refletida e aplicada como texto de estudo para todos os que trabalham com “alcoologia”.
Tenho orgulho do privilégio que significa para mim, este convite do Luiz para acompanhá-lo com este “Prólogo” neste excelente texto que, insisto e recomendo ler, refletir e estudar.

                                           Dr.Eduardo Kalina


PRÓLOGO
“Alcoholismo es la perdi­da de libertad frente al alcohol”
El alcoholismo es una de las pato­logías más difundidas en la mayor parte del mundo, y sin embargo, como bien lo destaca el Bahia, casi no se enseña en las facultades de medicina; pero lo que es más grave aun es la omisión de entrenar a los médicos acerca de su adecuado tra­tamiento, que no debiera estar restringi­do a los psiquiátras, sino que excepto los casos muy graves, todo médico debiera conocer como tratar a estos pacientes, pues son los que pueden detectar con mayor facilidad los comienzos de esta enfermedad, que se desarrolla entre el 10 y el 15% de todas las personas que consumen alcohol.
Algo más, todo médico debiera conocer cómo hacer “prevención pri­maria” pues el alcoholismo, así como el tabaquismo, adicciones legalizadas, y todas las otras adicciones ilegales, son enfermedades prevenibles.
Más claro aún: “El alcoholismo es la enfermedad prevenible, controlable y tra­table. Pero no es curable”.
En consecuencia este libro del Bahia en primer termino es recomendable para to­dos los médicos, y como la “alcohología” ya es una especialidad dentro de la “adicciono­logía”, y requiere equipos interdisciplinarios para su adecuado tratamiento, los psicólo­gos, acompañantes terapéuticos, enfermeros y el público en general se podrán “nutrir” de los conocimientos que contiene este erudito libro del Bahia, que además está escrito con lenguaje coloquial, lo cual lo hace accesible a todos los interesados en la problemática del alcoholismo.
Al respecto quiero dejar constancia de mi total coincidencia respecto a la posición ideológica que expone acerca de lo que sig­nifica “Alcohólicos Anónimos”, pues aunque nos acusen de “medicalizar” el alcoholismo, considero imprescindible para la sociedad en general, desligar a esta enfermedad – de­pendencia química de cualquier contenido moralista y/o religioso, sin que esta posición signifique una oposición a la ayuda espiritu­al que cualquier ser humano requiera, pero como un acto de decisión personal, no como una superestructura religiosa – “AA” – que actúe como una conciencia moral o “su­peryo” como lo definen los psicoanalistas.
Su estudio biográfico “sobre uno de los fundadores de AA”: “Bill” esclarece al lector los fundamentos de carácter religioso del tratamiento que propone “AA”; a diferenciade lo que Bahia expone en el capitulo dedi­cado a “GREDA”, o sea sus postulaciones acerca del tratamiento medico del alcoholis­mo, alternativa que ya en esta primera dé­cada del siglo XXI o sea del “siglo del cono­cimiento” marca una posición de indudable base científica que merece, no solo ser leída, sino además pensada y utilizada como texto de estudio para todos los que trabajamos en “alcohología”.
Me siento orgulloso del privilegio que significa para mí, esta invitación del Luiz para acompañarlo con este “Prólogo” en este excelente texto que insisto recomiendo leer, pensar y estudiar.

Dr. Eduardo Kalina

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Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia



Autor: Luiz Alberto Bahia. E-mail lzbahia@gmail.com

quinta-feira, 3 de março de 2011

Contra-capa do livro O mito da doença espiritual na dependência de álcool

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We also accept – and this is extensive to our visitors, including from Brazil – suggestions of themes to be put in dispute. We are entirely available to clarify or inform about any matter related to drug addiction.
We would also like to inform that by now, our blog has been visited by foreigners from the following countries, in decreasing order of number of people: United States, Netherlands, Germany, Russia, Portugal, Spain, Mexico, Canada and Argentina.
Best wishes,
Luiz Alberto Bahia

TRADUÇÃO:
Bem-vindo ao nosso blog, prezado visitante.
Se você não é de nacionalidade brasileira, solicitamos-lhe a especial gentileza de nos informar por qual meio midiático tomou conhecimento de nosso blogue, e/ou obras e ideias. Prestar-nos-ia um grande favor se nos informasse o nome do veículo (jornal, revista, TV, blog, etc.), bem como o título do artigo ou reportagem que noticiou sobre nós.
Solicitamos-lhe que nos faça este favor por intermédio do link “o comentário”, ou pelo endereço eletrônico lzbahia@gmail.com.
Aceitamos também – extensivo a todos o visitantes, inclusive do Brasil – sugestões de temáticas para serem colocadas em debate. Colocamo-nos ao inteiro dispor de todos para esclarecer ou informar sobre quaisquer questões relativas à drogadição.
Informamos ainda que até o presente momento, nosso blogue está sendo visitado por cidadãos estrangeiros, dos seguintes países, por ordem decrescente de número de pessoas: Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Rússia, Portugal, Espanha, México, Canadá e Argentina.
Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia



CONTRACAPA DP LIVRO:

O número de dependentes de álcool hoje em tratamento é insignificante. Não chega a 1%, segundo a OMS. A maioria padece desalentadoramente, sentindo-se constrangida pelos programas populares existentes, assentados nos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, o que leva a sociedade a estigmatizá-los. Os chamados “programas recuperadores” pedem aos dependentes que se confessem pecadores e portadores de transtornos de caráter, passíveis de se penitenciarem para alcançar a sobriedade, o que lhes traz mais problemas de ordem emocional.
Luiz Alberto Bahia mostra neste livro o que realmente vem acontecendo na construção dessa realidade perversa, em que os dogmas extemporâneos, contudo ainda vigentes, monopolizam o amparo aos dependentes sem recursos, não abrindo espaço para que eles alcancem verdadeiramente a libertação de suas agruras. O autor não só mostra que são mitos os fundamentos para atribuir causas moralistas e espirituais à doença, como propõe alternativas mais racionais para o encaminhamento da questão. Não se trata apenas de combater os métodos ultrapassados e preconceituosos que pregam o continuísmo das dependências – agora sob a roupagem de programas de recuperação -, mas sobretudo, de estimular um amplo debate que vise ao estabelecimento de uma nova ordem que possa proporcionar um horizonte realmente alvissareiro para os dependentes compulsivos. Essa é a grande alternativa que este livro apresenta.


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“Al respecto quiero dejar constancia de mi total coincidência respecto a la posición ideológica que expone acerca de lo que significa Alcohólicos Anónimos”

Dr. Eduardo Kalina

Endereço de e-mail de Luiz Alberto Bahia: lzbahia@gmail.com