”Não há consolo mais refinado na velhice do que a sensação de ter concentrado toda a força de nossa juventude em obras que jamais envelhecerão.” (Schopenhauer)
"A vida só é possível reinventada." Cecília Meireles
sábado, 7 de maio de 2016
Postado por
GREDA - Luiz Alberto Bahia
às
11:01
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
"O maior inimigo do conhecimento não é ignorância, mas a ilusão do conhecimento."
Stephen Hawking
Para aqueles que leram uma cartilha doutrinária, cheia de equívocos, contradições e incoerências e ainda acharam de se arvorarem em dar lições aos outros, a frase é perfeita.
Postado por
GREDA - Luiz Alberto Bahia
às
08:16
1 comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
sexta-feira, 20 de março de 2015
Welcome to our blog, dear visitor.
If you are not Brazilian, we would like to ask you gently to inform us from what kind of media you came to know our blog, or even our ideas and works. You would make us a great favor if you could inform us the name of the vehicle (newspaper, journal, TV, blog, etc), as well as the title of the article or report that announced us.
We suggest that you make us this favor by using the link “o comentário”, or even sending an e-mail to lzbahia@gmail.com.
We also accept – and this is extensive to our visitors, including from Brazil – suggestions of themes to be put in dispute. We are entirely available to clarify or inform about any matter related to drug addiction.
We would also like to inform that by now, our blog has been visited by foreigners from the following countries, in decreasing order of number of people: Algeria, Angola, Argentina, Bolivia, Bosnia and Herzegovina, Brazil, Canada, China, Colombia, Dominican, Republic Egypt, France, Greece, Germany, Holland, Hungary, Indonesia, India, Italy, Iraq, Ireland, Israel, Yemen, Japan, Latvia, Lebanon, Letónia, Maldivas, Malaysia, Martinique, Mexico, Mozambique, Moldova, Norway, Pakistan, Poland, Portugal, Kenya , USA, UK, Great Britain, , Russia, Serbia, Spain, South Korea, Sweden, Taiwan, Togo, Turkey, Thailand, Czech Republic, Ukraine, UAE, Vietnã and
Best Wishes.
Luiz Alberto Bahia
TRADUÇÃO:
Bem-vindo ao nosso blog, prezado visitante.
Se você não é de nacionalidade brasileira, solicitamos-lhe a especial gentileza de nos informar por qual meio midiático tomou conhecimento de nosso blogue, e/ou obras e ideias. Prestar-nos-ia um grande favor se nos informasse o nome do veículo (jornal, revista, TV, blog, etc.), bem como o título do artigo ou reportagem que noticiou sobre nós.
Solicitamos-lhe que nos faça este favor por intermédio do link “o comentário”, ou pelo endereço eletrônico lzbahia@gmail.com.
Aceitamos também – extensivo a todos o visitantes, inclusive do Brasil – sugestões de temáticas para serem colocadas em debate. Colocamo-nos ao inteiro dispor de todos para esclarecer ou informar sobre quaisquer questões relativas à drogadição.
Informamos ainda que até o presente momento, nosso blogue está sendo visitado por cidadãos estrangeiros, dos seguintes lugares do mundo: Argélia, Angola, Argentina, Bolivia, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Canadá, China, Colômbia, República Dominicana, Egito, França, Alemanha, Grécia, Holanda, Hungria, Indonésia, Índia, Itália, Iraque, Irlanda, Israel, Japão, Letônia, Líbano, Malásia, Maldivas, Martinica, México, Moçambique, Moldávia, Noruega, Paquistão, Polónia, Portugal, Quênia, EUA, Reino Unido, República Tcheca, Rússia, Sérvia, Espanha, Coreia do Sul, Suécia, Tailândia, Taiwan, Togo, Turquia, Ucrânia e Emirados Árabes Unidos, Yémen. Vietnã.
Meus agradecimentos.
Luiz Alberto Bahia
Meus agradecimentos.
Luiz Alberto Bahia
Postado por GREDA - Luiz Alberto Bahia às 13:57 0 comentários

Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Links para esta postagem
Postado por
GREDA - Luiz Alberto Bahia
às
09:40
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
PROFESSOR DE HARVARD CORROBORA NOSSOS ACHADOS SOBRE O A.A.
Noticiamos aqui pequenos
trechos de uma reportagem da revista Galileu, cujo título é bastante sugestivo:
“Doze Passos para trás”, que pode ser encontrada no endereço eletrônico: http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/05/doze-passos-para-tras.html Na
reportagem mostra o trabalho do cientista aposentado da Harvard Medical School, Lance
Dodes, que ele publicou em livro. Nesta obra o renomado pesquisador ligado a
maior universidade do mundo mostra exatamente o mesmo assunto do conteúdo do
nosso trabalho. Trabalho este insistentemente criticado, quase sempre de forma
leviana, pelos membros de A.A. O pesquisador de Harvard, assim como eu tratou de
forma científica a questão. 1) A baixa adesão do programa de A.A.; 2) Que o
programa não funciona e até denuncia que 3) Trata-se de “indústria da
reabilitação”, o que certamente rende muito dinheiro em vez de recuperação dos
doentes. Temos nossas dúvidas de que os membros da seita vão concordar com o
iminente cientista. Certamente o atacarão e também a revista Galileu, como já
fizeram com a revista Veja e outros veículos de comunicação, que se incumbiram
de mostrar os efeitos inócuos ou negativos da irmandade. Mas tenho certeza de
que valerá para o público em geral interessados apenas na verdade dos fatos.
Assim, eu sou apenas mais um que é atacado sem nenhuma razão, como o fez mais
recentemente no blogue do Nassif, alguém com o codinome de Dikern. É muito leviano
se esconder por trás de um pseudônimo e tentar denegrir trabalho dos outros. Infelizmente
não fazem como nós que empregamos métodos científicos, e assim apresentamos
nossos achados de forma constatáveis e demonstráveis. A seguir enumeramos os
trechos da reportagem:
1
- “’O AA foi proclamado o tratamento correto contra o alcoolismo por mais
de 75 anos, apesar de não haver qualquer evidência de que ele funciona. Estamos
seguindo no caminho errado desde então”, afirma Lance Dodes no recém-lançado livro
The Sober Truth: Debunking the Bad Science Behind 12-Step Programs and the
Rehab Industry ("A Verdade Sóbria: Derrubando a Má Ciência Por trás dos
Programas de 12 Passos e da Indústria da Reabilitação", sem edição em
português).
2
- Professor aposentado de psiquiatria da Harvard Medical School, Dodes é um dos
maiores críticos do método. “Costumamos ouvir falar das pessoas que tiveram
sucesso graças ao programa, e é natural concluir que elas representam a
maioria. Na verdade, são uma minoria excepcionalmente pequena”, ele diz. [...]
O problema é que a grande maioria abandona os encontros ainda no primeiro ano.
De acordo com a publicação Alcoholism Treatment Quarterly, que avaliou a taxa
de permanência dos membros no AA entre 1968 e 1996, 81% deles param de frequentar
as reuniões durante o primeiro mês. Depois de três meses, só ficam 10%. E
depois de um ano, só 5%."
3 - ANTES SÓ...
Em
2009, uma pesquisa com mais de 200 membros do Alcoólicos Anônimos no Brasil,
realizada pela Universidade Federal de São Paulo, chegou a uma conclusão
alarmante: as chances de um alcoólatra se curar no AA são virtualmente as
mesmas daqueles que tentam parar sozinhos.
4 - Quem
deixou de comparecer aos encontros alega que os relatos pesados dos outros
participantes não ajudaram na recuperação. “Percebi que não sou uma alcoólatra,
como eles me tratavam, mas simplesmente uma pessoa que buscava apoio na bebida.
Com meu marido acontecia o mesmo, e ele conseguiu reduzir o consumo a quase
zero sem ajuda alguma”, afirmou uma desistente americana que participou do
programa por dois anos.
5 - Para
os críticos, além do método questionável, o AA tem pelo menos mais um grande
problema: a culpabilização do dependente quando o tratamento dá errado. “Quando
não funciona, os membros são responsabilizados: eram fracos, não estavam
comprometidos, não rezaram o suficiente”, diz o jornalista David Sheff no livro
Clean: Overcoming Addiction and Ending America’s Greatest Tragedy (Limpo:
Superando o Vício e Acabando com a Maior Tragédia da América, sem tradução para
o português). Isso resultaria na impressão de que os alcoólatras sofrem de um
desvio moral, e não de um problema de saúde: “A culpa nunca é do método, mas
dos pacientes, e esse é um dos maiores problemas do Alcoólicos Anônimos”.
Postado por
GREDA - Luiz Alberto Bahia
às
09:37
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
UM DAQUELES QUE ACHA QUE SABE TUDO E QUE PODE DAR LIÇÕES.
Hoje recebi o e-mail abaixo, com o título "Se dê uma oportunidade e leia", bem provavelmente, de um
mebro de A.A. Em seguida minha resposta a ele.
Se dê uma oprtunidade e leia.
Entrada
|
x
|
11:29 (Há 7 horas)
|
||||
|
||||
Ola tudo bom meu irmão, quero lhe parabenizar pelos
seus meritos, por ter se formado, ter escrito livros e por ter tentado se
informar a respeito de A.A acredito que vc nunca teve problema com alcool na
minha opinião pode ter usado desvairadamente e sentidos os sintomas de
embreagues mas nunca teve (problemas), talvez vc perdeu a indentificação ou por
algum apuro em que se meteu vc deixou o consumo, agora tome cuidade pq se vc ainda nao teve
problema com a droga do alcool nao te garante que vc não venha ter, com
todo respeito do mundo será que vc esta preocupado com o que ainda esta
sofrendo sera que vc se dispoe a ajudar pessoas com problema com algo de alguma
forma abnegada, de graça sera que vc abraça alguem que perdeu o controle da
vida, nao sei afirmar certo, mas com todo respeito pessoas que estudam e nao
fazem nada a respeito para ajundar e ajunta conhecimento nao passa de um
intelectual e o mundo esta cheio e nao nos servem para nada a não ser
crtiticar, e pessoas que sabem e nao fazem nada nao passam de hopocritas e
estamos cheios tb se multiplicando iguais a ervas daninhas por gentileza nao
seja mais um, quem sabe e nao faz nada na realidade na sabe de nada, saber é
fazer nao critique ajude a ajudar um beijo no seu coração que Deus de sua
coopreenção te ilumine seu coração estaja sempre com o Poder Superior!!!!
Meu caro,
Em
primeiro lugar acho que você deveria dar seu nome e endereço, para a perfeita
identificação. O anonimato pode ser esconderijo de quem não ama a liberdade e a democracia. Em segundo lugar, devolvo-lhe a sugestão, com a qual deu título
a sua mensagem: “Se dê uma oportunidade e leia”. Leia pelo menos meu último
livro, ou então os vários artigos que estão em meu blogue. Mas entenda que ler,
não é apenas identicar as palavras, e sim compreendê-las de fato, saber seu
sentido, seu significado e todo o contexto nas quais estão inseridas. Sorver o
texto e saber se posicionar no mundo para o qual o autor quer transportá-lo. Assim, de
posse do conhecimento, possa se satisfazer em vez de nutrir ilusões ou possibilidades fictícias.
E
sabe porque digo isso, logo no início de minha resposta a V.Sa.? Porque eu
nunca vi ninguém errar tanto a meu respeito quanto o senhor, ou então vejamos:
Para
melhor compreensão, vou transcrever as suas frases abaixo, enumerando-as e em
seguida vou respondendo, usando fonte a fonte com cor e tamanho diferente, para
sua maior facilidade de identificação e compreensão.
1
Ola tudo bom meu irmão, quero lhe parabenizar pelos
seus meritos, por ter se formado, ter escrito livros e por ter tentado se
informar a respeito de A.A. Meu caro, não me formei e sou
autodidata. Tenho apenas o 1º grau e concluído há 40 anos atrás. Aprendi a
escrever por meus próprios meios, com a finalidade de levar a cabo meus
objetivos. E depois, eu não tentei me informar a respeito do A.A., na verdade
eu me informei de fato e de forma bem abrangente e com esmero.
2 - acredito que vc nunca teve
problema com alcool na minha opinião pode ter usado desvairadamente e sentidos
os sintomas de embreagues mas nunca teve (problemas), talvez vc perdeu a
indentificação ou por algum apuro em que se meteu vc deixou o consumo,
Ao contrário do que o senhor diz, eu tive problemas
com o álcool sim, fui diagnosticado e internado por três vezes, e como todo
dependente de álcool, fiz uso indevido dele (por quase 30 anos), e não como o
senhor diz, “desvairadamente”, o que não faz o menor sentido. As suas
afirmações seguintes, de que senti “sintomas de embriaguez”, que “nunca tive
problemas” e ainda que “perdi identificação ou por algum apuro que me meti”,
também não faz o menor sentido. Deixei de usar o álcool porque cheguei a beira
da morte e resisti, dando uma guinada em minha vida. O que o senhor diz,
sinceramente, está mais para anedotário do que para um prognóstico que o senhor
tenta presunçosamente advinhar.
3 - agora tome cuidade pq se vc
ainda nao teve problema com a droga do alcool nao te garante que vc não
venha ter, Já tive problemas até demais, e pelo meu
autodiagnóstico, cheguei a ter um quadro de “Sindrome deWernicke-Korsakoff” com
“Delirium tremens”. E se o senhor não sabe, é um dos estágios mais severos da
dependência de álcool, e segundo literatura médica, 5% dos que chegam a esta
síndrome, vão à óbito. E dos acumulam mais sinais e sintomas, em torno de 97%
sucumbem. E se eu ainda vou ter problemas com o álcool, penso que eu mesmo
posso avaliar os riscos que corro, pois com 20 anos de sobriedade, já tenho “uma
certa experiência” dos perigos que ele representa.
4 - com todo respeito do mundo
será que vc esta preocupado com o que ainda esta sofrendo sera que vc se dispoe
a ajudar pessoas com problema com algo de alguma forma abnegada, de graça sera
que vc abraça alguem que perdeu o controle da vida, nao sei afirmar certo, mas
com todo respeito pessoas que estudam e nao fazem nada a respeito para ajundar
e ajunta conhecimento nao passa de um intelectual e o mundo esta cheio e nao
nos servem para nada a não ser crtiticar, Eu vejo nesse
trecho uma grande preocupação do senhor em fazer um julgamento moral sobre
minha pessoa. Certamente o senhor pensa que não faço nada disso daí, e com
isso, quer dizer que, não passo de um intelectual sem serventia e que só sei
criticar. Advirto-o de que o julgamento e a crítica que o senhor faz, não me
servem, e se fizer uma análise mais acurada, bem poderia ter serventia bem mais
próxima do senhor, do que realmente imagina. E nesse ínterim, eu concordo
plenamente com o senhor, pois quem critica sem se dar ao domínio dos fatos, não
passa de alguém que só vê o lado negativo dos outros e das coisas. E se alguém
está ajudando o mundo a se encher de pessoas desse tipo, penso que não sou eu.
Veja quem realmente pode engrossar ou fazer parte de esses dados estatísticos
que mostra. Não me acho na obrigação de dizer, se faço e o tanto que faço, mas
para que talvez possa ajudar ao senhor a se dar conta dos erros e fiascos que
comete, vou lhe informar: Saiba o senhor que oriento dependentes de drogas e
suas famílias há aproximadamente 20 anos. Arranquei muitos jovens das garras do
álcool e das drogas, e que hoje já são homens feitos na vida, casados, pais de famílias, bem empregados e até, empresários de sucesso. Criei o GREDA-Grupo de
Recuperandos da Dependência do Álcool, um grupo de ajuda com embasamento estritamente
científico, bem diferente do A.A. que é “Preconceituoso, extemporâneo,
discriminatório, estigmatizante, moralista e contraproducente”, como atesta
especialistas renomados. Saiba o senhor ainda, que ajudo a todos sem nada
cobrar, e que até o A.A. se serviu de meus préstimos. A convite de CTO, Fiz
palestras em grupos de A.A., e até escrevi artigo para a revista
Vivência (edição 112, março/abril, páginas 23-24). De tanto colaborar com o A.A.,
recebi a distinção de “Amigo de A.A.” que é conferido as pessoas que detém
grande conhecimento sobre a irmandade, mesmo sem ser membro e lhes prestei serviços
gratuitos. Também apresentei trabalhos científicos em Congressos, fiz palestras
para crianças e jovens em estados da região leste, elaborei projetos de prevenção
ao uso de drogas, escrevi artigos para revistas e jornais. Dei entrevistas para
a mídia, orientando e alertando para os perigos do álcool e das drogas. Gastei
quase todo dinheiro que ganhei nessas ações e projetos.
5 - e pessoas que sabem e nao fazem
nada nao passam de hopocritas e estamos cheios tb se multiplicando iguais a
ervas daninhas por gentileza nao seja mais um, quem sabe e nao faz nada na
realidade na sabe de nada, saber é fazer nao critique ajude a ajudar E finalmente o
senhor se achando cheio de razão, diz todas essas coisas, fazendo um julgamento
infeliz. Fico triste pelo senhor, por tanta animosidade e leviandade. Saiba que
ao tentar falar de mim o senhor falou só de si. E o que achou que cairia bem no
alvo para mim, deve servir apenas para o senhor, nunca para mim.
Pelas adivinhações que o senhor tenta fazer, e também
pelos julgamentos injustos, precipitados e rancoroso, vejo que o senhor tem um
único objetivo, o de tentar me dizer que eu não tenho conhecimento do meu
próprio caso, e o de denegrir a minha imagem. E sinceramente, eu chego a
conclusão de que o senhor se acha um grande conhecedor do assunto e que pode
sair ensinando os outros, e até dando-lhes lições de moral e ética. Pensa que o
A.A. lhe deu tudo o que precisava, mas infelizmente não tenho boas notícias
para lhe dar, pois ao tentar me descrever acaba por mostrar sua própria
situação. Já que me deu tantos conselhos eu retribuo com um só: procure um
especialista e peça uma avalição, quem sabe se com um pouquinho de humildade,
não se dá conta da própria situação e faça um verdadeiro tratamento.
Um fraternal abraço,
Luiz Alberto
Postado por
GREDA - Luiz Alberto Bahia
às
17:29
6
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
domingo, 19 de outubro de 2014
MÃE DESESPERADA COM FILHO FREQUENTANDO O A.A.
Ontem recebi um e-mail de uma mãe, que desesperada procurava pelo google algém para orientá-la, me encontrou. Passei-lhe orientações. Ela me autorizou a publicar o e-mail, que tive o cuidado de tirar alguns detalhes que a pudesse identificar:
Meu filho está frequentando AA.
Estou muito apreensiva, pois fui algumas reuniões e estou apavorada!
Penso da mesma maneira das muitas pessoas que deram seus depoimentos mostrando o lado negativo sobre o AA.
Não sei o que fazer, pois queria que ele saísse dessa entidade, mas não conheço outro tratamento. E temo em deixa-lo sem suporte.
Estou procurando psicóloga, mas a maioria não é especialista no assunto.
Se puder me indicar o que fazer?
Obs. O que percebi no AA:
Pessoas arrogantes
Grosseiras
Se colocam acima da família do adicto, acho que ate mesmo de Deus!
Fazem uma lavagem celebral na pessoa...meu filho esta apavorado
Teme que se faltar um dia vai voltar a usar... (falam isso para ele). Fala o tempo todo que é doente..fui excluída pelo padrinho...que sequer aceita fala comigo, foi de uma indelicadeza tamanha. ..
Meu filho é de menor!!!
Hoje me disse que não pode mais me falar o que eles conversam,
Não que ir na esquina sem pedir pro padrinho...os terapeutas da clínica que indicaram são adictos e frequentadores do AA.
Eles se falam o dia todo!
Meu filho não da um passo sem comunicar...ate pra sair comigo.
To apavorada!!!
Moro em [...] se puder me indicar outro lugar para tratamento! Antes que meu filho fique paranóico!
Meu filho está frequentando AA.
Estou muito apreensiva, pois fui algumas reuniões e estou apavorada!
Penso da mesma maneira das muitas pessoas que deram seus depoimentos mostrando o lado negativo sobre o AA.
Não sei o que fazer, pois queria que ele saísse dessa entidade, mas não conheço outro tratamento. E temo em deixa-lo sem suporte.
Estou procurando psicóloga, mas a maioria não é especialista no assunto.
Se puder me indicar o que fazer?
Obs. O que percebi no AA:
Pessoas arrogantes
Grosseiras
Se colocam acima da família do adicto, acho que ate mesmo de Deus!
Fazem uma lavagem celebral na pessoa...meu filho esta apavorado
Teme que se faltar um dia vai voltar a usar... (falam isso para ele). Fala o tempo todo que é doente..fui excluída pelo padrinho...que sequer aceita fala comigo, foi de uma indelicadeza tamanha. ..
Meu filho é de menor!!!
Hoje me disse que não pode mais me falar o que eles conversam,
Não que ir na esquina sem pedir pro padrinho...os terapeutas da clínica que indicaram são adictos e frequentadores do AA.
Eles se falam o dia todo!
Meu filho não da um passo sem comunicar...ate pra sair comigo.
To apavorada!!!
Moro em [...] se puder me indicar outro lugar para tratamento! Antes que meu filho fique paranóico!
Postado por
GREDA - Luiz Alberto Bahia
às
22:08
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Forjando um mito
Uma
das ideias que Bill absorveu de Jung trouxe sérias consequências para todos os
dependentes de álcool, que padecem até os dias de hoje, devido às implicações advindas
dela. Essa ideia foi a afirmação irresponsável de que a doença da dependência
de álcool é espiritual, ou de origem espiritual, propagada pelo A.A., que Jung
endossou. Como veremos adiante, Jung fez isso na carta que respondeu a Bill,
propondo uma premissa completamente forçada. Os endossos e afirmações de Carl Jung,
nesse sentido, nos fazem entender o porquê das indignações de Richard Noll com
as ideias sem fundamento que ele divagava, sempre danosas para a ciência. O
pior são as terríveis consequências dessas divagações ilógicas, para milhões de
seres humanos. No caso do inconsciente coletivo e dos arquétipos, as
consequências apontadas com muito equilíbrio e autoridade por Noll, ainda que
muito danosas, ficam minúsculas perto desta desqualificação da doença, feita
por Jung. Desqualificar a doença de biológica para espiritual, distorcendo sua
causa, desvirtua também a terapêutica para a dependência de álcool, provocando
enorme prejuízo para milhões de dependentes.
Com
o oportunismo peculiar, destacado ao longo de todo o livro O culto de Jung,
por Noll, o teórico suíço aproveita-se das insinuações descabidas de Bill para imiscuir
suas teorias. Antes de dizê-lo a Bill na carta, porém, justificou-se que não
havia transmitido a Rowland um aspecto de sua recomendação, porque havia descoberto
que estava sendo mal interpretado no que dizia. Depois de dizer a frase “A sua
fixação[1]
pelo álcool era o equivalente, em nível mais baixo, da sede espiritual do nosso
ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval, pela união com Deus”,
ponderou com esta outra frase: “Como poderia alguém expor tal pensamento sem
ser mal interpretado em nossos dias?”. Bem, na primeira frase, Jung começa com
um absurdo, ao dizer que dependência de álcool é fixação. Ainda que dissesse
ser uma fixação oral, não concordaríamos, pois hoje se sabe que a dependência
de álcool advém de várias causas combinadas. E depois reporta sua teoria
“helenística, indo-ariana”, que ele chama de linguagem medieval, ao dizer que a
dependência de álcool seria a “sede espiritual do nosso ser pela totalidade” –
pela união com Deus. Ele, sim, ao criar uma teoria teológica, mostra sua
fixação em criar uma religião. Uma religião para poder se salvar, diga-se de passagem.
Sua busca frustrada em ser uno com Deus, ter Deus dentro de si, conforme já
vimos. Ou seja, além de ordem espiritual, a dependência seria espiritual no
nível do inconsciente coletivo. Um disparate!
Ninguém
é alcoólico por ter sede espiritual pela totalidade. Por não ser uno com Deus.
Isso não passa de retórica completamente destituída de razão, e isso está mais
para crendices preconceituosas medievais. A dependência de álcool, conforme
veremos no capítulo “A doença”, conta com dez CIDs catalogados pela OMS, e
nenhum deles, envolve crenças religiosas. E depois Jung ainda vem dizer, ao que
expor tais pensamentos naqueles dias, estaria sendo mal interpretado. Mesmo nos
dias atuais, Jung não está sendo mal interpretado; ele está sendo bem
interpretado, ainda que isso signifique considerá-lo como um tremendo
presunçoso e tendencioso, como bem mostra Noll. Com os conhecimentos
científicos atuais sobre a dependência de álcool, fica muito mais fácil “bem”
interpretar Jung hoje, e constatar toda a sua ardileza. Toda a sua infeliz
especulação.
Lembrem-se
de que Jung afirmou que o inconsciente coletivo conteria toda a herança
espiritual da evolução da humanidade, e essa sede espiritual a que Jung se
reporta é herança que não se originou hoje. Com isso, Jung fez uma associação
completamente oportunista, sem nenhum embasamento, coisa de se lamentar profundamente.
E depois, ao afirmar que “expor tal pensamento sem ser mal interpretado em
nossos dias” equivaleria a ter pretensões proféticas, um visionário futurista.
Mas como dizem, o tempo é o senhor da razão: suas palavras em nossos dias, não
só denotam seu equívoco, como também o esvazia de suas pretensões como profeta
e salvador. Nesse ponto se iguala a tantos outros fanáticos que propuseram a
salvação (redenção) de seus seguidores, mas em vez disso, acabaram por
arruiná-los. Contudo, o que é pior mesmo é o estrago que essa ideia infeliz,
açambarcada por Bill, vem provocando em milhões e milhões de dependentes de
álcool ao longo desse tempo todo, o que explicaremos no momento oportuno. Jung
consegue desagradar a todo mundo, à exceção de seus fiéis seguidores,
evidentemente. Porque a ideia teológica de Jung - farsa na opinião de Noll -
bate frontalmente contra qualquer lógica ou possibilidade.
Logo
abaixo, depois de explicar ainda mais, de maneira preconceituosa e discriminatória,
como um ser humano contrai a dependência de álcool, Jung conclui
apoteoticamente, aguçando ainda mais suas conjecturas ilógicas, ao explicar:
Veja você, “álcohol” em latim significa “espírito”, e você, no entanto, usa a
mesma palavra tanto para designar a mais alta experiência religiosa como para
designar o mais depravador dos venenos. E em seguida acrescenta: A receita
então é “spiritus” contra “spiritum”.
A
conceituação de Jung é inepta, desprovida de qualquer conteúdo objetivo ou
pragmático. Para nós, essas alegações são pura semântica, com o único intuito
de justificar sua proposição para a teoria da doença espiritual de origens
reportadas ao inconsciente coletivo. Semântica, porque dizer que alcohol
em latim significa “espírito” é apenas uma questão de linguística, um jogo de
palavras, já que etimologicamente a palavra álcool vem do árabe al-kuhul[1].
Não só a palavra, mas também a própria bebida e o alambique são de origem
árabe. Embora haja vestígios arqueológicos dando conta de que os egípcios
tenham produzido um aparelho parecido com o alambique, esse equipamento, como é
conhecido, só foi desenvolvido no ano de 800 D.C. pelo alquimista árabe Jabir
ibn Hayyan. A própria palavra alambique vem do árabe “al ambic” cujo significado
vem de “algo que refina, que transmuta”.
No
século X, o astrônomo, médico e filósofo árabe,[1] de nome
Abu Ali al-Husain ibn Abdallah ibn Sina, ou simplesmente Avicena (980-1063),
inventou o processo de destilação a partir da bebida fermentada. O resultado da
destilação, em sua maior parte, é o álcool etílico, e a forma de bebida
destilada. Al-kuhul originalmente significava “fina poeira”, referindo-se ao
antimônio, que era cosmético usado pelos egípcios. Posteriormente passou a
designar qualquer “essência”, como o álcool. Donde “essência” pode ter passado
a significar “espírito”, em latim, uma vez que essência poderia significar
“exalação”, como veremos logo abaixo.
Ainda
com respeito à origem da bebida e da palavra álcool, num trabalho
assinado por Marcus Valério XR (1971), disponível em www.xr.pro.br/Ensaios/Drogas.html,
ele informa que: “No entanto para eles (árabes)[1] a
palavra atualmente é Al-Ghawl, em inglês The Ghoul, literalmente ‘o
espírito/fantasma’. O próprio Alcorão contraindica fortemente o uso de álcool,
e sendo assim, os mulçumanos são abstêmios. Talvez isso seja devido à percepção
que os árabes têm de seu próprio vocabulário. Eles foram os precursores do
Álcool, e também os primeiros a abandoná-lo. E de acordo com uma interpretação
comum no Islã, similar a interpretações comuns na Bíblia, esse ‘espírito’ no
caso, AL-GHAWL, pode ser traduzido como: O DEMÔNIO” (sic).
Como
se pode notar, o espírito que se refere à origem da palavra não significa “a
mais alta experiência religiosa”, e sim coisas de “conteúdo” mundano mesmo e,
se se quiser usar essa palavra para se referir às coisas transcendentais,
certamente se remeteria a fenômenos fantasmagóricos ou demoníacos.
A
palavra álcool em latim não tinha um significado original ou
tradicional, e só foi incorporada ao vocabulário daquela língua nos tempos
modernos. Ao que nos parece, estava ligada à sua condição química de
volatilidade, na relação exalação-essência, e a partir daí, a uma significação
relativa ao álcool propriamente dito. Para corroborar nossas suposições,
fizemos um perípato por bibliotecas públicas e particulares, e podemos assim
resumir o teor dessas pesquisas como segue.
Nos
dicionários publicados até a data da correspondência entre Bill e Jung,
consultados (em todos eles), tanto nos Latim-Português quanto nos
Português-Latim, não encontramos a palavra álcool. Nos dicionários
Latim-Português, há praticamente um consenso, ao se constatar o significado da
palavra spiritus, que adiante podemos assim exemplificar:
SPIRITUS,
-ús, subs. M. I – Sent. próprio: 1) sopro, vento, hálito, respiração, exalação
(Verg. Em. 12, 365). Daí: 2) O ar (Cic. Amer. 72). II – Sent. Figurado: 3) Suspiro (Hor. Epo. 11, 10). 4) Inspiração,
sopro divino, gênio, espírito criador (Hor. O. 4, 6, 29). 5) Espírito,
sentimento (T. Lív. 2, 35, 6). 6) Ira, cólera, arrogância, orgulho, presunção
(Cic. Phil. 8,24). 7) Espírito, alma (Ov. Met. 15, 167).
O
dicionário mais recente que tivemos acesso foi o Dicionário de Latim- Português,
da Porto Editora, de Portugal (2ª edição, de 2001), cujos significados para a palavra
spiritus são bem mais amplos, e nem por isso, entre elas encontra-se a
palavra álcool.
Já
nos dicionários Português-Latim também não encontramos a palavra álcool, e onde
poderia se encontrá-la, caso existisse, encontram-se as duas palavras (seria
entre elas, portanto): ALCÔFA e ALCOVA. No Dicionário de Português-Latim,
da Porto Editora (2ª edição, de 2000), entre as palavras alcofa e alcova
aparecem ainda as palavras alcoice, alcorcova e alcouce.
Na nossa pesquisa sobre a bebida ou o hábito de beber, nada foi constatado que
as relacionasse a spiritus, conforme segue abaixo.
BÊBEDO,
adj. Ebrius,a,um; vinolentus,a,um; temulentus, a, um; vinosus,a,um; tudo
retumbava com os gritos dos bêbedos: personabant omnia vocibus ebriorum:
palavras de bêbedo : ébria verba; olhos lânguidos (de quem bebeu muito) : ebrii
oculi.
BEBEDOR,
s. m. Potor,oris; potator,oris; vinosus,i; aquele que gosta de beber: bibendi
avidus; bebedor de vinho : vini potator ou bibo, onis.
BEBER,
v. t. e i. Bibere; potare; hourire; beber vinho: bibere vinum; beber de um só
trago: bibere pro summo; água boa para beber: aqua idônea potui; beber até
perder a noção das coisas: vino se sepelire.
BEBERAGEM,
s. f. Potus. Us; beberagem medicinal: potus medicus.
BEBERICAR,
v. t. e i. Sorbillare; potitare.
BEBIDA,
s. f. Potio.onis; potus, us; dar alguma bebida para tomar: dare aliquid potui.
(Dicionário
Português-Latim, p. 98 e 43).
Apenas
conseguimos encontrar a palavra álcool, correlacionada a spiritus
- numa suposta etiologia, que acima postulamos -, no livro Sintaxe Latina,
coincidentemente publicado em 1961, portanto, novíssimo para todos daquela
época, inclusive para Jung. Naquele livro, cujo capítulo tem como título
“Vocabulário de termos mais usuais e modernos”, em que constam várias palavras
modernas para a época, tais como aeroporto (aeroportus, us; aerodromus, i.) ou
Altofalante (megaphonium, ii; vocis amplificator, oris.), deparamos com a
exegese:
Álcool,
spiritus, us, m.; potior vini sucus; praecipuum vini elementum.
Assim,
diante dos fatos e documentos, podemos seguramente afirmar que a colocação
feita por Carl Jung foi forçada. Forçada intencionalmente para forjar uma
realidade que seria incontestável, e a partir daí construir uma frase de efeito
que, com esse suposto lastro endossante, pudesse significar uma verdade
científica. E que acima de tudo, fosse plenamente coadunada com sua teoria do
inconsciente coletivo e dos arquétipos, para ele, cientificamente perfeita e
incontestável, contudo, taxada brilhantemente por Richard Noll como uma
aberração ética, uma das maiores farsas que a humanidade já viu.
Assim
como Noll vê a farsa protagonizada pelo Jung, num intrigante emaranhado de
manipulações intelectual e cuidadosamente articuladas, ele chega a citar o
seguinte trecho em seu livro: “A história simplesmente não é o pão dos fiéis, e
é mesmo verdade que ‘o mundo quer ser enganado’, como certa vez disse Jung a um
colega que pusera em dúvida suas alegações” (NOLL, 1996, p. IX). Pode-se até
dizer que a maioria das pessoas quer ser enganada, mas generalizar de tal forma
é arroubo. E mais, há muita gente que ama a verdade e busca-a com afinco.
Agora, dizer tal disparate, vindo de alguém que se intitula como cientista, é
no mínimo aético.
Vimos
que Bill não agiu muito diferente de Jung, e mais adiante, vamos mostrar uma
síntese de suas insinuações induzindo que ele era messiânico. Ambos
protagonizaram (ainda que não protocolar, como está demonstrado nas cartas) um
pacto tácito de endosso e apoio mútuo. O objetivo seria a potencialização
recíproca para a ascensão de seus movimentos carismáticos, em que apenas eles
(seus beneficiários e correligionários) ganharam, à custa do sofrimento e
engano de milhões de seres humanos. O caso de Bill, em termos de danos a
terceiros, é ainda bem maior, porque engana não só os adeptos do A.A., como
ainda ajuda a estigmatizar os outros 99,7% (aproximados) de dependentes de
álcool que não aderiram a essa entidade dogmática. O estigma de Bill e A.A. faz
com que um extraordinário contingente de dependentes desista até mesmo de
procurar outros caminhos para se tratar. Parece que não foi um mero acaso a
aproximação dos dois; ambos tinham personalidades, mentes e objetivos afins.
Infelizmente.
Richard
Noll, por várias vezes em seu livro, observou que as teorias de Carl Jung
tinham em primeiro plano o objetivo de se contrapor ao cristianismo que ele
tanto odiava[1].
Ao associar ardilosamente o álcool a uma dicotomia dialética ao estilo
platônico, esse álcool “que tanto podia designar a mais alta experiência
religiosa ou o mais depravador dos venenos”, Jung bem provavelmente pretendia
(além do pacto subentendido com Bill) alfinetar o cristianismo. Isso se daria
através da depreciação de um dos sacramentos preconizados por Jesus Cristo na
última ceia, a ingestão de vinho, e que é parte dos rituais de algumas
religiões cristãs, principalmente da Igreja Católica, representado pelo
sacramento da comunhão na missa.
Lembrem-se
os leitores das citações que fizemos das páginas 207 e 208 do livro O Culto
de Jung. Repetiremos aqui dois pequenos trechos:
“Penso que precisamos dar à psicanálise tempo
para infiltrar-se entre pessoas de muitas áreas, reviver entre os intelectuais
o sentimento do símbolo e do mito, aos poucos retransformar Cristo no
profético deus da vinha e, por aí, assimilar as arrebatadoras forças
instintuais do cristianismo, com o único propósito de fazer do culto e do mito
sagrado o que eles já foram: um festim bêbado de alegria em que o homem
recupere o etos e a santidade do animal [o grifo é nosso]. Era essa a
beleza e o objetivo da religião clássica, e só Deus sabe quais necessidades
biológicas passageiras a transformaram num Instituto da Aflição.” [...]
“precisa surgir dentro do cristianismo, converter em realidade seu hino de
amor, a agonia e o êxtase em face do Deus morto e renascido, o poder místico do
vinho, a impressionante antropofagia da Última Ceia – só esse desenvolvimento
ético pode desempenhar o papel das forças vitais da religião”.
Vejam
até onde Bill meteu os dependentes de álcool. Bill não conhecia Jung nem a sua
forma de abordagem aos dependentes de álcool, mas achou que poderia criar algo
de novo que o colocasse no centro do palco. Não só conseguiu como ainda
provocou, com suas mirabolantes ideias, meter os dependentes no antigo ódio de
Jung pelo cristianismo. E este não hesitou em criar um silogismo malicioso para
atiçar os dependentes na sua louca disputa religiosa. Antes de prosseguir no
esclarecimento da querela de Jung com os cristãos, é preciso destacar um
importante fenômeno que se constata: a facilidade como um líder enfia
empulhação na cabeça de seus seguidores, partidários ou correligionários. Neste
caso de Bill, a aberrante contradição está registrada em um mesmo livro,
separada por poucas páginas. As vociferações raivosas de Bill contra Jung,
desqualificando-o completamente, estão, como já vimos, no livro A linguagem
do coração, nas páginas 114-116, e as bajulações, enaltecimentos e o
pseudovínculo, estão registrados nas páginas 325-329, Da parte dele, é muita
cara de pau, da de seus seguidores, é cega ingenuidade. Fanatismo.
As
pretensões de Jung quanto à fomentação das suas ideações anticristãs são bem
explícitas. Na argumentação para Freud, acima, ele diz coisas como infiltrar-se
entre pessoas de muitas áreas para “retransformar o Cristo no profético Deus da
vinha”. Compara Jesus com Baco ou Dionísio (os deuses do vinho – o primeiro
romano e o segundo grego). Compara os cristãos da época com um “festim bêbado”.
Relaciona Jesus, o “Deus morto e renascido”, com “poder místico de vinho”, e o
último encontro de Jesus com seus apóstolos chama de “impressionante
antropofagia da Última Ceia”. Veja que Jung compara a “comunhão” dos católicos
com antropofagia, ou seja, canibalismo. É por isso que Jung não se conformava
com o irracionalismo religioso. Se Jung não conseguiu (como desejava)
infiltrar-se em diversos segmentos da sociedade (sua) contemporânea para
plantar suas teorias, com Bill conseguiu-o com extrema facilidade. A sanha de
homens inconsequentes como Bill e Jung criou um mito que acabou por se tornar
talvez no maior algoz das vítimas do álcool: a estigmatizante doença
espiritual.
Desdobramento da relação de Bill com Jung: o caso
Wylie
Em conformidade com o que havíamos dito anteriormente, vamos estender
esse assunto mais um pouco, esclarecendo a nebulosa relação de Bill com Carl
Jung. Neste momento veremos as contraditórias versões que Bill apresentou na
avaliação da obra do psiquiatra. Como vimos na sessão anterior, Bill não só
apoiava as ideias de Jung, como disse que elas foram fundamentais para
estabelecer a ideologia de A.A. Contudo, noutro momento anterior, Bill as
abominou e se denuncia por isso. Neste desdobramento do caso Jung, fica notória
a ambiguidade de Bill e sua disposição para forjar fatos, iludir e subestimar a
inteligência dos outros. Para a consecução desse objetivo, tomaremos como base
o livro A linguagem do coração, que convencionaremos chamar pelas
iniciais L.C. Este livro é uma obra que reúne artigos escritos por Bill
para a Revista Grapevine que, por sua vez, é uma publicação que serve
como meio de comunicação oficial de Alcoólicos Anônimos. Nesta fonte de
pesquisa deparamos com achados muito importantes, que colocam mais luz nessa
questão.
Nossas atenções se voltam principalmente para um artigo em especial,
intitulado “Comentários sobre as ideias de Wylie”. O artigo é datado de
setembro de 1944, inicia-se ao final da página 114 e vai até a página 116 do
mencionado livro. Trata-se do depoimento de um escritor, e Bill diz que era
ator, também um ator conhecido. Wylie se livrou do álcool por conta própria,
contando com a ajuda de Carl Gustav Jung. Como não precisou de A.A., o feito
incomodou Bill, levando-o a exasperar-se. Em seu enunciado, com destaque, se
lê: “Em um artigo intitulado ‘Philip Wylie Espeta uma Agulhinha no
Convencimento’[1], o renomado autor diz que é um
alcoólico que ‘deixou de beber sem ajuda’. Em seguida, cita a psiquiatria e outros
recursos científicos como fatores que contribuíram para mantê-lo sóbrio. O que
segue é a resposta de Bill.” Antes de descrever o artigo de Bill, vamos
transcrever o texto assinado por Wylie, que deu origem à intempestiva
manifestação do cofundador de A.A., para se ter uma dimensão mais aproximada do
que realmente aconteceu.
Na verdade, Wylie foi convidado pelo editor da Revista Grapevine
para escrever um artigo que o encarregado da revista julgava ser de interesse
dos adeptos da irmandade. A tarefa foi aceita atenciosamente e elaborada de
maneira comedida, dotada de bom senso e tudo dentro dos padrões éticos
aceitáveis. No artigo não há nada que pudesse infligir quaisquer regras
literárias ou mesmo do relacionamento humano. Contudo, Bill se deixou ferir
pelas opiniões de Wylie, já que elas por si só não teriam conteúdo ou motivo
suficiente que pudesse magoar alguém. Feriram, sim, a vaidade e os interesses
egoísticos de Bill. Na visão externada dele, fica entendido que ninguém, a não
ser ele mesmo, teria autoridade para tratar do assunto. Nesta ocasião, mostra
mais uma vez que a tarefa de falar publicamente e ter opiniões sobre a
dependência de álcool seria monopólio seu e de A.A., ainda que tenha dito
diferente. Para Bill, Wylie foi longe demais, mesmo porque, além de ter
conseguido resolver seus problemas com o álcool pelos seus próprios meios,
ainda se achava no direito de emitir pareceres sobre o assunto. Sobre A.A., a
quem inclusive se referiu com respeito, Wylie conseguia passar uma ideia que as
pessoas poderiam receber de maneira positiva. Ao tomar conhecimento do texto de
Wylie, Bill se deu o direito de rechaçá-lo com muita ironia e autossuficiência,
na mesma edição da revista. Vale dizer que aqui, neste caso, que não aparece na
biografia autorizada de Bill, não há como dissimular os fatos, pois inexistem
biógrafos para enaltecer a “candura” de Bill e sua disposição para aceitar
críticas.
Quanto ao artigo de Wylie, publicado pela Grapevine, tivemos
acesso a ele pela internet, mediante pagamento de quatro dólares, com o débito
no cartão ficando em R$ 7,72, a crédito de GV INC (que deve ser o nome jurídico
da revista). Se se levar em conta que esse valor é aproximadamente o
equivalente ao preço das melhores revistas periódicas brasileiras de
informação, cultura e entretenimento, podemos dizer que o valor pago ao
Empreendimento A.A. foi extorsivo. Pagamos este valor só para ter acesso a um
único artigo. Aliás, eles não disponibilizam apenas uma consulta; cobram por um
período mínimo de um mês, para justificar assim o valor exorbitante. Cobranças
essas injustificadas, se forem levadas em conta as alegações de que tudo isso é
importante para acudir os dependentes de álcool que sofrem. A.A. possui rendas
além do justificável e suficiente, e vender o acesso à revista é apenas mais uma
maneira de vender o 12º Passo e de atender aos objetivos reais de faturamento da
entidade e seus beneficiários. Pagamos à matriz americana, já que as filiais
brasileiras de A.A. não disponibiliza o material, cujo título original é
“Philip Wylie Jabs a Little Needle Into Complacency”. O artigo foi gentilmente
traduzido pelo professor de Literatura de Língua Inglesa, Luís André
Nepomuceno. A livre tradução é a que segue:
Um editor do Grapevine me chamou e me pediu que escrevesse um artigo.
Pediu-me porque eu tinha recentemente feito a crítica de um livro sobre alcoolismo,
de Charles Jackson, chamado O final de semana perdido. Havia ele pensado
que o que eu tinha dito na crítica mostrava que eu revelava interesse por
alcoólatras. Eu tenho. O editor não sabia que eu sou um deles. Parei de beber
sozinho, e quero com isso dizer que estive sem um grupo organizado como o A.A.
para me aconselhar. Mas eu tive muita assistência e conselhos de pessoas
experientes no assunto, e que curiosamente se identificam muito com o que sei
sobre o A.A. Para chegar a ponto de dizer que parei de beber ou que não bebo há
muito tempo, levou anos. Precisei de uma energia inimaginável. E isso me deixou
com algumas ideias que eu gostaria de passar adiante, e ainda com algumas
suspeitas que eu gostaria de levantar.
As coisas que eu fiz são talvez as coisas que muitas outras pessoas
fizeram. Fiz psicoterapia duas vezes. Depois eu mesmo estudei psicologia -
junguiana, freudiana, adleriana, behaviourista. Depois li os livros básicos de
religião. Depois ainda, filosofia. Por fim, entrei num asilo de loucos,
observei-os, e aqui estão algumas ideias que me ocorreram. Uma das razões que
dei a mim mesmo para beber foi que eu podia facilmente fazer algumas coisas que
eu não faria e que outros homens sóbrios podiam fazer. Eu então comecei a fazer
as coisas sobriamente. Fiz sobriamente tudo o que eu fazia quando estava
bêbado, com exceção de algumas coisas que me traziam problemas. E isso me foi
extremamente útil.
Eu tinha crises de ansiedade que não há palavras para descrever, embora
a descrição de Charles Jackson tenha chegado mais perto do que a de qualquer
outro escritor. Cada medo, cada fobia, cada compulsão que estava na minha
cabeça, e isto não era apenas quando eu estava de ressaca. Então eu peguei o
hábito de pôr no papel (sugestão do psiquiatra) descrevendo em detalhes a
natureza deste terrível sentimento de aflição. Talvez o fato de eu ser escritor
deu a este sistema um mérito especial. Mas descobri que eu não podia acabar com
esta horrível obsessão – sentado confortavelmente num quarto tranquilo. No
papel, sentia que as coisas não eram tão imensas e opressivas. Tornavam-se uma
bobagem. E me fizeram rir de mim mesmo e ganhar confiança.
O próprio Dr. Jung sugeriu que eu observasse alguns asilos. Não entendi
por quê, antes de fazer visita a um deles. Ficou claro para mim que meus
companheiros definitivamente não eram iguais a mim. Logo eu descobri que meu
alcoolismo não era o desencadeador da insanidade, e eu tinha medo precisamente
disso.
Os junguianos por acaso dão um nome diferente para a “experiência
religiosa” que vocês discutem no A.A. Eles chegam a esta experiência por outros
métodos – métodos
que estão em conformidade com a técnica científica e psicológica deles. Eles
chamam de “símbolo transcendente” a fração espiritual que gera a própria
experiência. Naturalmente não tenho como descrever aqui este método – eu
precisaria de um livro para falar sobre isso. Mas não importa se você chama
isso de experiência religiosa ou de um símbolo transcendental, e talvez seja do
interesse de alcoólatras (que apenas em parte estão envolvidos em objetar
contra religiões formais e institucionalizadas) entender que há caminhos
totalmente abstratos e não-religiosos para esse mesmo contato humano e
universal, com a integridade interior, verdade e a própria natureza em si.
(assinado no original: Philip Wylie).
A resposta de Bill segue adiante. Vamos transcrevê-la, e inserir nossas
observações – em itálico e entre colchetes – sempre que considerarmos
importantes fazê-lo:
O artigo de Philip Wylie publicado neste número da Grapevine
granjeia a simpatia de cada um de nós AAs. Por quê? Porque ele é tipicamente
alcoólico. [Bill está ironizando o autor, usando o termo “tipicamente
alcoólico”, num sentido pejorativo, para dizer que se trata de coisa de bêbado
– e é mais um daqueles preconceitos de Bill contra os ex-dependentes que já
denunciamos]. Além disso, ninguém alcança, nem de longe, o espírito
generoso e de autossacrifício do autor. Esquecendo sua própria importância
mundana, expressa o pouco que lhe importa a opinião do público; arrisca sua
reputação para compartilhar conosco o seu caráter. [Aqui Bill não só está
ironizando Wylie, dizendo que ele foi generoso e se sacrificou, expondo-se como
um mundano[1],
como também o está difamando, ao dizer que, confessando sua dependência de
álcool, ele estaria mostrando seu caráter, num sentido negativo, pois que está
associando a dependência como se fosse um defeito moral do artista. Como
viajante solitário que logrou sair tateando pela obscuridade, nos conta como
descobriu seu refúgio. Não poderíamos esperar alguém de ânimo mais robusto. O
Sr. Wylie pode se tornar um membro de A.A. no dia em que quiser. [O feito de
parar de beber, sem precisar de A.A, irrita Bill, que taxa o fato como sendo
“tateando no escuro”, já que A.A. seria a única luz. Bill também diz que o
espírito forte e a voluntariedade do protagonista o colocam como digno de ser
membro da Irmandade Anônima].
É tradição entre nós que o indivíduo tenha direito incondicional de ter
a sua própria opinião sobre qualquer assunto que se possa imaginar. Não está
obrigado a estar de acordo com ninguém; pode estar em desacordo com todos, se
assim o desejar. E de fato, ao encontrar-se numa “bebedeira seca”, muitos AAs
ficam assim. [Se a constituição americana dá direito de livre expressão ao
indivíduo, por que Bill não o deixou estar para lá com as ideias dele? Não
teria Wylie a volição ou o direito de discorrer sobre o álcool e sua liberdade
de expressão? Ao mesmo tempo em que diz que o outro tem o direito de se
manifestar, Bill mostra que isso o incomoda, e muito, e que por Wylie agir
independentemente e dar sua opinião naturalmente, isso justificaria Bill dizer
que ele estaria contra as ideias de todos? O “todos” aí significa a pretensão
da ideia totalitária de que o tema da dependência de álcool circundaria apenas
o Bill e o A.A. Desta maneira, quem emitisse opinião que não fosse aceita por
Bill e pela irmandade estaria em desacordo com todos. Segundo essa lógica, Bill
e A.A. seriam donos da verdade, mas ele só estaria de acordo com todos se a
conquista da sobriedade fosse através de A.A. E por isso compara-o com os AAs
que agem como se estivessem bêbados (talvez a expressão fosse muito mais
apropriada para ele mesmo, o Bill, ao reagir incontrolavelmente diante da
vitória e da ideias do outro)]. Portanto nenhum AA tem por que se sentir
desconcertado se não pode estar completamente de acordo com o verdadeiramente
estimulante discurso do Sr. Wylie. [Ao mesmo tempo que prepara os membros de
AA (numa espécie de lavagem cerebral) para discursos que não estejam afinados
com os dogmas da irmandade, dizendo para não se sentirem desconcertados com
isso, Bill continua martelando ironicamente o seu desafeto quanto ao seu
discurso. Depois, para desfazer o incomodante discurso, ele dissimula,
embolando as palavras de forma ambígua]: É mais valioso refletirmos sobre a
diversidade de caminhos que há para a recuperação; que qualquer história ou
teoria de recuperação elaborada por alguém que já tenha andado o caminho
provavelmente terá muito de verdade. [E continua a ironia...] O artigo
do Sr. Wylie é como uma fartura de fruta seca. Talvez devêssemos seguir o
conselho da dona de casa que diz: “Comamos o que pudermos comer, guardemos o
que não pudermos”.
[Ao continuar, Bill chega a um ponto crucial de seu artigo]: O
que mais me chamou a atenção foi a referência quanto à experiência espiritual
“ao estilo de Jung”, aparentemente, produzida “por uma técnica científica
psicológica”. Que benção seria isso para nós, que a cada dia tivéssemos que
lutar com o principiante agnóstico! Se pudéssemos apenas dar-lhe uma boa dose
desse “símbolo transcendental” e, assim, pôr fim ao assunto. Não teríamos que
nos ocupar desse assunto tão cansativo de esperar que nosso candidato chegue
aos tropeções a ter a suficiente amplitude de mente para aceitar a
possibilidade de um Poder Superior a ele mesmo. [Aí Bill demonstra
categoricamente que não conhecia a técnica nem os conceitos teóricos de Jung
naquela época – nove anos após a fundação de A.A. aqui cabalmente ele prova que
tudo foi forçado, inventado, forjado; enfim que foi uma farsa o que em 1961 ele
disse ter se tornado “uma das bases de A.A”, e que ele sarcasticamente chama de
“a experiência espiritual ao estilo Jung”. Essa frase dita em tom de deboche
mostra que, em 1944, Bill não conhecia e desdenhava a teoria de Jung, mas
quando a teoria de Jung ganhou fama, Bill a atraiu para o A.A. como quem puxa a
brasa para sua sardinha, e acima de tudo, retrocedeu no tempo dizendo que ela,
a partir de Rowland, em 1930, passou a ser uma das bases da irmandade. Bill
debocha da experiência espiritual à moda de Jung, afirmando que, se ela tivesse
validade, seria muito fácil, pois, em vez de lutar com o principiante ateu,
bastaria empurrar-lhe goela abaixo alguma coisa pronta, que seria a dose
transcendental. Feito isso, o A.A. não precisaria se desdobrar ao renhir com o
dependente agnóstico para abrir-lhe a cabeça e enfiar lá dentro o Poder
Superior – trocando em miúdos, fazer a lavagem cerebral no candidato]. [Aqui
fazemos uma pergunta que talvez o leitor já tenha feito: E onde está o programa
que é para agnósticos também, já que eles (A.A.) têm que lutar com o agnóstico
para enfiar em sua cabeça o deus de Bill?].
Não obstante, como o Sr. Wylie comenta generosamente, não é muito
importante como se produz a experiência espiritual transformadora, desde que o
indivíduo experimente uma que lhe dê resultados. [Nesse ponto Bill contradiz
não só a ideia apropriada posteriormente a Jung, como também se contradiz com o
outro pé do tripé (também forjado) de sustentação de A.A., que é a validade do
pragmatismo de William James[1]. Pois James teorizava
exatamente isto: a religião intuitiva individual, livremente buscada por cada
um. Para James, a religião individual seria mais importante que a própria
religião institucionalizada. Se funcionasse para o indivíduo, não importava
como ela fosse concebida. Ao dizer com desdém do indivíduo que experimenta uma
que lhe dê resultado, critica a religião pragmática de James, e ainda que ela
dê resultado para o indivíduo, isso não tem nenhum valor para Bill, pois ela
não foi conseguida de acordo com sua cartilha. Sobre essa cartilha, Bill deixa
transparecer que só ele conhecia seus mistérios, como se fosse uma procuração
que Deus lhe passara. Desta maneira, de um só golpe ele faz um juízo
depreciativo e mordaz daquilo que ele mesmo atestou serem os dois pilares de
A.A., exatamente aqueles que alegou ter buscado em Jung e James]. É
necessário que o alcoólico, de alguma forma, ganhe suficiente objetividade a
respeito de si mesmo para apaziguar seus temores e derrubar seu falso orgulho.
Se ele pode fazer tudo isto mediante seu intelecto e, a partir daí, apoiar a
estrutura de sua vida em um “símbolo transcendental”, melhor para ele! Mas para
a maioria dos alcoólicos, esse plano de vida lhes pareceria pouco adequado.[1] Considerariam a simples
humildade e fé no poder de Deus um remédio muito mais forte. O A.A. recorre,
sem vacilar, à emoção e à fé, mesmo que o intelectual científico evite esses
recursos, tanto quanto possa. No entanto, as técnicas mais intelectuais, de vez
em quando, dão resultados, visto que estão ao alcance daqueles que não podem
tomar uma dose mais forte. [Agora Bill sugere que a atitude do ator é um
falso orgulho que precisa ser eliminado, e que não vê como válido o indivíduo
apoiar-se na sua própria razão e nos conhecimentos científicos para sustentar-se.
Bill esquece que os seus próprios métodos vinham exatamente de técnicas
pseudocientífica. Segundo Bill, mesmo que a técnica experimentada por Wylie
funcionasse, seria de maneira superficial, já que isto é para aqueles que não
comportam algo bem mais eficaz e maior, disponível apenas para os eleitos de
A.A. – antes, desdenhou do símbolo transcendental de Jung, esquecendo-se que
ele mesmo criara o símbolo transcendental chamado Poder Superior]. Ademais,
quando nos sentimos demasiado orgulhosos de nossos próprios ganhos, isso nos
lembra que o A.A. não tem o monopólio de resgatar os alcoólicos. [Bill nesta
penúltima frase, insinua que embora A.A. seja a excelência no assunto, o que
muito orgulha toda a comunidade interna, a irmandade não tem como tornar-se
única, e por isso deve ter complacência com outros meros e pretensiosos
métodos, embora demonstre indisfarçavelmente que isso é para ela muito
incomodante e também bastante irritante].
De fato, é evidente que o mundo científico vai tendo cada vez mais apreço
por nossos métodos, mais do que nós temos pelos deles. Neste sentido, estão
começando a nos dar lições de humildade. [Ao final do parágrafo, Bill faz
por onde diminuir a ciência que favoreceu a recuperação de Wylie (e a sua
própria), pois que, ela mesma, a ciência, na sua delirante presunção, está se
rendendo humildemente ao A.A. Deixa nítido que A.A. devota à ciência cada vez
menos consideração – a pretensão de A.A. de estar acima da ciência sobrevive
até os dias atuais, porque não muda seus pressupostos, ainda que seus métodos
fiquem cada vez mais obsoletos e a ciência continue a evoluir a passos largos].
[Por fim, para atirar uma farpa em Wylie, Bill termina citando o Dr.
Harry Tiebout, que enalteceu o trabalho religioso do A.A. em detrimento das técnicas
psiquiátricas, e sua última frase dá o tom dessa declaração, ainda que ela
queira insinuar um efeito inverso, paradoxalmente, como o foi para ele, que se
tornou onipotente com sua pseudoexperiência espiritual]: “Uma experiência
espiritual ou religiosa é o ato de abandonar nossa própria onipotência”
(sic).
Outro aspecto muito interessante trazido à tona nesse episódio é como
Bill se deixava enrolar por seus interesses (reais) não revelados, tnteresses
esses que mudavam de acordo com as circunstâncias. Nesse caso, acabou mostrando
como a incoerência gerou outras incoerências. Quando Bill quis persuadir os AAs
a usarem LSD, em 1956, argumentou que “tudo o que possa ajudar alcoólicos é bom
e não deve ser descartado. Era preciso explorar técnicas que ajudassem homens e
mulheres, que não se adaptassem a A.A. ou a um outro caminho, a se recuperar”.
Mas nessa ocasião, tanto os achados de Wylie quanto os de Jung, além de não
serem aceitos, seriam desprezíveis. Já naquela outra ocasião, a LSD não só
seria plenamente aceitável, como até teria recompensas divinas pelo seu uso,
como ele afirmou categoricamente. Enfim, se fosse para o interesse de Bill, o
demoníaco se tornava divino, e vice versa. O que fosse bom para os outros, mas
não o fosse para Bill, era abjeto. Incongruências e incoerências.
Voltando ao texto de Bill, num dos trechos que consideramos ser ponto
importante do seu artigo, ele afirma que o que mais lhe chamou a atenção foi a
referência quanto à experiência espiritual “ao estilo Jung” e à “técnica científica”.
Bill colocou os termos jocosamente entre aspas e passou a criticar bem ao seu
estilo, com ingredientes irônicos e depreciativos. A técnica ao estilo Jung, de
caráter científico, não merecia crédito, mesmo porque para ele, o mundo
científico cada vez se dobra em reconhecimento ao A.A., e este não reconhece o
valor da ciência. Esse enaltecimento dos dogmas A.A. e desprezo pela ciência
foi outro ponto marcante que Bill introjetou na irmandade que perdura até os
dias atuais[1]: seus ensinamentos divinizantes
em detrimento do conhecimento científico.
O mais impressionante de tudo isso é que aqui ele está criticando
mordazmente um dos pés do tripé do A.A., uma de suas sustentações, um dos
preceitos fundamentais, nas suas próprias palavras. Pois foi ele quem disse
para o mundo, através da carta de próprio punho a Jung,[1] datada de 23/01/1961, que
mencionamos aqui anteriormente: esta carta, segundo a biografia, era a
formalização da gratidão de Bill àqueles que ele considerava responsáveis pela
criação da Irmandade A.A. E no primeiro lugar da lista estava Carl Gustav Jung,
conforme já vimos. Num trecho da carta está escrito assim: “Esta sua posição
sincera e humilde foi, sem dúvida, a primeira pedra em que fundamentamos a
nossa Sociedade”.
As contradições aterradoras declaradas documentalmente, que aqui
expomos, mostram o que seja realmente a personalidade de Bill: quando escreveu
este artigo molestando o Sr. Wylie (setembro de 1944), publicado na Revista Grapevine,
Bill mostra indiscutivelmente que ignora por completo Jung e suas teorias
(possivelmente procurou se inteirar sobre Jung e suas teorias quando foi
escrever a carta). Jung representava um desafio ao A.A. Bill ignora também que
Rowland estivera com Jung, e que este mesmo Rowland no futuro seria considerado
o “mensageiro divino” que trouxe da Suíça de Jung a “pedra angular” que tornou possível
a edificação de A.A. (nove anos antes de escrever este artigo). Na carta enviada
a Carl Jung em 1961, Bill logo no primeiro parágrafo, informa ao seu missivista:
“com certeza ignora que uma conversa que manteve com um de seus pacientes, Mr.
Rowland, nos idos de 1930[1], tornou-se uma das regras
fundamentais da nossa Sociedade”, nos seus dizeres, a primeira pedra. Então
como é que em 1932, o que era uma regra fundamental e a primeira pedra da
construção de A.A. (que foi fundado em 1935) ele desconhecia e repudiava em
1944? Ele relatou a Jung o que não era verdade. Evitamos até aqui uma palavra
que poderia dar um sentido pessoal, ou mesmo não bem estabelecida dentro do
âmbito cientifico, mas não é impropério dizer que há nuances de cinismo nessas
edificações imaginárias. Puro imaginário intelectual.
Tal constatação corrobora nossas informações anteriores de que ele,
Bill, não conhecia Rowland, e que este não fora membro de A.A., e portanto, ele
não teria passado nada para Bill, passou sim para Ebby[1], e este para Bill. Mas Bill queria “forçar a barra”
e dar a entender a Jung (e para todos) que foi Rowland que lhe trouxera as boas
novas diretamente de Jung, possibilitando assim agregar ao A.A. parte do
patrimônio intelectual do psiquiatra. Desta forma, vinculou-se a irmandade de
A.A. às teorias de Jung, com o fito de dar-lhe maior credibilidade e publicidade[1],
já que naquela época Jung estava em evidência mundial. De
duas uma: 1) Jung teria caído na capciosa armadilha de Bill fragorosamente,
tanto é que na resposta a Bill, ele mostra isso logo de cara ao dizer: “O
diálogo que mantivemos, ele e eu, e que ele muito fielmente lhe transmitiu
[...]”. Aqui, no jogo de palavras sem nenhuma veracidade, já que o que Jung
disse a Rowland, segundo as palavras (presumidamente mais confiáveis) deste,
foram bem diferentes, uma vez que Jung não aceitou retomar o tratamento de
Rowland, que foi seu paciente. Além do mais ainda mandou Rowland procurar por
um milagre; ou 2) Jung teria aceitado o que Bill lhe disse, como sendo palavras
de Rowland, que teriam se originado do diálogo entre o médico e seu paciente.
Em outras palavras, Bill inventou uma mensagem de Jung que Rowland teria lhe
transmitido, e por sua vez, Jung disse que a mensagem (que ele não elaborou)
foi transmitida com fidelidade ao Bill – um mentiu envolvendo o outro, e o
envolvido disse que a mentira era uma verdade. Como poderemos colocar em dúvida
a conclusão de Noll sobre Jung, de que este falseava? E sobre Bill, é possível
não vê-lo materializado no mesmo adjetivo? Para bem definir essa dupla, caberia
aqui a expressão “a tampa e o balaio”, que em nossa região, significa que ambos
são da mesma feitura e complementaridade.
Nesse ponto de nossa narrativa, cabe salientar dois pontos importantes.
1) Quando Jung, desacreditando de Rowland pela sua derradeira recaída, lhe
comunicou que não aceitava a retomada do tratamento que ele pedia, aconselhou-o
a procurar uma religião. Bill reportou esse conselho com insinuante semântica:
“tornar-se o sujeito de uma genuína experiência espiritual ou religiosa [...]
Mas preveniu-o de que conquanto tais experiências tivessem acontecido a alguns
alcoólicos, elas eram comparativamente raras”[1].
O teor da frase que Bill usou para reportar o conselho dado por Jung não pode
ser confirmado, porque na resposta de Jung, este ressalvou assim: “A razão pela
qual não pude dizer tudo foi que naquela época eu tinha que ser cuidadoso com
tudo o que dizia. Eu havia descoberto que estava de todas as maneiras mal
interpretado”.
Nem sabemos se Jung realmente falou de experiência espiritual nos
termos que Bill reporta, pois as práticas da psicologia analítica que Jung
empregava em seus pacientes, e que já abordamos exaustivamente, eram bem
diferentes disto. Apenas o que fica claro é que Jung disse para Rowland - de
quem queria se ver livre – é que ele era um caso perdido e que deveria procurar
por um milagre. Na verdade, o que Rowland fez depois disso (e não se sabe a
quantas bebedeiras depois) foi o que muitos dependentes fazem ao chegar ao
fundo do poço: procurar uma religião para infrutiferamente resolverem seus
problemas da dependência. Tal procedimento quase sempre redunda em frustração,
uma vez que o sucesso nessas incursões é uma exceção à regra, como o foi no
caso dele, Rowland. Foi bem provavelmente assim que Rowland chegou até aos
Grupos Oxford, onde participava de uma equipe de abordagem a dependentes de
álcool. Como era amigo de Ebby, abordou-o e o levou para um dos Grupos Oxford.
Bill, por intermédio de Ebby, foi para um desses grupos também, e provavelmente
não era o grupo que Rowland frequentava, pois Bill nunca mencionou seu nome.
Não mencionou nem lhe dedicou uma única linha em seus escritos, o que certamente
deveria ter feito, se fosse verdadeira a participação de Rowland como
mensageiro de Jung, como Bill matreiramente quer deixar a entender. Só veio a
mencionar o nome deste personagem quando urdiu toda essa história e escreveu
para Jung. 2) Jung caiu ou se deixou cair na urdidura de Bill, pois ao aceitar
o jogo, possivelmente vendo aí uma oportunidade, tirou proveito do ensejo.
Aproveitou para não só salientar sua teoria “abraçada” por A.A., como também
para inventar a origem espiritual da doença e imiscuir-se em campo alheio aos
seus conhecimentos: a dependência de álcool. Desta forma, criaram mais um mito
(muito ao feitio dos dois) e se potencializaram em seus objetivos, objetivos
esses profundamente danosos para a humanidade, que só agora recentemente,
Richard Noll denuncia (pelo menos quanto a Jung), de forma brilhante e
inquestionável. No caso de Bill até constam muitas denúncias esparsas, como no
caso dos jornalistas Álvaro Opperman, que veremos nas próximas páginas, e de
Luiz Edmundo que veremos bem mais na frente, e ainda, as muitas denúncias do
site orange. Da mesma forma que Noll, estamos também denunciando um erro
histórico, que neste caso, foi perpetrado por Bill, useiro e vezeiro em induzir
a humanidade a engano.
Postado por
GREDA - Luiz Alberto Bahia
às
15:59
1 comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Assinar:
Postagens (Atom)