VISITANTES Greda - Grupo de Recuperandos da Dependência de Álcool / Luiz Alberto Bahia

quarta-feira, 24 de abril de 2013

                                                  OS DOZE PASSOS

Muito se fala nos 12 passos de Alcoólicos anônimos, contudo o grande público não sabe do que se trata, pois não os conhecem e nem tem ideia do que consiste a proposta. Seria realmente uma terapias ou se serviria para outros fins? Na verdade eles se redundam em uma grande polêmica, devido as grandes contradições que os cercam. Polêmicas criadas pelo próprio A.A. e pelo seu criador, o fundador da irmandade, de nome William Griffth Wilson, mais conhecido por Bill Wilson. A entidade tece intermináveis explicações para tentar convencer de que eles não são religiosos e nem doutrinários.  Quando alguém diz que são dogmáticos os adeptos da organização chegam a perder o controle e até se exasperam. Vamos descortinar ao público o que seja este autoproclamado “programa de recuperação” para dependentes de álcool. Antes, porém, vamos contar as circunstância em que foram concebidos e os objetivos que se pretendia com sua criação.

Primeiramente vamos explicar que quando A.A. começou e por um bom tempo depois, não havia este chamado “programa”, e a orientação que passavam aos membros, era de natureza científica, relativo ao conhecimento científico de se dispunham sobre a doença. Escassos mas empíricos. Bem diferente do que é hoje. E as razões para esta mudança, passamos a explicar:

Antes da fundação da irmandade, Bill ficou por seis meses procurando por iguais, para por em prática sua ideia de congregar os dependentes, mas não conseguiu convencer um único individuo sequer. Apareceu até um que se mostrou susceptível ao discurso de Bill, mas ele deixou bem claro que aquela história espiritual não o convencia. Foi aí que apareceu a pessoa do médico que o ajudava, que segundo a biografia de Bill, publicada pelo AA, aconteceu assim “Foi o Dr. Silkworth, que ajudou a colocar Bill no caminho certo: você estava pregando, disse o médico, e essa pregação estava afastando seus convertidos. Ele falava demais dos [...] e da sua própria experiência espiritual. Por que não falar sobre a doença do alcoolismo? Por que não falar aos alcoólicos sobre a doença que os condenava a ficarem loucos ou morrer, se continuassem a beber? ‘Vindo de outro alcoólico, um alcoólico falando com, talvez aquilo quebrasse aqueles egos’, disse Silkworth.” (Levar adiante, p. 143). Na verdade a tal experiência espiritual de Bill, que o médico e mesmo os outros que ingressaram na entidade, não acreditavam, é uma história muito mal contada. Ele queria fazer os outros acreditarem que teve uma experiência fantástica, em que viu Deus e o céu, e que tinha uma missão como Enviado Divino. Sobre isso, ele disse (resumindo) assim “Agradeci ao meu Deus, que me proporcionara um vislumbre do Seu Ser absoluto [...] eu não precisava me preocupar mais porque havia vislumbrado o grande além" (Levar adiante, p.131) O vislumbre de que ele fala, foi meramente alucinação, que ele já vinha sendo acometido por elas nas internações anteriores. Nesta quarta internação, quando “ele viu Deus”, além de delirium tremens, que provoca alucinações, ele foi medicado com Meimendro e Beladona, dois potentes alucinógenos, utilizados naquela época em estágios avançados de dependência de álcool. Tempos depois quando ele estava usando (por alguns anos) LSD, ele disse que a alucinação provocada pela droga foi espiritual, e mais, que foi igual a que sentiu quando viu Deus, registrada pelos seus biógrafos assim: “’ele próprio experimentou o LSD. E teve uma experiência completamente espiritual, tal como havia sido sua experiência inicial’”. (Levar adiante, p. 405)

E foi assim que Bill conseguiu fundar o AA., mas ele tinha planos não revelados, e seguindo o que programou, logo que a entidade se firmou, ele voltou as pregações anteriores, e abertamente ou sutilmente, alardeava sua condição messiânica, e criou os Doze Passos e as  Doze Tradições, para ajudar a doutrinar os incautos. Com tudo sob controle, inclusive de posse dos direitos autorais conseguido através de manobras condenáveis, estranhamente aos olhos de quem estuda a sua biografia, ele fez sua esposa Lois abandonar o emprego. Esta seria a única fonte de renda moralmente aceita deles, já que é sabido que também arrecadava dinheiro dos grupos de A.A. e também, por um bom tempo, arrancou uma mesada (em lugar dos milhões que pretendia) do Dr. Rokffeller.  deles, já que ele, desempregado, vivia às custas dela. Tudo se explica quando ele comprou uma bela casa e um carro Cadillac novinho em folhas, com o casal desempregado.

Quanto ao aspecto de se fazer passar por um iluminado, voltamos à concepção dos Doze Passos, e para isso recorremos novamente à biografia de Bill, em que se lê: “Bill pediu orientação assim que começou a escrever. E se descontraiu. As palavras começaram a rolar com surpreendente velocidade. A primeira versão dos Doze Passos foi concluída em meia hora” (Levar adiante, p. 216). Uma observação cabe aqui, pois parece a primeira vista, como querem deixar a entender, que estes passos foram concebidos à maneira mediúnica, só que, na página seguinte está registrado que “Os três primeiros Passos de Bill foram tirados de suas leituras de William James, dos ensinamentos de Sam Shoemaker e das lições dos Grupos Oxford.” (Levar adiante, p. 217).

É muito difícil para as pessoas hoje entenderem sobre a necessidade de dar uma conotação religiosa e espiritual, para que a população americana engolisse o engodo de Bill. Os que quiserem ter uma melhor compreensão, da importância do revestimento religioso/místico, é só fazer uma pesquisa sobre a situação religiosa americana naqueles tempos. Do tanto que eles estavam passíveis de aceitarem as mais absurdas doutrinas e estigmas religiosos. Pesquisem sobre os Calvinistas puritanos, que fundaram um movimento fanático, extremamente ortodoxo, exatamente na região onde Bill nasceu. Assim como Bill e o AA, os Calvinistas pregavam que seus adeptos deveriam ter uma experiência espiritual extraordinária, uma espécie de iluminação, uma visão mística que daria ao jovem convertido, a convicção de que ele era efetivamente um puritano. E para isso Bill esta cartilha que chamou de “um grupo de princípios espirituais que se praticados como um modo de vida” (Os doze passos, p. 9) Embora os AAs não aceitem que sejam dogmáticos ou religiosos, onde e quando, uma cartilha, nestes termos, não o sejam?

No caso de Bill, as artimanhas para se fazer passar por um iluminado, é tão extensa que, infelizmente não é oportuno cita-las aqui. Mas saibam que ele se dizia, sensitivo, médium, clarividente, teosófico e que se comunicava com ordens superiores celestiais. E Está lá na sua biografia: “Um dos persistentes fascínios e envolvimentos de Bill foram os fenômenos psíquicos”. Sua crença na clarividência e outras manifestações extrassensoriais [...]” (Levar adiante, p. 301). Sobre isto, o jornalista Luiz Edmundo escreveu: “A megalomania e culto da personalidade, tentando se mistificar, criando para si uma imagem de enviado ou porta voz de Deus”.

Em uma passagem, que Bill avoca privilégios divinos, quando declara que ele não teria que se sujeitar a fazer os passos, também fica notório que estes passos se destinavam à (consumo de) meros mortais. É isto mesmo, Bill nunca se submeteu aos ditos, imprescindíveis e fundamentais 12 Passos. Ficava entre a indignação com Deus e remoendo sentimento de culpa por isso: “Eu era dominado pela culpa em relação a isso. Perguntava-me, considerando todas as vantagens que tinha, se deveria estar sujeito a essa espécie de coisa. Em outras ocasiões, me culpava pela incapacidade de praticar o programa em certas áreas da minha vida” (Levar adiante, p. 325)

E quando relatamos em debates as “espertezas” de Bill, logo nos atacam dizendo que estamos denegrindo a imagem dele, sempre frisam, lembrado que ele fora “um grande altruísta” que só pensava nos seus semelhantes. Fica parecendo que sou eu o espertalhão, mas apenas reporto, citando as fontes, principalmente do próprio A.A., o que ele fez e quem ele era realmente. Inclusive há o caso muito sugestivo, enumerado abaixo, envolvendo Chessman, em que o próprio Bill se autodenuncia. E quando digo nestes debates (como abaixo, com o Senhor Caio) que a maioria destas coisas que digo sobre ele, tirei da própria literatura de A.A., dou-lhes uma pequena prova disto:


1 – O repórter do Post, Jack Alexander, que acabou se tornando um Custódio de A.A. e amigo de Bill, antes, quando foi investigar o A.A,, chegou a seguinte conclusão, estampadas na sua biografia: “É um tipo que desarma qualquer um e é especialista em doutrinar, usando a psicologia, a psiquiatria, a fisiologia, a farmacologia e o folclore do alcoolismo”. “A percepção inicial de Alexander era correta: Bill era cândido, mas sua candura nada tinha de ingenuidade ou de estupidez; era proposital e atingia seus objetivos.” (Levar adiante, p. 269 e 270).

2 – Russ o amigo de Bill, que chegou a morar com ele por um ano foi lembrado na biografia assim “’Naqueles dias, os argumentos de Bill nem sempre se sustentavam. Ele tinha um ego imenso. A maioria de nós era egoísta, mas ele o era tão tenazmente que, se desejasse alguma coisa, essa coisa virava verdade. Bill começava pela conclusão. [...] Ele partia de uma premissa falsa e seguia passo a passo um raciocínio lógico até chegar a conclusão da qual partira’. ‘Embora fosse muito mais esperto do que a maioria das pessoas. Russ afirmava que ele ‘ficava perdido’ quando queria algo intensamente, tornando-se disposto a ‘desviar um pouco as coisas’” (Levar adiante, p. 180-181).

3 – Quando Bill se apossou das ações da Works Publishing, passando para trás seu sócio e outros acionistas (membros do A.A.), foi dito: “...Os rumores sobre o escritório de Nova York e a negociata suja que Bill estava promovendo, desencadeada por Hank [o sócio], durante sua visita, nunca haviam se encerrado completamente, e agora o fogo voltava a pegar, com incrível força. [...]vários membros de Cleveland queriam se separar e romper todo o contato com o ramo de A.A. de Bill...” (Levar adiante, p.280)

4 – Bill trocou cartas com o lendário Caryl Chessman, o “Bandido da Luz Vermelha” condenado e executado à morte. Se comparou a ele com as seguintes palavras “Estou certo de que minha identificação com você – no sentido da inferioridade na infância, da geração da revolta, da implacável necessidade de algum tipo de poder e notoriedade – é bastante completa. Isso apesar do fato da minha perseguição dessa meta ter assumido, exceto quanto ao álcool, um caminho aparentemente respeitável. Quanto a deformação subjacente ter sido idêntica, não tenho a mínima dúvida.” (Levar adiante, p. 399).

5 – Quando quis vender os conhecimentos que adquiriu no próprio A.A., seus pares reagiram à altura: “Não percebe que para você, nosso líder, receber dinheiro para levar adiante nossa magnífica mensagem, enquanto o restante de nós tenta fazer a mesma coisa sem receber nada [...] Por que nós deveríamos fazer de graça aquilo pelo qual você seria pago?” (Levar adiante, p. 191 e 192)

Por fim, fazemos mais duas observações sobre estes passos. O primeiro é que quando foram apresentados por Bill aos demais membros de A.A., eles questionaram sobre a sua serventia, e também o excessivo apelo religioso, conforme poderá ser constatado em outro livro escrito por Bill: “Por que Doze Passos? ‘Você colocou muito Deus nesses passos; desse jeito vai espantar pessoas’ ‘O que significa fazer os bêbados se ajoelharem para pedir que sejam removidas suas imperfeições?” (A.A. atinge a maioridade, p. 140). Assim Bill fez algumas mudanças, definindo-as como “concessões feitas àqueles que tinham pouca ou nenhuma fé” e classificando-as como “a grande contribuição dos nossos ateus e agnósticos. Eles haviam alargado nosso portal, de forma que todos os sofredores pudessem atravessá-lo, independentemente de sua crença ou descrença””. Mas as ponderações de Bill não passaram de retórica, uma vez que posteriormente atacou-os ao se referir “para certos ingressantes e para aqueles antigos agnósticos” e no livro Os Doze Passos, foi bem mais intolerante com os agnósticos e ateus, quando expondo o Segundo Passo. Está escrito no primeiro parágrafo, quando Bill fala dos que não acreditam em Deus e do Poder Superior: “Olhemos primeiro o caso daquele que diz que se recusa a acreditar – o caso do beligerante. Encontra-se num estado de espirito que só se poderia denominar de selvagem” (Os doze passos, p. 17). Pode reler que é isto mesmo, para Bill o ateu e agnóstico são tidos como um beligerante e um selvagem, alguém que está em guerra, um belicoso, um ser sem cultura, das selvas. E assim a literatura de A.A. está repleta destas situações criadas por Bill. O que em uma determinada hora é motivo para ele enaltecer, em outro momento, a mesma coisa ele ataca cruelmente, como no caso em que ele atacou a ciência e Jung, e depois disse que, aquilo que atacou, foi uma das bases para fundação do A.A. Fatos como estes, de contradições (engendradas matreiramente só para obter uma vantagem de momento – assim como os mal intencionados políticos) de Bill e do A.A. eu retrato às dezenas em meu livro. Mas o que eu considero mais grave, é a estigmatização que fazem de “todos” dependentes de álcool, chamando-os por termos pejorativos, dizendo que a causa da doença é devido aos seus defeitos de caráter e a sua condição de pecador, e por isso é instado a fazer o Quarto Passo.

Quando argumentamos da ineficácia dos passos, quase sempre nos dizem que ninguém é obrigado a se submeter a eles, que os passos são apenas sugeridos. Contudo, em um artigo da revista Vivencia, órgão de comunicação de A.A., cujo título é “Porque pratico os Doze Passos”, diz o seguinte: “Durante algum tempo resisti à ideia de praticar os 12 Passos, afinal eles são sugeridos [...] Logicamente as promessas de A.A. não se realizaram, pois somente se realizam quando tomadas as medidas certas. Nada colhi de bom, pelo contrário, tive uma ideia distorcida da irmandade e de seu programa de recuperação. [...] da reflexão que diz que os passos são sugeridos como se sugere a alguém que vai saltar de pára-quedas que puxe a cordinha”. (Vivencia, edição 112, p. 54)

Diante do exposto apresentamos os enunciados dos Doze Passos para a devida apreciação dos interessados. Para nós, com a exceção do 1º passo, todos os demais são religiosos/moralistas, preconceituosos e estigmatizantes. Analisem e vejam se há a mínima possibilidade da proposta de se comprovar cientificamente, como disseram, que eles são eficazes como tratamento, para dependentes de álcool. Aliás, vejam se esta cartilha moralista é cabível como terapia.



                                                                     OS DOZE PASSOS


1º - “Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”.

2º - “Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.”

3º - “Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.”

4º - “Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.”

5º - “Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.”

6º - “Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.”

7º - “Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.”

8º - “Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.”

9º - “Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.”

10º - “Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.”

11º - “Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contado consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.”

12º - “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”


Assim que nos seja possível postaremos aqui neste blogue o capitulo de meu livro, “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, intitulado “Os doze passos comentados”.


sexta-feira, 29 de março de 2013

Stanislau Grof e Timoth Leary

O psiquiatra Stanislau Grof postula teorias estapafúrdicas como as de Timoth Leary. O psiquiatra arranjou uma legião de seguidores,  ao criar uma pseudo ciência. Afirmou ele (tem vídeo na Net) que após ingerir LSD, viu o Big-Bang e se tornou o "todo" - e é bom explicar que, para os místicos, o todo significa Deus. E ainda aparece gente para me criticar mordazmente, sobre um comentário (vide abaixo) que postei em um debate sobre o vídeo.
O comentário que fiz foi este:  "Eis aí mais um que abastece a humanidade em sua insaciável sede de crença. Um psiquiatra que não sabe a diferença entre alucinação e espiritualidade. Incrível como ele desconhece que nas alucinações, emerge a (própria) bagagem psíquica de quem alucina. Quer que todos acreditem que ele realmente presenciou o "Big Bang". Neste caso nem vale mais o termo "enteógeno" que para os usuários de drogas significa "ter Deus dentro de si", pois ele é o próprio Deus. Haja paciência."

Incrível como tem pessoas, incapazes de analizar os fatos ou até mesmo fazer simples pesquisas, que não só aceitam, mas defende e divulgam teorias e crenças tresloucadas, sem um mínimo de plausividade. A sede pelo mágico as cegam completamente. Grof nem está sendo original, pois outros loucos fundaram seitas e religiões sob a mesma égide. Ao ingerir drogas alucinógenas, sairam gritando que viram Deus, como é o Caso do farsante Bill Wilson, fundador de A.A., que tratamos aqui exaustivamente. Para mostrar como foi o caso do Leary, citamos abaixo as páginas 168-171 de meu livro “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”:

Tudo começou quando Leary era professor em Harvard e experimentou cogumelos que continham a psilocibina, também conhecidos por cogumelos psicodélicos.
Impressionado com as sensações que lhe provocaram os cogumelos, resolveu com o colega da universidade, Richard Alpert, fazer um estudo com as chamadas drogas psicodélicas. Eles acreditavam que poderiam tratar de doenças mentais e alterar profundamente a visão de quem fizesse uso dessas drogas. Leary passou a indicar a LSD aos alunos da universidade e realizou com eles sessões de uso. Todo esse envolvimento com alunos, drogas e religião acabou por levar o professor a ser demitido de Harvard.
Leary escreveu alguns livros sobre sua teoria, que alardeava sobre como as drogas psicodélicas podiam expandir a percepção interior e exterior, ou ainda, a expansão da consciência. Pode-se encontrar livros disponíveis pela internet, como A Experiência Psicodélica Um Manual Baseado no Livro Tibetano dos Mortos, e a biografia de Leary, intitulada Flashbacks LSD: A Experiência que Abalou o Sistema.
Existem ainda muitos artigos sobre esse controvertido personagem. Pelo que Leary declarou, ele deduzia que a nossa realidade era produto da educação que nós recebíamos e que éramos prisioneiros de nossas próprias circunstâncias. Já sobre as drogas psicodélicas, dizia que sob os efeitos delas, libertávamos dessas amarras e o nosso eu interior se expandia, levando-nos a outras esferas de compreensão. Nossa consciência se expandia a outras dimensões e podíamos assim nos harmonizar com divindades, ou outros círculos espirituais superiores, em que nossa consciência alargava-se infinitamente. Sustentava outros pensamentos congêneres.
Contudo, está claro que os estados de euforia, o êxtase, a alucinação provocada pelas drogas não foram bem compreendidos pelo visionário professor, que levou esses estados alterados de consciência para o lado espiritual. Como dissemos no capítulo anterior, sobre quando Bill atribuiu ao LSD uma autêntica experiência espiritual, as alucinações (quanto ao teor) desencadeadas pela LSD dependem do estado mental do indivíduo, quando se administra essa droga. O estado mental a que nos referimos não é apenas o estado de espírito ou emocional momentâneo, mas também da sua própria estrutura cerebral congênita.
A personalidade do individuo também determina o tipo de alucinação que vivenciará.
Os estados emocionais provocados por eventos, ou mesmo pelas anomalias oriundas de doenças psiquiátricas também definem determinantemente o tipo de experiência a ser vivida pelo usuário. As drogas fazem emergir do inconsciente esses estados emocionais, transitórios ou latentes. Não é possível alguém ter percepções e sensações sem que antes tenha havido registro correspondente no sistema neural desta pessoa. Assim, segundo essa disposição, produzem-se as viagens boas ou más (good trips ou bad trips). Vale também para essa questão, aquela mesma referência que fizemos em outra página, da bagagem cultural de quem alucina: é impossível alucinar com algo que não pertença ao mundo psíquico do paciente.
Assim, tudo aquilo, em termos de figuração, que Leary sentia, ao usar as drogas psicodélicas, já estava em seu inconsciente. Então, poder-se-ia mudar o rótulo de sua conceituação, da proclamada “expansão da consciência”, para: trazer até a consciência, ou fazer emergir à consciência, o psiquismo latente do seu inconsciente, ou simplesmente, alucinar com a bagagem de seu mundo psíquico. Ao sentir o êxtase ou as sensações que a droga proporcionou, Leary relacionou-as com espiritualidade e Deus. Uma única pergunta deixamos no ar: como é que ele poderia ter atribuído essas sensações ao mundo espiritual ou de Deus, já que era ateu até então?
Pensamos que, se não aceitou a razão científica da alucinação, e atribuiu essas sensações e percepções como sendo de ordem espiritual e divina, isso aconteceu sem uma razão plausível. Essa dedução bem provavelmente se deu por associação de ideias, pelo que ele ouvira falar de espiritualidade e de Deus, porque não poderia ser atribuído simplesmente aos efeitos da drogas, por si só, ou às concepções teológicas, já que não havia absolutamente nada que relacionasse uma coisa com a outra. Talvez na bagagem psíquica de que já falamos, no caso de Leary, comportasse fenômenos que em sua concepção estivessem associados ao mundo espiritual, e ao alucinar, isso emergiu para seu consciente objetivo. Entendemos até, pelo conhecimento que temos sobre drogas, que as sensações provocadas por estas, pelo menos quando são administradas inicialmente, são de intensa euforia. No caso da LSD, as percepções podem ser de euforia, de loucura ou de desespero. Enquanto a verdadeira espiritualidade (não observável em fanáticos), de que falam os teólogos iminentes, provoca no individuo uma sensação de paz interior, de serenidade e equilíbrio, que com toda convicção, nada tem de haver com euforia ou loucura que a LSD pode provocar. A euforia intensa ou os estados aleatórios provocados pelas drogas é uma sensação de sequestro da razão, em que o individuo perde o controle da moderação e do equilibro inclusive, sentindo que tudo pode, sem que se note o limite do permissível. Informações sobre esses efeitos ou sensações da LSD foram explicadas na época pelo descobridor da mesma, o químico Hoffman, que sempre a relacionou com o Sistema Nervoso Central, nunca com espiritualidade, misticismo ou religião. A droga LSD foi
muito difundida pelos Hipies, Beatniks, pelos cantores de Rock and Roll, por bandas musicais como os Rolling Stones e Beatles, e jovens transviados. As opiniões de Leary sobre as drogas, são absolutamente subjetivas e está diretamente relacionada à sua estrutura psíquica.
Para divulgar a LSD, inventaram até o famoso ônibus “Furthur”, que era um ônibus escolar, todo pintado com motivações à moda Hippie. Esse ônibus concebido por Ken Kesey83, um escritor que foi o maior apologista das drogas psicodélicas, foi utilizado por ele e seus companheiros, denominados “The Merry Pranksters” para viagens pelos Estados Unidos. Kesey saiu divulgado a LSD por todo o país, acreditando que, se todos usassem a droga, suas consciências se expandiriam e assim começariam uma grande revolução social. Um de seus lemas era: “Você pode passar no teste do ácido?”.
A proposta de Kesey era bem diferente dos ideais de Leary, que não comportava religiosidade e, sim, um movimento social político. Muitos acham mesmo que toda movimentação de Kesey era destituída de qualquer proposta objetiva de natureza político-social, o negócio dele era consumir e fazer apologia à droga. É oportuno dizer que muitos grupos, bandas musicais, cantores e artistas de todos os gêneros faziam essa apologia, por entender que o uso de drogas poderia conduzir as pessoas a um convívio mais socializante. Usando drogas, poderiam adotar uma postura de enfrentamento contra as guerras e pela igualdade, chamados na época de libertários, pacifista, contraculturais. Como já dissemos, o principal deles era o movimento hippie, que pregava a paz e o amor, pelo poder da flor, dito flower power. No auge destes movimentos, aconteceu o maior festival de música até hoje visto, o Woodstock84 que reuniu 500 mil pessoas, no embalo de música, sexo e drogas. Evidentemente que os engajados nessa onda tinham ideologia igual a de Leary. Certamente quem foi persuadido por Leary e se sentiu bem (pelo menos a principio), adorou a religião proposta por ele, mas aqueles que tiveram uma viagem má, certamente entenderam que toda aquela falácia não era coisa divina e, sim, coisa do capeta.
Poderíamos ainda aqui questionar, como é que ficaria, ou como ficou, a dita “espiritualidade”, depois de estabelecida a dependência (para as drogas que provocam dependência – o que não é o caso da LSD), e/ou depois que as drogas (todas, inclusive a LSD) provocaram lesões ou afetações psicóticas em seus usuários. Como é que seriam essas visões expandidas da consciência? O que se sabe é que estes movimentos e modismo da década de 60 levaram à tragédia muitos adeptos, inclusive expoentes artistas. Se fizesse uma lista desses artistas, certamente nela se encontrariam Elvis 83 Ken Kesey conheceu a LSD, quando foi voluntário num escandaloso estudo com essa droga feito pela Cia, o órgão espião americano. 84 O Woodstock Music & Art Fair foi realizado de 15 a 18 de agosto de 1969, numa  pequena cidade rural de Bethel, no estado de Nova York. O festival estava inicialmente programado para acontecer na cidade de Woodstock onde morava o músico  Bob Dylan, mas a população local não aceitou a realização do evento ali.
Elvis Presley, Jimi Hendrix, Marilyn Monroe, James Joplin, Jim Morrison, e tantos outros.
Aqui no Brasil o maior destaque ficou por conta de Elis Regina e, depois, com Raul Seixas. Por fim, poderíamos perguntar a quem não se convenceu com as exposições acima, se nos permitem o termo: seria a “espiritualidade química” igual à espiritualidade teorizada pelos teólogos e místicos que aqui citamos anteriormente?
Hoje o conhecimento sobre o funcionamento das drogas no Sistema Nervoso Central é relativamente bem conhecido. É conhecida a atuação das drogas como neurotransmissores ou como estimuladores destes nas sinapses. Já é conhecido até que estímulos nervosos positivos, como estados de inspiração divina dos religiosos,  podem estimular neuro transmissores e provocar sensações de euforia e êxtase. Há inclusive teses, como as de Carl Marx e Sigmund Freud, argumentando que, assim como nas drogas que podem causar dependência, as religiões que provocassem esse mesmo fenômeno, também poderiam ser classificadas como indutoras da dependência, e por analogia, como droga. Ainda que não fosse do conhecimento dessas duas celebridades, é sabido que não é apenas a droga química que produz a dependência.
Sabe-se também que as euforias, qualquer que seja a etiologia, depois que se vão, levam o individuo a estados depressivos. Se formos aceitar teses como a de Bill, de que drogas como a LSD provocam
“experiência completamente espiritual”, as pessoas poderiam coerentemente aceitar o seguinte silogismo: bocas-de-fumo podem ter tanta serventia quanto os templos, para o seu desenvolvimento espiritual, assim como também, seria aceitável se conceber que toda religião é uma droga.

Notas de Rodapé:
82 No capitulo “Dependência de Drogas e Religiões” discorremos um pouco mais sobre essa relação. 
83 Ken Kesey conheceu a LSD, quando foi voluntário num escandaloso estudo com
essa droga feito pela Cia, o órgão espião americano.
84 O Woodstock Music & Art Fair foi realizado de 15 a 18 de agosto de 1969, numa
pequena cidade rural de Bethel, no estado de Nova York. O festival estava inicialmente
programado para acontecer na cidade de Woodstock onde morava o músico
Bob Dylan, mas a população local não aceitou a realização do evento ali.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Apanhados (esparsos) do livro “O mito da doença espiritual na dependência de Álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, de minha autoria, sobre a origem do O mito da doença espiritual na dependência de álcool, produzida por William Griffith Wilson, mais conhecido por Bill W., cofundador de Alcoólicos Anônimos que difunde essa teoria infundada.


O pseudo despertar espiritual de Bill

“Em seu desespero e desamparo, Bill gritou: ‘Farei qualquer coisa, qualquer coisa que seja!’ Ele havia chegado ao ponto de total esvaziamento – um estado de rendição completa e absoluta[1]. Sem nenhuma fé ou esperança, ele gritou: ‘Se é que Deus existe, que Se revele!’
O que aconteceu em seguida foi eletrizante. ‘O quarto foi subitamente inundado por uma luz indescritivelmente branca’.” (Levar Adiante, p. 130 – as outras citações nesta páginas (entre aspas) também são do mesmo livro e página aqui indicado)
Bill relata que foi arrebatado por um êxtase impossível de ser descrito. Sentiu uma alegria que jamais sentira, seguida de uma inconsciência durante algum tempo. Este relato de Bill é exatamente igual a uma exacerbação de euforia, como nas alucinações. Seguindo sua narrativa, Bill diz que “então vi, com os olhos da mente (o grifo é nosso), que havia uma montanha. Eu me achava no cume da mesma, onde soprava um vento muito forte. Um vento feito, não de ar, mas sim de espírito. Forte e poderoso, o vento soprava diretamente através de mim.”
Conforme iremos discorrer mais adiante, inclusive fazendo as citações científicas de trabalhos realizados por especialistas, entendemos muito bem quando Bill fala em “ver com os olhos da mente”, quando ele fala que o vento é feito de espírito e não de ar, e ainda que o vento soprava diretamente através dele, pois na alucinação, a realidade alucinada é muito mais “viva”, muito mais intensa, muito mais empolgante e tem conotações de realidade muito maior que a própria realidade, que não precisa de contornos especiais para acontecer, ou seja, que não envolve busca. É o inconsciente que traz à tona o passado psíquico do indivíduo para se manifestar. Muitos relatos de adeptos de religiões e seitas que utilizam drogas alucinógenas em seus rituais, são parecidos com a narrativa de Bill. Veja que a montanha da infância (Montanha de nome Aeolos) de Bill foi uma representação psíquica muito importante para ele, pois ele sonhava ser grande igual a ela, e ela o acompanhou pela vida afora.



[1]       Pressupostos que segundo alguns teólogos são indispensáveis para que ocorra a experiência de conversão. Colocada aqui sugestivamente.



Por questão de limitação na criação de páginas, e de espaço, não foi possível publicar aqui todo o texto, mas o leitor poderá acessá-lo e completar a leitura. Para isto, basta ir até a página inicial do blogue e acessar à direita (sob o título Páginas), o primeiro item: Sumário do livro "O mito da doença espiritual...". Ao final do sumário será encontrado o restante do texto.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

DIÁLOGO MANTIDO COM UM EX-MEMBRO DE A.A. EM UM BLOGUE


  1. Ex-membro de AA Diz:
    10/01/2013 às 20:59
“Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo traz uma boa e uma má notícia para dependentes de álcool que decidiram apostar em grupos de autoajuda para livrar-se do vício. A boa notícia é que entre os dependentes que frequentam ao menos duas vezes por mês as reuniões dos Alcoólicos Anônimos (AA), o mais conhecido desses grupos e objeto da pesquisa da Unifesp, 45% conseguem ficar abstêmios por seis meses, período mínimo necessário para considerar o resultado do tratamento satisfatório. O problema é que menos de 19% dos que lá ingressam mantêm a assiduidade exigida – o que conduz à segunda notícia: as chances de uma pessoa conseguir parar de beber por meio do ingresso no AA são as mesmas de quem tenta fazer isso sem ajuda nenhuma. Em outras palavras: o AA, segundo o estudo da Unifesp, não funciona – ao menos não sozinho.
De acordo com o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Proad, o método dos Alcoólicos Anônimos é particularmente ineficaz para duas categorias de alcoólatras: os que têm dificuldade de falar em público, uma vez que a verbalização da doença está na base do tratamento da associação, e os que sofrem de algum tipo de problema psiquiátrico – caso de três em cada quatro dependentes de álcool, afirma ele. Na origem da segunda incompatibilidade está o fato de que, não tratado, o distúrbio psiquiátrico torna a abstinência um objetivo bem mais difícil de atingir. Tome-se o exemplo de alguém que sofre de depressão ou fobia social. Se ele estiver habituado a recorrer a um copo bem cheio para amenizar a intensidade da tristeza ou a dificuldade de se relacionar com as pessoas, terá mais problemas para livrar-se da bebida. O representante comercial Eduardo (nome fictício), de 40 anos, além do alcoolismo, sofria de depressão e transtorno obsessivo-compulsivo. Participou de cinco grupos de autoajuda e não conseguiu ficar mais do que alguns dias longe de um copo. Hoje em tratamento psiquiátrico, está há oito meses sem beber. “Identificar se algum transtorno levou o indivíduo à dependência é fundamental no tratamento do alcoolismo”, diz um dos autores do estudo do Proad, o psiquiatra Mauro Terra, do Centro de Estudos José de Barros Falcão.
O psicólogo americano William Richard Miller, professor aposentado de psicologia e psiquiatria da Universidade do Novo México, analisou uma série de pesquisas sobre a eficácia do AA, algumas apontando taxas de recuperação de até 81%. Chegou à conclusão de que muitas delas apresentavam resultados inflados, por causa de erros metodológicos. Em compensação, obteve um dado animador. Descobriu que a participação assídua em grupos de autoajuda faz crescer em até 10% a chance de abstinência no caso de um dependente de álcool que já esteja em tratamento psiquiátrico.
Para conduzirem o estudo, pesquisadores do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp acompanharam durante meio ano 257 dependentes de álcool que foram encaminhados ao AA. No fim desse período, apenas 49 haviam comparecido aos encontros pelo menos uma vez por mês. A “falta de identificação” com o método foi a resposta mais citada pelos desistentes, mas o “ambiente pesado” das reuniões, justificado pela recorrência de relatos considerados “depressivos”, também foi mencionado com frequência. A barwoman Renata (nome fictício), de 41 anos, dependente de álcool desde os 26, conta que não conseguiu ir a mais do que quatro encontros do AA. “Minha vontade de beber, em vez de diminuir, aumentava com as sessões”, diz ela. “As pessoas só falavam em álcool durante uma hora e as histórias eram sempre tristes. Um dia, saí de lá e fui direto para o bar”, conta. A incapacidade de reter os frequentadores é o principal problema do AA, segundo o estudo do Proad, mas não é o único.”
Texto extraído da matéria: “É preciso dar mais do que doze passos” REVISTA VEJA Edição 2143 / 16 de dezembro de 2009
  1. Ex-membro de AA Diz:
    10/01/2013 às 21:40
“O importante no universo dos tratamentos de dependência química é baixar a autoestima do escravo para que ele não tente pensar sozinho, se administrar, ou seja, queira fugir dos seus “senhores”, sejam eles os terapeutas ou as próprias terapias.
Que não entremos em debates vazios sobre trocar dependência em drogas pela dependência em alguma terapia. Posiciono-me desta forma: penso que o ideal é se vir livre totalmente, mas não há nada pior do que sofrer nas “garras de uma droga”,
então se uma pessoa trocar a cocaína pelas conturbadas salas de NA, fico feliz por ela, ou melhor, por sua saúde.
A grande questão, na minha visão, não é começar a necessitar cada vez mais de ambientes terapêuticos, de reuniões e mais reuniões, e sim, por gratidão ao seu “dono” – a programação que está “salvando sua vida” – esconder-se no manto do vergonhoso anonimato e como um bom escravo submeter-se aos maiores caprichos de seu novo “proprietário” sem questionar. Afinal, agora, para os terapeutas e/ou as terapias, os adictos, são suas propriedades. Tudo que seu “dono” disser, certo ou
errado, não deve ser questionado, até porque, qual dependente químico em tratamento que nunca ouviu que questionamento é um aspecto da doença?”
Trecho de UM GRITO DE ALFORRIA:
ADICTOS NUNCA MAIS!
Disponível em:
http://adqrbrasil.com/livro/Um%20Grito%20de%20Alforria-Adictos%20Nunca%20Mais!.pdf
  1. Ex-membro de AA Diz:
    11/01/2013 às 9:20
Quem tiver interesse em saber mais sobre o assunto, baixe gratuitamente o livro inteiro neste link:
  1. Luiz Alberto Bahia Diz:
    11/01/2013 às 9:33
Concordo inteiramente com o senhor, tanto é que vou transcrever abaixo, a resposta que dei a um membro do A.A.:
Se A.A. serviu para o senhor, tudo bem, mas a questão não é bem esta. Diferentemente do senhor que só pensa em si, eu penso é na esmagadora maioria, que além de não aceitar o AA e por causa desta irmandade, que estigmatiza os dependentes, nem aceita outras abordagens. Já disse aqui em repetidas ocasiões, que não estou “muito preocupado” com aqueles que acham a irmandade um sétimo céu – ainda que isso custe cercear-lhe a liberdade, conforme eu já disse:Veja a este respeito, qual é o conceito do GREDA – Grupo de Recuperandos da Dependência do Álcool: “O GREDA seria o abrigo temporário para aqueles que não aceitam a doutrinação dos grupos de ajuda mútua existentes, já que a proposta não é de tratamento para o resto da vida. Se o GREDA preencher uma pequenina parte da lacuna existente, nos daremos por satisfeitos. Mesmo se não alcançarmos essa modesta previsão, mas se conseguirmos com nossos intentos, estabelecer um profundo debate em torno da questão, ainda assim poderia se considerar que os objetivos foram atingidos. A esmagadora maioria dos dependentes adere a programas que são verdadeiras dependências, ficando assim com o mesmo problema de dependência. Não adianta nada sair de uma dependência e entrar em outra. Já dissemos aqui que, o dependente de álcool e, por extensão, de qualquer droga, precisa é acima de tudo se libertar. Libertar-se verdadeiramente de quaisquer escravidões, afinal o que ele precisa é livrar-se da condição de “adicto”, que significa “adjucar a outrem para ser usado como escravo”. Chega de armadilhas, queremos ser absolutamente livres. E esta é a proposta estacada nos 7 Pilares: concorrer na recuperação do dependentes de álcool observando-se o estrito respeito à dignidade e à liberdade humana. Acolher o semelhante que necessita de ajuda até que ele se recupere totalmente e depois abrir-lhe as portas para que saia de volta para a vida. Assim nosso lema bem que poderia ser:
“O dependente precisa apenas de um tratamento, e o GREDA deve ter este objetivo: o de demover o indivíduo da morte e devolvê-lo à vida” [“O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, página 364]
Pelo menos por um momento é bom fazer reflexões, não só sobre o que bom para nós, mas o que serve para a grande maioria.
  1. Ex-membro de AA Diz:
    02/02/2013 às 14:22
Sim, tratar o dependente de álcool com respeito à dignidade e à liberdade humana, é sem dúvida importantíssimo, já que o AA tenta de toda maneira dizer que o “alcoólatra” (termo não mais usado na ciência atual por se depreciativo e estigmatizador) é um fraco, negando-lhe o direito de recuperar a auto confiança que venha a ter um dia em sua vida…
bem, com os AA, de fato é uma perda de tempo argumentar qualquer coisa (a exemplo de comentários anteriores postados aqui pelos próprios), pois tudo aquilo que contraria a sua literatura é imediatamente rechaçado, atacado, condenado sem qualquer consideração pelas evidências lógicas e racionais. se eles querem viver assim, o que posso fazer? será que sabem que eles poderiam ter direito a outras escolhas? Só sei que a exemplo do ator norte americano Charlie Shemm, me cansei do AA e decidi viver minha vida bem feliz longe daquela conversa infundada e limitadora e graças ao Nosso Bom Deus, estou muito bem sem o alcool e sem o AA já a alguns anos e não sinto a menor falta dos dois pois estou plenamente recuperado porquê o problema que tive foi definitivamente superado, e este é meu testemunho de vida quer eles gostem ou não.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Comentários do sr. João v (a minha última resposta)



  1. joao v Diz:
    05/11/2012 às 22:36
Sr. Luiz Alberto Bahia, agradeço de coração a resposta dada em seu blogue às minhas perguntas. Informações estas IMPORTANTÍSSIMAS que DEVERIAM chegar ao conhecimento das pessoas, e assim pudessemos ter uma visão mais real do alcoolismo. Quanto ao lado espiritual podemos ter uma conversa sim a respeito, mas de minha parte prefiro deixar mais adiante, o foco agora é um melhor e aprofundado estudo sobre o alcool. Quanto a aquisição do livro, com certeza, quero muito isso. Vou tentar enviar~lhe uma mensagem, Vou aqui parar minhas postagens até ter o material em mãos, e após ler e tirar minhas conclusões podermos continuar aé para esclarecer dúvidas, caso eu não consiga enviar-lhe a mensagem no email, entrarei em contato. desde já obrigado. Abraço.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Resposta ao Sr. João sobre seu post (logo abaixo) de 04/11/12



Senhor João v,
Respondendo a suas indagações, sobre o DRD4 e “O que é esse mal”, para bem responder ao sr., eu teria que citar uma boa parte do meu último e penúltimo livros, mas procurando satisfazer-lhe no mínimo possível, vou responder por partes: 1 - como eu lhe disse quando me fez a pergunta pela 1ª vez, a dependência de álcool é uma doença de natureza multifatorial. Isso significa que sua causa reporta a vários fatores. Destes fatores podemos citar:
a) causa genética das quais conheço duas, a 1ª se refere à anomalia genética quanto ao metabolismo hepático, isso quer dizer que os dependentes de álcool tem o metabolismo do fígado diferente dos outros bebedores. E o outro é quanto aos genes DRD4 (o caso do sexo masculino)  e DR D5  (feminino), que segundo “um trabalho mais específico, elaborado pela Organização Mundial de Saúde, cujo título é ‘Neurociências: Consumo e dependência de substâncias psicoativas’, aborda a predisposição genética dos farmacodependentes, (termo científico que a OMS usa para designar os dependentes de drogas, inclusive os de álcool, evidentemente): Estudos bem recentes nos dão conta de que alterações (poliformia) no gene DRD4, que influi nos distúrbios de atenção e hiperatividades infantis, em que existe traço envolvido na vulnerabilidade às dependências, seriam os responsáveis por uma maior propensão de indivíduos do sexo masculino pelas dependências de drogas.” (O mito..., pág. 331-332). (Texto resumido).
B) (em meu livro discorro sobre estas outras causas em várias páginas, o que não seria viável transcrevê-las aqui, por uma questão de espaço e objetividade) Podemos dizer que existem ainda, causas ambientais, herança cultural (hábitos e costumes, influências, educação, etc.) e fatores psicológicos. Estas outras causas a OMS chama de fatores “neurobiológicos, psicológicos e sociais".
Veja, sr. João, que estas informações se referem a achados recentes sobre a doença, coisa que era completamente desconhecida quando o A.A. foi fundado, nos meados da década de 30, e devido ao aspecto sectário da entidade (infelizmente), estão perpetuando o mito de que a origem da doença é de natureza espiritual. Depois se o sr. quiser, poderemos tratar da questão espiritual (forçada – insinuada por Bill) que com os conhecimentos que temos no momento, poderão ser facilmente explicadas. Tanto a pseudo experiência espiritual no quarto do Towns Hospital e a mal engendrada teoria envolvendo Carl Gustav Jung por Bill Wilson.
Quanto ao nosso grupo, o GREDA – Grupo de Recuperandos da Dependência do Álcool, ainda não temos material de divulgação, aliás nem o grupo ainda funciona regularmente. Com a venda dos livros esperamos conseguir recursos tanto para uma coisa como para a outra.
Aliás, quanto ao livro, se o senhor quiser realmente adquiri-lo, é só me fazer um e-mail (lzbahia@gmail.com), para tratar do assunto. Poderei facilitar no que for possível a sua aquisição.


Post do Sr. João v no blogue “Discernimento Cristão” em 04/11/12.

Sr. Luiz Alberto Bahia, tentei postar no seu glog, mas como não consegui, devido minha falta de harmonia com a maquininha aqui, vou continuar postando neste blog onde já me acostumei com ele. Realmente fica difícil um esclarecimento onde não há um visível interesse em conhecer a verdade dos fatos. Só gostaria de forma rápida esclarecer, que de forma nenhuma sou contra sua opinião. Quando citei os números foi ciente de que nem todos aceitam o AA como solução, tem também aqueles que não aceitam parar de beber. Mas concordo plenamente com sua preocupação com aqueles 99 que o AA não conseguiu ajudar. LEMBRANDO que, este número é uma colocação minha, não sei se um fato real ou não. Na verdade estou entrando em contato com o sr. para saber mais sobre o alcoolismo, essa doença que ainda hoje desafia a própria medicina. Oque é esse mal. Dentro desse interesse meu em saber mais também tenho grande interesse em adiquirir seu livro talvez não no momento não sei o valor dele. Até se o senhor tiver algun material, que usam no seu grupo que possa ser disponibilizado a outras pessoas, seria um grande prazer em adiquirir esse material. Para não me alongar muito gostaria que o senhor pudesse comentar algo mais sobre o gene DRD4 e DRD5. se puder me responder desde já lhe agradeço muito. Digo-lhe mais, foi uma satisfação ter suas postagens neste blog, que não estou postando para criar uma controvérsia, mas para aprender, e assim poder melhor ajudar aquele que sofre, e quer ser ajudado. Mesmo este blog entendo eu que seja mais para dismistificar o AA, qualquer esclarecimento sobre a doença ajudará alguem. Mais uma vez muito obrigado, tenha uma boa noite.

domingo, 4 de novembro de 2012

Resposta ao Sr. João v sobre seu post no Discernimento Cristão

Senhor João v,
1 - Continuo pensando que aqui não é o melhor lugar para o debate. Veja que o debate está polarizado, em que um não consegue entender - ou não quer entender -, o que outro está dizendo.  Observe que seguem debatendo sem notar a importante proposta que o senhor está fazendo.
Sinceramente eu já estava me declinando de participar do debate, mas como o senhor “alcoolico anônimo” (sic) se referiu a mim e ao meu livro de sem ter o devido conhecimento (e sem querer ofender, essa forma de procedimento é leviana), resolvi explicar que as acusações não procediam. Tentei explicar de forma bem reduzida, que minha obra e minha pessoa, são bem diferentes do que aquilo que ele qualificou. Só fiz isso por que as outras pessoas que não conhecem meu livro e nem a mim, podem acabar sendo influenciadas por opiniões irresponsáveis. As pessoas que já andam desconfiadas, com tantas trapaças e ardis de indivíduos mal intencionados, que visam tão somente seus interesses pessoais, acabam pensando que sou apenas mais um daqueles. Acabam também, se deixando influenciar por opiniões negativas, sem nenhum compromisso com a verdade. Estas pessoas que se deixam influenciar por opiniões desqualificadas, podem perder a oportunidade de conhecer meus achados científicos, e ter uma visão mais realista do problema. Com isso, muitos casos que poderiam ser revertidos, acabam tendo a trajetória inalterada.
Penso ainda que aqui é tratada mais a questão religiosa, e lá no meu blogue, podemos tratar especificamente da dependência de álcool, e drogadição, de um modo geral.

2 - Gostaria comentar as colocações que o sr. faz sobre o A.A., quanto à relatividade da quantidade que ele ajuda, em que destaco as duas frases que o sr. diz:  1 - “De cada 100 pessoas o AA anemizar o sofrimento de 1, será uma pessoa a menos perecendo. 2 – “O mais importante é pensar-mos naquele que ainda sofre.”
Vejo que o sr., ainda que de forma muito educada, tem a mesma e primordial dificuldade, dos que discordam de mim, de entender minhas razões fundamentais, que me levaram a desnudar as verdades sobre o A.A. Da primeira frase, digo-lhe que não estou (muito) preocupado com aquele, dentre os 100, que conseguiram ficar em A.A. Ainda que eu acho que ele se recuperaria em qualquer outro lugar, e que não foi o A.A., mas ele mesmo que conseguiu controlar sua doença. E mais, que ficando em A.A. e aceitando sua doutrina, ele perderá sua liberdade, ficando alienado, evidentemente que poderá haver exceções, mas via de regra, é o que normalmente acontece. Não estou muito preocupado com este 1 que aceitou o programa de A.A., mas com os outrs 99 que não aceitaram. Onde estariam estas outras 99 pessoas? Na minha versão, eu digo que quando os dependentes (os poucos) chegam ao A.A., eles estão com a autoestima “zerada” e quando lá ficam sabendo que a causa de sua doença são seus “defeitos de caráter” e sua condição de “pecador”, a esmagadora maioria desistem. O que é pior, é que não desistem só do A.A., mas de qualquer outra forma de abordagem, pois pensa que tudo é a mesma coisa, afinal ele está transtornado com tanta lição de moral e repreensões. Como o sr. bem sabe, as formas de abordagens quase sempre são inadequadas,  cheias de sermões, parecidas com as de A.A. E também ele já não acredita nem em Deus pois, fez um périplo por várias Igrejas que nada resolveu.
A segunda frase está relacionada e é uma consequência da primeira, pois é exatamente sobre aquele que ainda sofre, que me preocupo, pois me coloco no lugar dele. Na verdade eu estive no lugar dele, e de pensar que ele pode sucumbir como eu quase pereci, me atordoa, me incomoda, e é por isso que devotei minha vida a esta causa. Quando precisei não encontrei quem me orientasse adequadamente. Sobre suas perguntas, pode ir em meu blogue que as encontrará ali.
Convido aos que se interessarem pelo debate proposto pelo senhor João v, que visitem http://www.greda-luizalbertobahia.blogspot.com

sábado, 3 de novembro de 2012

DEBATES/PERGUNTAS E ESCLARECIMENTOS SOBRE DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL - A PEDIDO DO SENHOR JOÃO V, NO SITE DISCERNIMENTO CRISTÃO, CRIAMOS ESTE ESPAÇO, QUE FICA ABERTO A TODOS QUE SE INTERESSAREM NA SUA PARTICIPAÇÃO. LOGO ABAIXO TRASNCREVEMOS SUA PRIMEIRA INDAGAÇÃO E NOSSA RESPOSTA.

joao v Diz:
Sr. Luiz Alberto Bahia. Tentei entrar no blog citado acima em seu post, devido minha inesperiência neste assunto, cheguei a enviar algumas perguntas não sei se chegaram ou não, o jeito e conversarmos aqui mesmo. Sobre o alcoolismo. Oque é realmente essa doença? Uma compulsão, uma obsessão? Essa doença tem cura, de modo que uma pessoa que viveu anos na desgraça do alcool, após um tratamento poderá ela voltar a beber seus aperitivos sem consequências advérsas? O alcoolismo tem cura? Hoje a medicina com todo seu avanço pode curar?
Senhor João, penso que aqui (Blogue Discernimento Cristão) não seria o melhor local para o debate, vou abrir uma sessão na janela de entrada em nosso blogue (assim que entrar deparará com ela). Amanhã providenciarei isto. Mas não deixarei você sem resposta:
1 – A doença da “Dependência de álcool” (este termo é menos estigmatizante) é multifatorial e multidimensional. Multifatorial porque para sua instalação é preciso de pre-disposição genética, herança cultural (hábitos e costumes), fatores psicológisos, entre outros. Quem passar por um tratamento, certamente se recuperará de várias afetações, mas não ficará sem sequelas. Contudo, ela é uma doença controlável (como no caso do diabetes, por exemplo), mas nunca poderá voltar a beber, pois se o fizer, reinstalar-se-á o quadro anterior. A medicina ainda não tem a cura definitiva para o caso, contudo já se sabe que os genes responsáveis pela dependência são o DRD4, para o homem, e o DRD5 para o sexo feminino. Certamente que, com este achado, muito em breve poderá ser encontrada até cura, senão, ações reparadoras e preventivas, bem mais auspiciosas do que as que são empregadas atualmente.

Síndrome de Wernicke-Korsakoff

A síndrome de Wernicke-Korsakoff, na verdade, são dois distúrbios que podem ocorrer em conjunto ou isoladamente, de forma abrupta no primeiro caso e gradual no segundo. O primeiro (encefalopatia de Wernicke) é caracterizado por marcha atáxica (descoordenação no andar), oftalmoplegia (paralisia ocular), e confusão mental, e é acometido em decorrência da carência nutricional. O segundo (psicose de Korsakoff) é um estado de confusão mental, em que a memória de retenção fica gravemente comprometida. A presença de todos os sintomas num mesmo caso não é necessária para se fazer o diagnóstico. Essa síndrome é uma das consequências mais graves da dependência de álcool.
Embora esse quadro patológico seja frequente em dependentes de álcool, não é diagnosticado com a mesma constância, porque quase sempre as atenções dos médicos estão voltadas para outras consequências da dependência que normalmente lhes chamam mais as atenções.
A doença é uma consequência de lesões causadas ao sistema nervoso central e periférico e acontece também devido à síndrome de abstinência, acometendo os dependentes com mais frequência na faixa etária dos 40 aos 80 anos de idade. Esses danos ao sistema nervoso são atribuídos a déficits nutricionais, pela falta da vitamina B 1 (tiamina), que além das dificuldades de serem absorvidas na presença de álcool, pode ser em consequência da falta de cuidados com a dieta alimentar, pela sua não inclusão.  O declínio psicológico e a afetação cognitiva da maioria dos pacientes são derivados da interação entre uma tríade composta por neurotoxidade alcoólica, por deficiências da tiamina e por suscetibilidade do indivíduo. A psicose de Korsakoff, juntamente com os danos ao cérebro (encefalopatia) e ao sistema nervoso como um todo, envolve prejuízos à memória e às habilidades cognitivas e intelectuais. Ficam evidentes as dificuldades na solução de problemas ou novos aprendizados. Talvez o sintoma mais característico seja o da confabulação (invenção), quando o doente cria histórias cheias de detalhes para compensar os lapsos de memória.
Os distúrbios mentais e de consciência deixam o paciente confuso, apático, desatento e com dificuldades de se expressar verbalmente. Alguns pacientes podem apresentar, junto ao quadro da síndrome de Wernicke-Korsakoff, a síndrome de abstinência, que neste caso pode provocar alucinações, hiperatividade autonômica, agitação e alterações de percepções. Caso o paciente não seja devidamente tratado, o quadro pode evoluir para o coma e para a morte - o que não é raro. O tratamento neste caso é com a reposição de tiamina, estimada em 300 mg/dia por via intramuscular, por um período entre 7/15 dias, e quando isso é feito, o dependente recobra rapidamente seu estado de alerta e a tenacidade que lhe é peculiar. ["O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)", páginas 355-356] de minha autoria.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Uma proposta aguardando por interessados



UMA HISTÓRIA VERÍDICA

A minha história não é muito diferente das de outros dependentes de álcool. Todos eles começam a beber como qualquer outro “bebedor social”. A princípio se dão muito bem com o álcool que lhes facilita os contatos sociais, desinibindo-os. Como a doença leva muitos anos para se instalar, e na maioria dos casos, isso ocorre depois de 10 anos após o início da trajetória, a princípio, ela permite que o doente leve uma vida praticamente como a de qualquer outra pessoa. Ler mais           



quarta-feira, 23 de maio de 2012

ORELHA DO LIVRO “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, de minha autoria

 O volume que o leitor tem em mãos deve ser, antes de tudo, definido como um livro ousado. Mais que isso, talvez: corajoso. Durante décadas, desde a fundação de A.A. em meados dos anos 30, nos Estados Unidos, o método de Bill Wilson para a recuperação de dependentes do álcool tem sido reverenciado e aplaudido pelos meios não científicos e, eventualmente, até pela própria comunidade científica, sobretudo porque tem sido visto praticamente como referência única para o tratamento de dependentes de baixo poder aquisitivo.  O presente livro segue na contramão dessa tendência, ainda que solitariamente tenha de assumir as difíceis consequências que daí advém. Contestar uma inclinação de décadas significa no mínimo um risco, e exige ao mesmo tempo uma dose razoável de justificativas que deem conta das responsabilidades que a tarefa demanda. O autor deste livro assume as duas coisas: o risco e a justificativa.
Luiz Alberto Bahia, nasceu em Patos de Minas, MG, em 17/08/1949. É conselheiro em drogadição, fundador do GREDA e do Grupo Fênix, que atuam na orientação, prevenção e no suporte terapêutico à dependentes e suas famílias. Estudioso e especialista em dependência química, com alguns livros publicados na área, denuncia nestas páginas toda a fragilidade das terapias abordadas pelo método de Bill Wilson, provavelmente a prática terapêutica para compulsivos mais disseminada no mundo moderno. Quem conhece superficialmente a história de Bill Wilson sabe que este “AA número 1”, ele mesmo dependente do álcool e corretor da bolsa de valores de Nova York, começou a postular suas teses e seu método, a partir de uma insólita experiência num quarto do Towns Hospital, quando então se encontrava internado devido ao seu grave estado patológico. Bill afirma ter tido naquela oportunidade uma visão extraordinária, uma luz única que o conduzia a uma experiência mística e espiritual, jamais percebida antes, e que, a partir de então, o levaria a considerar-se um convertido religioso com predestinação messiânica. A.A., embora não seja uma entidade religiosa formal, nem tenha vínculos diretos com alguma instituição eclesiástica, fundou-se sob as bases dessa suposta experiência, dita espiritual, e acabou se firmando como um grupo carismático que pratica o culto à personalidade.
Seu fundador acreditava que as raízes da dependência de álcool tinham relação direta com os transtornos de caráter dos indivíduos, e que, a conversão religiosa poderia ser o ponto de partida para o tratamento de uma doença que, no seu íntimo, pressupunha uma manifestação pecaminosa. 
            Não se tratava de uma percepção inteiramente original. A dependência de álcool, como reconhece a comunidade científica, sempre foi tida como uma fraqueza de caráter, uma fragilidade de certas personalidades doentias incapazes de se ajustarem às normas sociais. A essa fragilidade do indivíduo, conforme Bill, o retorno às crenças religiosas – base moral dos famosos Doze Passos instituídos por ele – poderiam significar o aniquilamento da rebeldia imprescindível para a recuperação. Autoritário e preconceituoso, seu método pressupunha indivíduos sem índole, prontos para encontrar na religião uma saída obediente para o seu mal.
            O presente livro propõe alternativas diferentes e, sobretudo, soluções diversas daquilo que propôs Bill, esse americano fundamentalmente capitalista e de origens religiosas ortodoxas e puritanas. Luiz Alberto Bahia, numa séria pesquisa bibliográfica, analisa a vida do “AA número 1”, logrando encontrar nela os traços de um indivíduo competitivo e vaidoso – a exemplo de uma boa parte da sociedade americana –, que negligenciou propositadamente certas bases científicas da dependência do álcool. Encontrou na vida de Bill Wilson, bem como em seus métodos terapêuticos, uma grande mistificação. Mais que visão mística, por exemplo, a experiência no Towns Hospital não passou de alucinações típicas da síndrome de abstinência, constatável mediante uma simples observação científica. E afora isso, o autor nos assegura com inteira convicção: a ciência nos mostra hoje que a dependência do álcool não procura personalidades; antes, pode estar presente em qualquer um, independentemente do caráter, da idade ou da classe social (hoje representa cerca de 13% da população mundial, segundo dados da OMS). Mais que isso: é uma doença de causa multifatorial, com componentes genéticos, motivacionais, e fatores complexos de natureza meramente fisiológica. A considerar tudo isso, é urgente repensar os tratamentos e os programas coadjuvantes, fundamentados nos Doze Passos, que se oferece aos dependentes de álcool. Sem conversões religiosas, sem mistificação. Pode ser um risco, mas Luiz Alberto Bahia prefere assumi-lo. E para isso, tem boas justificativas. Para compreendê-las, é preciso ler este livro.

 

domingo, 11 de março de 2012

O não a uma frase de “O Não de Eloá”, ou, Os professores não estão fazendo a lição de casa.

Estarrecedora a falta de conhecimento sobre dependência de drogas por parte de professores e políticos. Dentre eles Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff.

Ler mais: http://greda-luizalbertobahia.blogspot.com/p/continuacaoi-de-leitura-o-nao-um-nao-da.html

quinta-feira, 8 de março de 2012

Nossa cultura como fator indutivo ao uso de álcool – que agora querem estender para a maconha.

A nossa sociedade não só aceita o uso indiscriminado do álcool como também incentiva seu consumo. Experimentar drogas, principalmente o álcool, constitui-se numa passagem quase obrigatória (como se fosse um “ritual de passagem” [não oficial] entre a adolescência e a idade adulta, como acontece em certas tribos primitivas), que se não atinge nossas crianças ainda em seus lares, certamente o fará assim que botarem os pés na rua. O álcool está tão arraigado em nossa cultura que, já muito cedo, o indivíduo faz contato com ele intensamente e em várias formas. Primeiramente é no próprio lar onde ele é encontrado, pois dificilmente o álcool deixa de existir numa moradia brasileira. Está logo ali no barzinho ou na geladeira, talvez na cristaleira, quem sabe debaixo da pia ou no armário da cozinha. Se não existe em estoque, certamente no fim de semana ele virá com as compras de supermercado.  Depois, o jovem o encontrará por todo canto em que for. Na escola, no clube, na igreja, na casa de parentes ou de amigos ou na rua por onde quer que ele passe. Em casa, conforme já vimos, o álcool pode aparecer em fórmulas medicamentosas caseiras, em compressas ou adicionadas a chás, leite, café etc., sendo indicado para inúmeros males, tudo sem o menor embasamento científico. Está fortemente presente na culinária, aparecendo num sem-número de receitas.
 

sábado, 3 de março de 2012

Declaração de um ex-membro de Alcoólicos Anônimos

  Primeiramente, gostaria de dizer que sou um ex-membro de Alcoólicos Anônimos. Em segundo lugar, gostaria de agradecer ao Sr. Luiz Alberto Bahia pelo excelente trabalho empreendido na elaboração do livro “O Mito da Doença Espiritual na Dependência de Álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, o qual adquiri recentemente, podendo constatar que se trata de um trabalho eticamente responsável e de caráter estritamente científico, o que me leva a manifestar meu respeito e admiração por tal obra. Meu primeiro contato com seu trabalho deu-se através de uma pesquisa realizada na internet em busca de posições (positivas ou negativas) de pessoas externas ao AA em relação ao mesmo. Dado que gosto de ler, além das matérias postadas nos blogs e sites, os comentários que os leitores tecem a respeito delas, ao ler uma matéria contendo críticas negativas sobre AA pude deparar-me com uma enxurrada de comentários depreciativos sobre a mesma (tais comentários, claro, provinham claramente de membros ou simpatizantes de AA), e dentre todos eles, alguns comentários do Sr Luiz Alberto, o qual era, inclusive, citado na matéria. Estes últimos, confesso, me chamaram a atenção por se apresentarem de maneira um tanto diferente dos comentários dos AAs, demagogos e desorientados, ainda que alguns tentassem desbaratar esse fato se utilizando de elementos que, talvez creiam eles, viessem realmente a conferir-lhes uma fachada de autenticidade.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Trocando uma dependência (droga) por outra.

Bill Wilson  propõe muito claramente no Terceiro Passo de seu programa, que se troque a dependência de álcool pela dependência ao programa de A.A. Este texto foi extraído às páginas 178 a 182 do livro "O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)" de minha autoria.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Resposta ao comentário do senhor Arnaldo Pereira

Recebi ontem (13/12/11) um comentário na página “Sumário do livro O mito [...], conforme abaixo na íntegra, e que logo em seguida passo a comentar:

Senhor Luiz Alberto Bahia
O alcoolismo é uma doença muito pouco compreendida. A abordagem científica / médica / medicamentosa é precária. Dá certo apenas para uma pequeníssima parcela de alcoólicos. Os maiores especialistas no assunto (já ouviu falar em George Vaillant?) concordam que a melhor abordagem tende a ser multifacetária, agregando medicamentos, psicoterapias e grupos de auto-ajuda. Ainda assim é dificílimo recuperar um alcoólatra.
Se temos um método que dê certo nesta área, mesmo com índice de recuperação baixo, qualquer pessoa sensata diria: deu certo para você? Então continue!
Se o senhor defende um "novo método" ou conjunto de ações para a recuperação do alcoolismo, não consigo entender a razão de basear a sua promoção no ataque a outro que funciona, mesmo que para poucos. Nessa área é preciso agregar, não disputar!