VISITANTES Greda - Grupo de Recuperandos da Dependência de Álcool / Luiz Alberto Bahia

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Comentários do sr. João v (a minha última resposta)



  1. joao v Diz:
    05/11/2012 às 22:36
Sr. Luiz Alberto Bahia, agradeço de coração a resposta dada em seu blogue às minhas perguntas. Informações estas IMPORTANTÍSSIMAS que DEVERIAM chegar ao conhecimento das pessoas, e assim pudessemos ter uma visão mais real do alcoolismo. Quanto ao lado espiritual podemos ter uma conversa sim a respeito, mas de minha parte prefiro deixar mais adiante, o foco agora é um melhor e aprofundado estudo sobre o alcool. Quanto a aquisição do livro, com certeza, quero muito isso. Vou tentar enviar~lhe uma mensagem, Vou aqui parar minhas postagens até ter o material em mãos, e após ler e tirar minhas conclusões podermos continuar aé para esclarecer dúvidas, caso eu não consiga enviar-lhe a mensagem no email, entrarei em contato. desde já obrigado. Abraço.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Resposta ao Sr. João sobre seu post (logo abaixo) de 04/11/12



Senhor João v,
Respondendo a suas indagações, sobre o DRD4 e “O que é esse mal”, para bem responder ao sr., eu teria que citar uma boa parte do meu último e penúltimo livros, mas procurando satisfazer-lhe no mínimo possível, vou responder por partes: 1 - como eu lhe disse quando me fez a pergunta pela 1ª vez, a dependência de álcool é uma doença de natureza multifatorial. Isso significa que sua causa reporta a vários fatores. Destes fatores podemos citar:
a) causa genética das quais conheço duas, a 1ª se refere à anomalia genética quanto ao metabolismo hepático, isso quer dizer que os dependentes de álcool tem o metabolismo do fígado diferente dos outros bebedores. E o outro é quanto aos genes DRD4 (o caso do sexo masculino)  e DR D5  (feminino), que segundo “um trabalho mais específico, elaborado pela Organização Mundial de Saúde, cujo título é ‘Neurociências: Consumo e dependência de substâncias psicoativas’, aborda a predisposição genética dos farmacodependentes, (termo científico que a OMS usa para designar os dependentes de drogas, inclusive os de álcool, evidentemente): Estudos bem recentes nos dão conta de que alterações (poliformia) no gene DRD4, que influi nos distúrbios de atenção e hiperatividades infantis, em que existe traço envolvido na vulnerabilidade às dependências, seriam os responsáveis por uma maior propensão de indivíduos do sexo masculino pelas dependências de drogas.” (O mito..., pág. 331-332). (Texto resumido).
B) (em meu livro discorro sobre estas outras causas em várias páginas, o que não seria viável transcrevê-las aqui, por uma questão de espaço e objetividade) Podemos dizer que existem ainda, causas ambientais, herança cultural (hábitos e costumes, influências, educação, etc.) e fatores psicológicos. Estas outras causas a OMS chama de fatores “neurobiológicos, psicológicos e sociais".
Veja, sr. João, que estas informações se referem a achados recentes sobre a doença, coisa que era completamente desconhecida quando o A.A. foi fundado, nos meados da década de 30, e devido ao aspecto sectário da entidade (infelizmente), estão perpetuando o mito de que a origem da doença é de natureza espiritual. Depois se o sr. quiser, poderemos tratar da questão espiritual (forçada – insinuada por Bill) que com os conhecimentos que temos no momento, poderão ser facilmente explicadas. Tanto a pseudo experiência espiritual no quarto do Towns Hospital e a mal engendrada teoria envolvendo Carl Gustav Jung por Bill Wilson.
Quanto ao nosso grupo, o GREDA – Grupo de Recuperandos da Dependência do Álcool, ainda não temos material de divulgação, aliás nem o grupo ainda funciona regularmente. Com a venda dos livros esperamos conseguir recursos tanto para uma coisa como para a outra.
Aliás, quanto ao livro, se o senhor quiser realmente adquiri-lo, é só me fazer um e-mail (lzbahia@gmail.com), para tratar do assunto. Poderei facilitar no que for possível a sua aquisição.


Post do Sr. João v no blogue “Discernimento Cristão” em 04/11/12.

Sr. Luiz Alberto Bahia, tentei postar no seu glog, mas como não consegui, devido minha falta de harmonia com a maquininha aqui, vou continuar postando neste blog onde já me acostumei com ele. Realmente fica difícil um esclarecimento onde não há um visível interesse em conhecer a verdade dos fatos. Só gostaria de forma rápida esclarecer, que de forma nenhuma sou contra sua opinião. Quando citei os números foi ciente de que nem todos aceitam o AA como solução, tem também aqueles que não aceitam parar de beber. Mas concordo plenamente com sua preocupação com aqueles 99 que o AA não conseguiu ajudar. LEMBRANDO que, este número é uma colocação minha, não sei se um fato real ou não. Na verdade estou entrando em contato com o sr. para saber mais sobre o alcoolismo, essa doença que ainda hoje desafia a própria medicina. Oque é esse mal. Dentro desse interesse meu em saber mais também tenho grande interesse em adiquirir seu livro talvez não no momento não sei o valor dele. Até se o senhor tiver algun material, que usam no seu grupo que possa ser disponibilizado a outras pessoas, seria um grande prazer em adiquirir esse material. Para não me alongar muito gostaria que o senhor pudesse comentar algo mais sobre o gene DRD4 e DRD5. se puder me responder desde já lhe agradeço muito. Digo-lhe mais, foi uma satisfação ter suas postagens neste blog, que não estou postando para criar uma controvérsia, mas para aprender, e assim poder melhor ajudar aquele que sofre, e quer ser ajudado. Mesmo este blog entendo eu que seja mais para dismistificar o AA, qualquer esclarecimento sobre a doença ajudará alguem. Mais uma vez muito obrigado, tenha uma boa noite.

domingo, 4 de novembro de 2012

Resposta ao Sr. João v sobre seu post no Discernimento Cristão

Senhor João v,
1 - Continuo pensando que aqui não é o melhor lugar para o debate. Veja que o debate está polarizado, em que um não consegue entender - ou não quer entender -, o que outro está dizendo.  Observe que seguem debatendo sem notar a importante proposta que o senhor está fazendo.
Sinceramente eu já estava me declinando de participar do debate, mas como o senhor “alcoolico anônimo” (sic) se referiu a mim e ao meu livro de sem ter o devido conhecimento (e sem querer ofender, essa forma de procedimento é leviana), resolvi explicar que as acusações não procediam. Tentei explicar de forma bem reduzida, que minha obra e minha pessoa, são bem diferentes do que aquilo que ele qualificou. Só fiz isso por que as outras pessoas que não conhecem meu livro e nem a mim, podem acabar sendo influenciadas por opiniões irresponsáveis. As pessoas que já andam desconfiadas, com tantas trapaças e ardis de indivíduos mal intencionados, que visam tão somente seus interesses pessoais, acabam pensando que sou apenas mais um daqueles. Acabam também, se deixando influenciar por opiniões negativas, sem nenhum compromisso com a verdade. Estas pessoas que se deixam influenciar por opiniões desqualificadas, podem perder a oportunidade de conhecer meus achados científicos, e ter uma visão mais realista do problema. Com isso, muitos casos que poderiam ser revertidos, acabam tendo a trajetória inalterada.
Penso ainda que aqui é tratada mais a questão religiosa, e lá no meu blogue, podemos tratar especificamente da dependência de álcool, e drogadição, de um modo geral.

2 - Gostaria comentar as colocações que o sr. faz sobre o A.A., quanto à relatividade da quantidade que ele ajuda, em que destaco as duas frases que o sr. diz:  1 - “De cada 100 pessoas o AA anemizar o sofrimento de 1, será uma pessoa a menos perecendo. 2 – “O mais importante é pensar-mos naquele que ainda sofre.”
Vejo que o sr., ainda que de forma muito educada, tem a mesma e primordial dificuldade, dos que discordam de mim, de entender minhas razões fundamentais, que me levaram a desnudar as verdades sobre o A.A. Da primeira frase, digo-lhe que não estou (muito) preocupado com aquele, dentre os 100, que conseguiram ficar em A.A. Ainda que eu acho que ele se recuperaria em qualquer outro lugar, e que não foi o A.A., mas ele mesmo que conseguiu controlar sua doença. E mais, que ficando em A.A. e aceitando sua doutrina, ele perderá sua liberdade, ficando alienado, evidentemente que poderá haver exceções, mas via de regra, é o que normalmente acontece. Não estou muito preocupado com este 1 que aceitou o programa de A.A., mas com os outrs 99 que não aceitaram. Onde estariam estas outras 99 pessoas? Na minha versão, eu digo que quando os dependentes (os poucos) chegam ao A.A., eles estão com a autoestima “zerada” e quando lá ficam sabendo que a causa de sua doença são seus “defeitos de caráter” e sua condição de “pecador”, a esmagadora maioria desistem. O que é pior, é que não desistem só do A.A., mas de qualquer outra forma de abordagem, pois pensa que tudo é a mesma coisa, afinal ele está transtornado com tanta lição de moral e repreensões. Como o sr. bem sabe, as formas de abordagens quase sempre são inadequadas,  cheias de sermões, parecidas com as de A.A. E também ele já não acredita nem em Deus pois, fez um périplo por várias Igrejas que nada resolveu.
A segunda frase está relacionada e é uma consequência da primeira, pois é exatamente sobre aquele que ainda sofre, que me preocupo, pois me coloco no lugar dele. Na verdade eu estive no lugar dele, e de pensar que ele pode sucumbir como eu quase pereci, me atordoa, me incomoda, e é por isso que devotei minha vida a esta causa. Quando precisei não encontrei quem me orientasse adequadamente. Sobre suas perguntas, pode ir em meu blogue que as encontrará ali.
Convido aos que se interessarem pelo debate proposto pelo senhor João v, que visitem http://www.greda-luizalbertobahia.blogspot.com

sábado, 3 de novembro de 2012

DEBATES/PERGUNTAS E ESCLARECIMENTOS SOBRE DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL - A PEDIDO DO SENHOR JOÃO V, NO SITE DISCERNIMENTO CRISTÃO, CRIAMOS ESTE ESPAÇO, QUE FICA ABERTO A TODOS QUE SE INTERESSAREM NA SUA PARTICIPAÇÃO. LOGO ABAIXO TRASNCREVEMOS SUA PRIMEIRA INDAGAÇÃO E NOSSA RESPOSTA.

joao v Diz:
Sr. Luiz Alberto Bahia. Tentei entrar no blog citado acima em seu post, devido minha inesperiência neste assunto, cheguei a enviar algumas perguntas não sei se chegaram ou não, o jeito e conversarmos aqui mesmo. Sobre o alcoolismo. Oque é realmente essa doença? Uma compulsão, uma obsessão? Essa doença tem cura, de modo que uma pessoa que viveu anos na desgraça do alcool, após um tratamento poderá ela voltar a beber seus aperitivos sem consequências advérsas? O alcoolismo tem cura? Hoje a medicina com todo seu avanço pode curar?
Senhor João, penso que aqui (Blogue Discernimento Cristão) não seria o melhor local para o debate, vou abrir uma sessão na janela de entrada em nosso blogue (assim que entrar deparará com ela). Amanhã providenciarei isto. Mas não deixarei você sem resposta:
1 – A doença da “Dependência de álcool” (este termo é menos estigmatizante) é multifatorial e multidimensional. Multifatorial porque para sua instalação é preciso de pre-disposição genética, herança cultural (hábitos e costumes), fatores psicológisos, entre outros. Quem passar por um tratamento, certamente se recuperará de várias afetações, mas não ficará sem sequelas. Contudo, ela é uma doença controlável (como no caso do diabetes, por exemplo), mas nunca poderá voltar a beber, pois se o fizer, reinstalar-se-á o quadro anterior. A medicina ainda não tem a cura definitiva para o caso, contudo já se sabe que os genes responsáveis pela dependência são o DRD4, para o homem, e o DRD5 para o sexo feminino. Certamente que, com este achado, muito em breve poderá ser encontrada até cura, senão, ações reparadoras e preventivas, bem mais auspiciosas do que as que são empregadas atualmente.

Síndrome de Wernicke-Korsakoff

A síndrome de Wernicke-Korsakoff, na verdade, são dois distúrbios que podem ocorrer em conjunto ou isoladamente, de forma abrupta no primeiro caso e gradual no segundo. O primeiro (encefalopatia de Wernicke) é caracterizado por marcha atáxica (descoordenação no andar), oftalmoplegia (paralisia ocular), e confusão mental, e é acometido em decorrência da carência nutricional. O segundo (psicose de Korsakoff) é um estado de confusão mental, em que a memória de retenção fica gravemente comprometida. A presença de todos os sintomas num mesmo caso não é necessária para se fazer o diagnóstico. Essa síndrome é uma das consequências mais graves da dependência de álcool.
Embora esse quadro patológico seja frequente em dependentes de álcool, não é diagnosticado com a mesma constância, porque quase sempre as atenções dos médicos estão voltadas para outras consequências da dependência que normalmente lhes chamam mais as atenções.
A doença é uma consequência de lesões causadas ao sistema nervoso central e periférico e acontece também devido à síndrome de abstinência, acometendo os dependentes com mais frequência na faixa etária dos 40 aos 80 anos de idade. Esses danos ao sistema nervoso são atribuídos a déficits nutricionais, pela falta da vitamina B 1 (tiamina), que além das dificuldades de serem absorvidas na presença de álcool, pode ser em consequência da falta de cuidados com a dieta alimentar, pela sua não inclusão.  O declínio psicológico e a afetação cognitiva da maioria dos pacientes são derivados da interação entre uma tríade composta por neurotoxidade alcoólica, por deficiências da tiamina e por suscetibilidade do indivíduo. A psicose de Korsakoff, juntamente com os danos ao cérebro (encefalopatia) e ao sistema nervoso como um todo, envolve prejuízos à memória e às habilidades cognitivas e intelectuais. Ficam evidentes as dificuldades na solução de problemas ou novos aprendizados. Talvez o sintoma mais característico seja o da confabulação (invenção), quando o doente cria histórias cheias de detalhes para compensar os lapsos de memória.
Os distúrbios mentais e de consciência deixam o paciente confuso, apático, desatento e com dificuldades de se expressar verbalmente. Alguns pacientes podem apresentar, junto ao quadro da síndrome de Wernicke-Korsakoff, a síndrome de abstinência, que neste caso pode provocar alucinações, hiperatividade autonômica, agitação e alterações de percepções. Caso o paciente não seja devidamente tratado, o quadro pode evoluir para o coma e para a morte - o que não é raro. O tratamento neste caso é com a reposição de tiamina, estimada em 300 mg/dia por via intramuscular, por um período entre 7/15 dias, e quando isso é feito, o dependente recobra rapidamente seu estado de alerta e a tenacidade que lhe é peculiar. ["O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)", páginas 355-356] de minha autoria.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Uma proposta aguardando por interessados



UMA HISTÓRIA VERÍDICA

A minha história não é muito diferente das de outros dependentes de álcool. Todos eles começam a beber como qualquer outro “bebedor social”. A princípio se dão muito bem com o álcool que lhes facilita os contatos sociais, desinibindo-os. Como a doença leva muitos anos para se instalar, e na maioria dos casos, isso ocorre depois de 10 anos após o início da trajetória, a princípio, ela permite que o doente leve uma vida praticamente como a de qualquer outra pessoa. Ler mais           



quarta-feira, 23 de maio de 2012

ORELHA DO LIVRO “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, de minha autoria

 O volume que o leitor tem em mãos deve ser, antes de tudo, definido como um livro ousado. Mais que isso, talvez: corajoso. Durante décadas, desde a fundação de A.A. em meados dos anos 30, nos Estados Unidos, o método de Bill Wilson para a recuperação de dependentes do álcool tem sido reverenciado e aplaudido pelos meios não científicos e, eventualmente, até pela própria comunidade científica, sobretudo porque tem sido visto praticamente como referência única para o tratamento de dependentes de baixo poder aquisitivo.  O presente livro segue na contramão dessa tendência, ainda que solitariamente tenha de assumir as difíceis consequências que daí advém. Contestar uma inclinação de décadas significa no mínimo um risco, e exige ao mesmo tempo uma dose razoável de justificativas que deem conta das responsabilidades que a tarefa demanda. O autor deste livro assume as duas coisas: o risco e a justificativa.
Luiz Alberto Bahia, nasceu em Patos de Minas, MG, em 17/08/1949. É conselheiro em drogadição, fundador do GREDA e do Grupo Fênix, que atuam na orientação, prevenção e no suporte terapêutico à dependentes e suas famílias. Estudioso e especialista em dependência química, com alguns livros publicados na área, denuncia nestas páginas toda a fragilidade das terapias abordadas pelo método de Bill Wilson, provavelmente a prática terapêutica para compulsivos mais disseminada no mundo moderno. Quem conhece superficialmente a história de Bill Wilson sabe que este “AA número 1”, ele mesmo dependente do álcool e corretor da bolsa de valores de Nova York, começou a postular suas teses e seu método, a partir de uma insólita experiência num quarto do Towns Hospital, quando então se encontrava internado devido ao seu grave estado patológico. Bill afirma ter tido naquela oportunidade uma visão extraordinária, uma luz única que o conduzia a uma experiência mística e espiritual, jamais percebida antes, e que, a partir de então, o levaria a considerar-se um convertido religioso com predestinação messiânica. A.A., embora não seja uma entidade religiosa formal, nem tenha vínculos diretos com alguma instituição eclesiástica, fundou-se sob as bases dessa suposta experiência, dita espiritual, e acabou se firmando como um grupo carismático que pratica o culto à personalidade.
Seu fundador acreditava que as raízes da dependência de álcool tinham relação direta com os transtornos de caráter dos indivíduos, e que, a conversão religiosa poderia ser o ponto de partida para o tratamento de uma doença que, no seu íntimo, pressupunha uma manifestação pecaminosa. 
            Não se tratava de uma percepção inteiramente original. A dependência de álcool, como reconhece a comunidade científica, sempre foi tida como uma fraqueza de caráter, uma fragilidade de certas personalidades doentias incapazes de se ajustarem às normas sociais. A essa fragilidade do indivíduo, conforme Bill, o retorno às crenças religiosas – base moral dos famosos Doze Passos instituídos por ele – poderiam significar o aniquilamento da rebeldia imprescindível para a recuperação. Autoritário e preconceituoso, seu método pressupunha indivíduos sem índole, prontos para encontrar na religião uma saída obediente para o seu mal.
            O presente livro propõe alternativas diferentes e, sobretudo, soluções diversas daquilo que propôs Bill, esse americano fundamentalmente capitalista e de origens religiosas ortodoxas e puritanas. Luiz Alberto Bahia, numa séria pesquisa bibliográfica, analisa a vida do “AA número 1”, logrando encontrar nela os traços de um indivíduo competitivo e vaidoso – a exemplo de uma boa parte da sociedade americana –, que negligenciou propositadamente certas bases científicas da dependência do álcool. Encontrou na vida de Bill Wilson, bem como em seus métodos terapêuticos, uma grande mistificação. Mais que visão mística, por exemplo, a experiência no Towns Hospital não passou de alucinações típicas da síndrome de abstinência, constatável mediante uma simples observação científica. E afora isso, o autor nos assegura com inteira convicção: a ciência nos mostra hoje que a dependência do álcool não procura personalidades; antes, pode estar presente em qualquer um, independentemente do caráter, da idade ou da classe social (hoje representa cerca de 13% da população mundial, segundo dados da OMS). Mais que isso: é uma doença de causa multifatorial, com componentes genéticos, motivacionais, e fatores complexos de natureza meramente fisiológica. A considerar tudo isso, é urgente repensar os tratamentos e os programas coadjuvantes, fundamentados nos Doze Passos, que se oferece aos dependentes de álcool. Sem conversões religiosas, sem mistificação. Pode ser um risco, mas Luiz Alberto Bahia prefere assumi-lo. E para isso, tem boas justificativas. Para compreendê-las, é preciso ler este livro.

 

domingo, 11 de março de 2012

O não a uma frase de “O Não de Eloá”, ou, Os professores não estão fazendo a lição de casa.

Estarrecedora a falta de conhecimento sobre dependência de drogas por parte de professores e políticos. Dentre eles Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff.

Ler mais: http://greda-luizalbertobahia.blogspot.com/p/continuacaoi-de-leitura-o-nao-um-nao-da.html

quinta-feira, 8 de março de 2012

Nossa cultura como fator indutivo ao uso de álcool – que agora querem estender para a maconha.

A nossa sociedade não só aceita o uso indiscriminado do álcool como também incentiva seu consumo. Experimentar drogas, principalmente o álcool, constitui-se numa passagem quase obrigatória (como se fosse um “ritual de passagem” [não oficial] entre a adolescência e a idade adulta, como acontece em certas tribos primitivas), que se não atinge nossas crianças ainda em seus lares, certamente o fará assim que botarem os pés na rua. O álcool está tão arraigado em nossa cultura que, já muito cedo, o indivíduo faz contato com ele intensamente e em várias formas. Primeiramente é no próprio lar onde ele é encontrado, pois dificilmente o álcool deixa de existir numa moradia brasileira. Está logo ali no barzinho ou na geladeira, talvez na cristaleira, quem sabe debaixo da pia ou no armário da cozinha. Se não existe em estoque, certamente no fim de semana ele virá com as compras de supermercado.  Depois, o jovem o encontrará por todo canto em que for. Na escola, no clube, na igreja, na casa de parentes ou de amigos ou na rua por onde quer que ele passe. Em casa, conforme já vimos, o álcool pode aparecer em fórmulas medicamentosas caseiras, em compressas ou adicionadas a chás, leite, café etc., sendo indicado para inúmeros males, tudo sem o menor embasamento científico. Está fortemente presente na culinária, aparecendo num sem-número de receitas.
 

sábado, 3 de março de 2012

Declaração de um ex-membro de Alcoólicos Anônimos

  Primeiramente, gostaria de dizer que sou um ex-membro de Alcoólicos Anônimos. Em segundo lugar, gostaria de agradecer ao Sr. Luiz Alberto Bahia pelo excelente trabalho empreendido na elaboração do livro “O Mito da Doença Espiritual na Dependência de Álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, o qual adquiri recentemente, podendo constatar que se trata de um trabalho eticamente responsável e de caráter estritamente científico, o que me leva a manifestar meu respeito e admiração por tal obra. Meu primeiro contato com seu trabalho deu-se através de uma pesquisa realizada na internet em busca de posições (positivas ou negativas) de pessoas externas ao AA em relação ao mesmo. Dado que gosto de ler, além das matérias postadas nos blogs e sites, os comentários que os leitores tecem a respeito delas, ao ler uma matéria contendo críticas negativas sobre AA pude deparar-me com uma enxurrada de comentários depreciativos sobre a mesma (tais comentários, claro, provinham claramente de membros ou simpatizantes de AA), e dentre todos eles, alguns comentários do Sr Luiz Alberto, o qual era, inclusive, citado na matéria. Estes últimos, confesso, me chamaram a atenção por se apresentarem de maneira um tanto diferente dos comentários dos AAs, demagogos e desorientados, ainda que alguns tentassem desbaratar esse fato se utilizando de elementos que, talvez creiam eles, viessem realmente a conferir-lhes uma fachada de autenticidade.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Trocando uma dependência (droga) por outra.

Bill Wilson  propõe muito claramente no Terceiro Passo de seu programa, que se troque a dependência de álcool pela dependência ao programa de A.A. Este texto foi extraído às páginas 178 a 182 do livro "O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)" de minha autoria.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Resposta ao comentário do senhor Arnaldo Pereira

Recebi ontem (13/12/11) um comentário na página “Sumário do livro O mito [...], conforme abaixo na íntegra, e que logo em seguida passo a comentar:

Senhor Luiz Alberto Bahia
O alcoolismo é uma doença muito pouco compreendida. A abordagem científica / médica / medicamentosa é precária. Dá certo apenas para uma pequeníssima parcela de alcoólicos. Os maiores especialistas no assunto (já ouviu falar em George Vaillant?) concordam que a melhor abordagem tende a ser multifacetária, agregando medicamentos, psicoterapias e grupos de auto-ajuda. Ainda assim é dificílimo recuperar um alcoólatra.
Se temos um método que dê certo nesta área, mesmo com índice de recuperação baixo, qualquer pessoa sensata diria: deu certo para você? Então continue!
Se o senhor defende um "novo método" ou conjunto de ações para a recuperação do alcoolismo, não consigo entender a razão de basear a sua promoção no ataque a outro que funciona, mesmo que para poucos. Nessa área é preciso agregar, não disputar!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

FOTOS COM MEMBROS DA "MESA REDONDA" DO VII CONGRESSO DA EDUCAÇÃO

Mesa Redonda, da (E) para a (D):  Dr. Daniel, Dr. Gledson, Dr. Luiz André e eu.
Minha apresentação ladeado pelo Dr. Luís André e Dr. Gledson
Dr. Daniel Cruz Cordeiro(E) Boneco Dudu e eu (D)
Dr. Daniel Cruz (E) Dr. Luís André (C) e eu (D)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PROJETO PREVENÇÃO DE VERDADE


No Programa Espaço Aberto, de 07/09/2011, apresentado por Alexandre Garcia, na Globonews, foram apresentadas algumas ideias idênticas as que já estão incorporadas ao projeto "Prevenção de Verdade", de minha autoria. Este projeto foi elaborado no ano de 2000, e o atualizei agora para apresentação no Congresso de educação do UNIPAM, no início de outubro.
Participaram do debate o ex-ministro da saúde Alceni Guerra e o Coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, Dr. Roberto Tykanori

Em determinado trecho do debate, o ex-ministro da saúde Dr. Alceni Guerra, falou de uma entrevista que ele participou com o Dr. Eduardo Kalina. O entrevistado, médico argentino conhecido em todo mundo, foi perguntado sobre qual a diferença entre a Argentina e o Brasil, e também na América do Sul, na abordagem sobre prevenção do uso de drogas. O Dr. Kalina respondeu: a criança brasileira enfia o dedo na tomada de eletricidade? Ao que responderam que não, não enfia porque lhes ensinamos que a eletricidade mata. Então o Dr. Kalina, completou: é isso que vocês têm que fazer, ensinar as crianças que droga é como a eletricidade. Elas matam.
Então em sua explanação o ministro continuou dizendo que é essa a providência que temos de tomar no Brasil. Educar, e por educar, no sentido real da palavra, em casa e na escola. As crianças precisam receber informações, de que droga é como a eletricidade, que uma é como a outra em termos de potencial para matar.
Me identifico plenamente com o pensamento do ex-ministro e do Dr. Eduardo Kalina, tanto é que em nossa participação no Mesa Redonda, do VII Congresso Mineiro de Formação de Professores, a realizar-se-á em 05 de outubro de 2011, estaremos apresentando nosso “Projeto Prevenção de Verdade”, que foca esta mesma ideia dos dois médicos.
O Projeto Prevenção de Verdade conta com vários conteúdos didáticos, entre eles temos o livro O Curioso (vide informações sobre ele aqui mesmo no blogue) e o Kit do Dudu. Este Kit é composto por um tripé que tem ao alto afixada uma tomada de energia elétrica, e esta tomada conta com uma extensa fiação elétrica, também ao alto estão colocadas três placas nas cores amarelo, vermelho e verde, e, mais abaixo, há uma plataforma que se serve de mesa onde é colocado um castiçal com vela, um pote de pimentas com colher e um prego. O Kit se presta para auxiliar na ministração de uma palestra lúdica e interativa, com a finalidade de prevenir o uso de drogas junto à crianças na faixa etária de dois a onze anos de idade.
Quem se interessar em conhecer o projeto na íntegra, basta solicitar-me pelo lzbahia@gmail.com que o enviarei. O vídeo do debate acima mencionado poderá ser visto no meu Orkut.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

CASO (MORTE) DO CARTUNISTA GLAUCO - SEITA DO SANTO DAIME


Welcome to our blog, dear visitor.
If you are not Brazilian, we would like to ask you gently to inform us from what kind of media you came to know our blog, or even our ideas and works. You would make us a great favor if you could inform us the name of the vehicle (newspaper, journal, TV, blog, etc), as well as the title of the article or report that announced us.
We suggest that you make us this favor by using the link “o comentário”, or even sending an e-mail to lzbahia@gmail.com.
We also accept – and this is extensive to our visitors, including from Brazil – suggestions of themes to be put in dispute. We are entirely available to clarify or inform about any matter related to drug addiction.
We would also like to inform that by now, our blog has been visited by foreigners from the following countries, in decreasing order of number of people: United States, Netherlands, Germany, Russia, Portugal, Spain, Mexico, Canada and Argentina.
Best wishes,
Luiz Alberto Bahia

TRADUÇÃO:
Bem-vindo ao nosso blog, prezado visitante.
Se você não é de nacionalidade brasileira, solicitamos-lhe a especial gentileza de nos informar por qual meio midiático tomou conhecimento de nosso blogue, e/ou obras e ideias. Prestar-nos-ia um grande favor se nos informasse o nome do veículo (jornal, revista, TV, blog, etc.), bem como o título do artigo ou reportagem que noticiou sobre nós.
Solicitamos-lhe que nos faça este favor por intermédio do link “o comentário”, ou pelo endereço eletrônico lzbahia@gmail.com.
Aceitamos também – extensivo a todos o visitantes, inclusive do Brasil – sugestões de temáticas para serem colocadas em debate. Colocamo-nos ao inteiro dispor de todos para esclarecer ou informar sobre quaisquer questões relativas à drogadição.
Informamos ainda que até o presente momento, nosso blogue está sendo visitado por cidadãos estrangeiros, dos seguintes países, por ordem decrescente de número de pessoas: Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Rússia, Portugal, Espanha, México, Canadá e Argentina.
Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia


Hoje a mídia brasileira está divulgando o desfecho do caso da morte do cartunista Glauco e seu filho Raoni - abaixo o artigo publicado pelo Estadão. Em adendo (que segue logo abaixo) que inserimos em nosso livro, prevíamos tal desfecho. Entenda com esse intrincado caso, dentre outras coisas, como é que nasce uma religião.
  Ler mais: http://greda-luizalbertobahia.blogspot.com/p/ler-mais-caso-glauco.html

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

COMENTÁRIO DA AUXILIADORA FERREIRA NO BLOGUE DA PRISCILA SIMÕES

Welcome to our blog, dear visitor.
If you are not Brazilian, we would like to ask you gently to inform us from what kind of media you came to know our blog, or even our ideas and works. You would make us a great favor if you could inform us the name of the vehicle (newspaper, journal, TV, blog, etc), as well as the title of the article or report that announced us.
We suggest that you make us this favor by using the link “o comentário”, or even sending an e-mail to lzbahia@gmail.com.
We also accept – and this is extensive to our visitors, including from Brazil – suggestions of themes to be put in dispute. We are entirely available to clarify or inform about any matter related to drug addiction.
We would also like to inform that by now, our blog has been visited by foreigners from the following countries, in decreasing order of number of people: United States, Netherlands, Germany, Russia, Portugal, Spain, Mexico, Canada and Argentina.
Best wishes,
Luiz Alberto Bahia

TRADUÇÃO:
Bem-vindo ao nosso blog, prezado visitante.
Se você não é de nacionalidade brasileira, solicitamos-lhe a especial gentileza de nos informar por qual meio midiático tomou conhecimento de nosso blogue, e/ou obras e ideias. Prestar-nos-ia um grande favor se nos informasse o nome do veículo (jornal, revista, TV, blog, etc.), bem como o título do artigo ou reportagem que noticiou sobre nós.
Solicitamos-lhe que nos faça este favor por intermédio do link “o comentário”, ou pelo endereço eletrônico lzbahia@gmail.com.
Aceitamos também – extensivo a todos o visitantes, inclusive do Brasil – sugestões de temáticas para serem colocadas em debate. Colocamo-nos ao inteiro dispor de todos para esclarecer ou informar sobre quaisquer questões relativas à drogadição.
Informamos ainda que até o presente momento, nosso blogue está sendo visitado por cidadãos estrangeiros, dos seguintes países, por ordem decrescente de número de pessoas: Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Rússia, Portugal, Espanha, México, Canadá e Argentina.
Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia

A Priscila Simões me encaminhou um comentário que foi postado em seu blogue:

Você já participou das reuniões de AA, como um membro ou mesmo um pesquisador? Sou Al-Anon e tenho familiares que participam, inclusive meu tio (já falecido, devido a um problema pulmonar), participou por mais de vinte anos e o programa de AA funcionou para ele, assim como para várias pessoas que conheço que estão com mais de vinte anos fazendo a programação sem ingerir bebida alcoólica. Você pode achar a literatura obsoleta, mas na verdade (como a Biblia), a temática é bem atual, pois tudo o que foi escrito há vários anos, ainda hoje é vivenciada em vários lares brasileiros: a decadencia familiar provocada pelo alcoolismo. Você está equivocado. Precisas fazer um estudo mais profundo sobre a Programação dos Alcoólicos Anônimos.

Auxiliadora Ferreira
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No incansável lavor de esclarecer a quantos puder, respondi, conforme abaixo.
Estimada Auxiliadora,
É com prazer que respondo a algumas das indagações que você me formula, me permitindo assim esclarecer algumas questões pontuais.
1 - Já participei de reuniões de A.A. sim, tanto pela internet como aquelas chamadas presenciais. Como pesquisador ciente e responsável, procurei conhecer bem a irmandade de A.A. Meus conhecimentos sobre a instituição, e principalmente sobre Dependência de Álcool, levaram a entidade me agraciar com o título de “Amigo de AA”. Proferi palestra em solenidade de A.A. e cheguei a escrever artigo (a pedido de A.A.) para a revista Vivência, que é editada pela organização.
2 – Quanto ao programa ter funcionado para o seu falecido tio e para outros familiares seus, não tenho a menor dúvida. Sei que muitas pessoas tornam-se abstêmias seguindo a programação de Alcoólicos Anônimos, contudo, a meu ver, são doutrinados e perdem um bem valiosíssimo: sua liberdade religiosa e filosófica. Mas você sabia que esse contingente não representa nem 0,3%, e que menos de 1%, segundo a OMS, estão em tratamento, e que esses resultados pífios, são a meu ver, na maior parte, de inteira responsabilidade de A.A.?  Muitos fazem a “programação sem ingerir bebida alcoólica”, como você diz, e isso é um aspecto positivo, mas e quanto aos aspectos negativos da irmandade (imensamente maiores que os positivos – que abaixo eu comento) você já procurou analisar?
3 – Agora sou eu que te pergunto, querida Auxiliadora, sobre a sua frase “Você pode achar a literatura obsoleta, mas na verdade (como a Biblia), a temática é bem atual”: Você leu meus argumentos, em que discorro poque a literatura de A.A. é obsoleta e extemporânea?
- Fica a dúvida, sobre dois pontos.
a) Quando você diz, referindo-se a literatura de A.A, que na “verdade a temática é bem atual”, não explicou as razões.  Só a temática é atual querida Auxiliadora. Por ser atual, a temática não endossa ou corrobora o obsoletismo e extemporaneidade desta literatura.
b) Em parte de meus argumentos, que acima me refiro, eu digo que a doença é tratada de maneira sectária pelo A.A., em que a doença é tida pela irmandade, como de origem espiritual e pelos “defeitos de caráter” do dependente. E aí está o grande problema, cara Auxiliadora, ao tratar a patologia de maneira tão preconceituosa e arcaica, A.A. estigmatiza fortemente todos os dependentes de álcool, pertencentes ou não à irmandade. Ninguém tem vergonha de ser cardíaco, hipertenso ou diabético, mas tem vergonha de ser dependente de álcool, e A.A. tem muito a ver com isso, pois é a irmandade que divulga tais mitos sobre a doença. Até mesmo os aidéticos e leprosos não são mais estigmatizados, pois campanhas foram empreendidas para esclarecer a sociedade, que passaram a vê-los com outros olhos. Mas A.A. continua divulgando sistematicamente (mesmo diante de avanços da medicina, que mostra que a patologia é multifatorial, principalmente de natureza fisiológica, mental e hereditária) que ela é de natureza moral.
4 – Te digo ainda, cara Auxiliadora, que toda a argumentação de Bill Wilson e A.A. (Na sua literatura obsoleta e extemporânea – principalmente nos Doze Passos) para estigmatizar os dependentes de álcool, foi determinada por uma farsa de Bill e Jung, a partir da ideia assim expressa: “A sua fixação pelo álcool era o equivalente, em nível mais baixo, da sede espiritual do nosso ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval, pela união com Deus”. E daí veio a fraude, que foi cunhada em uma frase lapidar. Nesta frase foi dito “Veja você, ‘álcohol’ em latim significa ‘espírito’, e você, no entanto, usa a mesma palavra tanto para designar a mais alta experiência religiosa como para designar o mais depravador dos venenos. E em seguida acrescenta: A receita então é ‘spiritus’ contra ‘spiritum’”. A fraude é tão espetacular, cara Auxiliadora, que a palavra álcool, ou álcohol, como queira nem existia nos dicionários de latim daquela época (1961) em que as frases acima foram ditas. Infelizmente o espaço aqui não comporta tudo que eu gostaria de falar sobre estas fraudes. Mas se você quiser, para se esclarecer devidamente, posso te enviar por e-mail. Se a Priscila Simões também achar conveniente, posso passar a ela para divulgação aqui em seu blogue.

5 – Finalmente, querida Auxiliadora, quero dizer que você não faz justiça a minha pessoa e ao meu trabalho, ao dizer que estou equivocado e que preciso fazer um estudo mais profundo sobre a doutrina de A.A. Foram mais de 15 anos de estudos aprofundados. Afinal, prezada Auxiliadora, você leu as 384 páginas de meu livro “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”?
Noto que os adeptos da irmandade de A.A. sempre me dizem (passionalmente) que preciso ler mais sobre A.A., mas NUNCA leram meu livro. Afirmo que até o presente momento não houve um único membro sequer, que tenha lido meu livro. E sabe onde está a lógica para isso? Talvez a resposta esteja na frase de Carl Sagan, que cito nas páginas iniciais de meu livro:
“Algumas vezes pretendemos que algumas coisas sejam verdades não porque existem indícios para isto, mas porque desejamos que isto seja verdade. Confundimos a realidade com as nossas esperanças e ansiedade.”

Com todo carinho,

Luiz Alberto Bahia

Auxiliadora Ferreira

terça-feira, 28 de junho de 2011

ENCERRADO O EPISÓDIO COM O "ANÔNIMO"

Infelizmente o senhor anônimo não entendeu minhas colocações, e nem ponderou sobre meu pedido para não responder a minha última manifestação, aqui pelo meu blogue. Neste espaço onde sou o moderador, essas deliberações deveriam ser levadas em consideração. Ainda assim ele respondeu, conforme abaixo:
“Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Comentário recebido hoje (26/06/11) de um membro d...":

É fácil ser pedante e fugir de uma discussão hein...

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We also accept – and this is extensive to our visitors, including from Brazil – suggestions of themes to be put in dispute. We are entirely available to clarify or inform about any matter related to drug addiction.
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Best wishes,
Luiz Alberto Bahia

TRADUÇÃO:
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Aceitamos também – extensivo a todos o visitantes, inclusive do Brasil – sugestões de temáticas para serem colocadas em debate. Colocamo-nos ao inteiro dispor de todos para esclarecer ou informar sobre quaisquer questões relativas à drogadição.
Informamos ainda que até o presente momento, nosso blogue está sendo visitado por cidadãos estrangeiros, dos seguintes países, por ordem decrescente de número de pessoas: Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Rússia, Portugal, Espanha, México, Canadá e Argentina.
Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia

Postado por Anônimo no blog Greda - Luiz Alberto Bahia em 27 de junho de 2011 12:47
”

Embora eu não visse um melhor aproveitamento no debate, pedi para que a resposta dele (se ainda achasse necessário) não me fosse encaminhada como comentário no blogue. Mesmo para sua manifestação anterior eu já que havia lhe passado meu e-mail.
As pessoas que visitam meu blogue, podem constatar pelo diálogo (abaixo) mantido, que apenas uma pequena parcela de minhas colocações foram absorvidas pelo meu interlocutor. Evidentemente que isso se deu por problemas óbvios. É muito comum aos dependentes de estágio avançado não (procurarem) receberem Terapia Cognitivo-comportamental (TCC), para os transtornos provocados por longa exposição ao álcool, dentre eles os distúrbios cognitivos, de comportamento e inadequação. Assim sendo relevo o ataque pessoal que a referida pessoa me dirigiu tendo em vista suas circunstâncias.

domingo, 26 de junho de 2011

Comentário recebido hoje (26/06/11) de um membro de A.A.

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Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia

COMENTÁRIO DE UM VISITANTE DE NOSSO BLOGUE:
Sr. Luiz, gostaria de receber este tal livro, para saber a contundência das suas argumentações contra Bill W., sou membro de AA também, mas jamais fui explorado pela Irmandade...e se puder obtê-lo gratuitamente como o Sr. mencionou ao companheiro acima, ficaria muito agradecido.

Abraços!

Minha resposta:

Prezado Senhor Anônimo,

 Posso pensar afirmativamente em enviar-lhe gratuitamente o meu livro “O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)”, mas antes gostaria de propor o esclarecimento de alguns pontos.

Ofereci o livro ao seu irmão de A.A., Sr. Pedro, como afirma, mas o senhor deve ter lido na minha resposta a ele, que fiz uma ressalva, de que se ele pudesse pagar, eu indicaria o meio para fazê-lo. Então gostaria de saber se o senhor não pode pagar pelo livro. Gostaria ainda de saber, se da mesma forma não paga ao A.A. por nenhuma literatura doutrinária  (para saber se não está sendo explorado), ou por nenhum dos 86 itens que a irmandade vende. Desta forma posso analisar com mais acuidade o seu pedido, mas gostaria antes de fazer algumas ponderações:
O livro está à venda e a renda se destina a fundação do GREDA – Grupo de Recuperandos da Dependência do Álcool. Trata-se de um grupo de ajuda mútua com embasamento científico, em que o dependente não ficara afiliado pelo resto da vida, como em certos grupos dogmáticos e sectários. Pois nosso lema é “O dependente precisa apenas de um tratamento, e o GREDA deve ter este objetivo: o de demover o indivíduo da morte e devolvê-lo à vida.” Portanto a venda tem uma razão muito importante, e para distribuir gratuitamente é preciso que haja uma justificativa plausível. Entendo que aqueles que necessitem do livro e mostrem respeito pelas nossas propostas (que o senhor leu no texto em que comenta), devem receber o livro.
Quesito este que o senhor ainda não preencheu, mas que ainda poderá fazê-lo. Para isto basta esclarecer que ao se referir como “tal livro”, o senhor não quis dar sentido depreciativo a obra. Depois o senhor diz que o interesse em receber gratuitamente o livro de minha autoria, é tão somente “para saber a contundência das suas argumentações”. Quanto a este argumento do senhor para receber o livro sem pagar, não me parece válido. Ora, penso que se o senhor ler mais detidamente o texto da página em questão (na dúvida sugiro que leia as outras páginas do meu blogue), chegará facilmente a conclusão que, não só sou, “incisivo, categórico, terminante”, como também estou muito bem embasado cientificamente em minhas demonstrações. Ainda assim estou disposto a atender o senhor, se sua resposta for satisfatória.
Para possível atendimento a sua solicitação, gostaria que o senhor ao responder-me, dissesse seu nome completo e endereço para a postagem do livro, o Correio exige isto. Para respeitar a não publicação de seu nome, use meu endereço eletrônico lzbahia@gmail.com Quanto a isso, acho que quando uma pessoa assume sua identidade, ela assume suas responsabilidades civis e morais, e na maioria dos casos é mais comedida. Tenho notado que os membros de A.A. usam do anonimato, não apenas para satisfazer uma exigência dogmática. Usam mais dessa prerrogativa para se sentirem mais a vontade e assim dizer coisas que normalmente não diriam se assumissem a autoria das mesmas.
Por fim, gostaria de dizer que para o meu livro ser útil a V. Sa., terá que abrir sua mente a concepções mais modernas e científicas, o que será muito difícil pois, parafraseando Carl Sagan, a verdade para esmagadora maioria dos AAs é somente aquilo que querem acreditar.

quarta-feira, 18 de maio de 2011


TERMOS IMPRÓPRIOS EMPREGADOS (PELO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO) NA REPORTAGEM “Grupo dos Alcoólicos Anônimos tem a sua eficácia contestada”, de 27/03/11.


 
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Luiz Alberto Bahia

TRADUÇÃO:
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Aceitamos também – extensivo a todos o visitantes, inclusive do Brasil – sugestões de temáticas para serem colocadas em debate. Colocamo-nos ao inteiro dispor de todos para esclarecer ou informar sobre quaisquer questões relativas à drogadição.
Informamos ainda que até o presente momento, nosso blogue está sendo visitado por cidadãos estrangeiros, dos seguintes países, por ordem decrescente de número de pessoas: Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Rússia, Portugal, Espanha, México, Canadá e Argentina.
Com meus agradecimentos,
Luiz Alberto Bahia



TERMOS IMPRÓPRIOS:

 Agora que o debate não está mais intensificado, cabe esclarecer alguns pontos importantes, sobre termos inadequados empregados pela jornalista encarregada da matéria da Folha de São Paulo, sendo que a maior parte deles foi atribuída à minha pessoa. Só não alertamos sobre esses inconvenientes no auge dos debates, com receio de que nosso pronunciamento pudesse mudar o foco das discussões, mas a questão é de alta relevância e achamos que todos deveriam tomar conhecimento sobre os comentários que passamos a fazer:

Na entrevista que concedi ao jornal alertei a jornalista para os termos inadequados usualmente empregados por leigos em dependência de álcool. Nesta entrevista de quase uma hora e meia, parte da mesma foi para esclarecer sobre este ponto, muito importante, pois alguns deles ajudam a estigmatizar os dependentes. A pedido do jornal, cedi um exemplar do meu livro "O mito da doença espiritual na dependência de álcool (Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos)", em que eu alerto para o problema, e explico sobre as consequências que tais inadequações refletem em todos os dependentes. Mas a jornalista não levou em conta essa nossa contribuição e achou mais conveniente empregar termos sensacionalistas normalmente utilizados pelos profissionais desavisados da mídia.

Primeiramente a jornalista diz que eu sou um ex-frequentador de A.A., o que não é verdade. Quando fui perguntado reincidentemente se fui membro de A.A., deixei claro para a jornalista que não o fui, porque não aceitei o programa da irmandade, que na época em que procurei a irmandade buscando ajuda, achei o programa preconceituoso e discriminatório, e até ofensivo (opinião partilhada por muitos dependentes – veja comentários de dois deles aqui no meu blogue).

A frase seguinte, atribuída a mim, em que diz “No AA, o dependente é tratado como pecador e deve aceitar um programa espiritual para ser curado”, leva o leitor mais atento (os especialistas e outros profissionais da área de saúde) a suspeitar de meus conhecimentos sobre o tema. Na verdade eu nunca empreguei o termo “cura” ao me referir a drogadição, já que é largamente sabido e difundido (eu próprio já o afirmei, em meus livros, artigos e em entrevistas) que a doença não tem cura, fato que a jornalista foi devidamente cientificada.

Posteriormente, na matéria, a jornalista diz: “Para Bahia, o AA é baseado numa ideia antiga de que vício é desvio de caráter.”. Aí está outro termo pelo qual não tenho a menor simpatia e que evito sistematicamente: vício. E este termo mereceu destaque nos meus alertas à jornalista, pois quase sempre os profissionais da mídia mostram uma predileção injustificada por ele, e isso foi dito nestas mesmas palavras à desatenta profissional, além evidentemente das explicações salientadas em minhas obras, principalmente no livro em questão, enviado à jornalista. Neste meu livro uso a palavra “vício” apenas quatro vezes, assim mesmo porque elas estavam contidas em citações que faço, e a meu critério, e como manda a boa prática literária, não se muda citação. Uso assiduamente o termo “dependência de álcool” que é o termo mais adequado e menos estigmatizante. A palavra “vício” está completamente em desuso (exceto para muitos jornalistas) em drogadição[1], servindo-se muito mais para se referir à deformação moral das pessoas ou objetos, completamente inadequada para se referir a uma doença. E esta é uma das grandes dificuldades dos profissionais da mídia: ver as dependências – todas elas – como doenças simplesmente. Quase sempre é escandalizante para a mídia.

Quero dizer sobre outra frase que me é atribuída, quando é dito que “o programa estigmatiza o paciente, e a sociedade tem uma visão deturpada do alcoolismo por causa dele.”. Assim como a palavra alcoólatra, alcoolismo é outro termo de que não faço uso, exceto em citações, ainda que sejam palavras usadas com frequência, inclusive por especialistas. Assim nos explicamos em nosso livro aqui referenciado:

O leitor já deve ter observado que, ao longo das páginas anteriores, evitamos as palavras alcoólatra e alcoolismo, a não ser quando se tratava de referência – quando outros assim mencionavam. Achamos melhor evitar essas palavras, não porque elas estejam nominalmente erradas, mas porque o emprego delas acabou sendo desvirtuado ao longo do tempo e hoje são estigmatizantes. Essas palavras já não servem para designar uma doença ou um doente. Esse uso, digamos, tornado impróprio pelo seu mau uso ou viciado, acabou por desqualificá-las como significativas de um conceito na sua mais pura essência. Aquelas palavras servem muito mais para fins pejorativos do que para designar o doente ou a doença; são mais utilizadas para provocar, discriminar, ofender e/ou ferir.{...]“ O termo alcoólatra confere uma identidade e impõe um estigma, que anula todas as outras identidades do sujeito, tornando-o tão somente aquilo que ele faz e que é socialmente condenado, não pelo que faz, mas pelo modo como o faz. Em outros termos, não é a bebia em si, mas aquela pessoa que bebe mal, isto é, de modo abusivo, desregrado, que a leva à condição de ser socialmente identificada popularmente como “alcoólatra”, ou seja, quem “idolatra”, “adora” e se tornou dependente do álcool.

Finalmente quero dizer que o entendimento que o público possa ter tido de meu livro ou de minha pessoa, pode ter sido prejudicado devido aos deslizes cometidos pelos que conduziram a matéria jornalística. E embora meu livro se destine ao grande público, porque foi cuidadosamente preparado para este fim, em uma linguagem muito simples - acessível até para alunos do ensino médio -, sentimos que a abordagem inapropriada prejudicou nossa imagem. Nossos cuidados para um grande alcance do livro se devem principalmente porque não há quem não viva sob as interferências maléficas das dependências do álcool, que é classificada como um dos maiores problemas de saúde pública mundial. Ele é um livro científico. Mas nossa maior preocupação com as repercussões negativas estão ligadas aos especialistas, que podem ter deixado se influenciar pelas colocações inoportunas da jornalista. E assim, com a presente retificação, realinhando nossa verdadeira ideologia sobre alguns aspectos do tema, esperamos minimizar os efeitos perniciosos que foram provocados pela matéria.



[1]Conforme enunciado, em outra obra de nossa autoria, adição é um termo recente, largamente usado em medicina e que deriva de adicção, que por sua vez, vem de adicto. Adicto (Dicionário Houaiss): lat. addictus, a, um ‘adjudicado ao seu credor, como devedor insolvável, p. ext. submisso, escravizado’, part. pas. deaddicere ‘daro seu assentimento, aprovar, adjucar (em lanço), vender; adjucar a pessoa do devedor ao credor, para que este use daquela como seu escravo’ (jur); já substv., no próprio lat. addictus, i (form. a partir do part.pas.) ‘escravo por dívidas’; o subst. Foidoc. em Plauto, numa peça que se perdeu.